IBM, Rational e Eclipse

Como tá no GUJ, o anúncio oficial dá algumas pistas do objetivo da BigBlue.

Today’s software development organizations are increasingly global in nature and operate in a fluid environment where new teams are formed frequently and developers are often shifted among teams as needs dictate. They must deliver quality applications that meet business goals, satisfy customers and adhere to time and budget requirements.

But a lack of standards in core development activities such as requirements setting, analysis and design, testing and project management has increased time and overhead as organizations continually reproduce the myriad processes, plans and compliance documents that are fundamental to software development. Best practices often remain siloed within an individual team or company.

Não sei se eu passei tempo demais lendo Peopleware, mas isso me parece uma desculpa esfarrapada. Primeiro porque ja existe um processo “livre”, O Unified Process. Não por coincidencia, a pagina do UP na Wikipedia redireciona para a de RUP. Estaria a IBM devolvendo à comunidade uma escolha? Haveriam duas implementações de UP apoiadas pela IBM, Eclipse e RUP? Como Websphere e Geronimo?

Depois, porque quem faz um sistema não são processos, mas pessoas. Essa história toda de esconder pessoas mal preparas, sem treinamento, trabalhando acima do tempo esperado, com prazos irreais, em ambientes inumanos atrás de uma cartilha de processos (sejam cinco mil regras escritas em pedra ou cinco palavras vindas de um diretor) é balela. Cada vez mais as empresas acabam por investir em RUPs, UPs, CMMIs, FPs e XPs da vida e esquecem do desgraçado que acorda todo dia cedo e senta na máquina, saindo só a hora que o corpo não aguentar mais.

Terceiro, mas não menos impotante, porque o RUP é altamente baseado na suite de ferramentas Rational. Ganho de graça os processos, mas preciso comprar o Rational XDE?

Vamos e venhamos, é um senhor marketing para a IBM. Ela vai fazer do RUP o que faz com o WSAD: “Olha, temos aqui essa plataforma e construímos o WSAD colocando plugins nela. Se você quiser pode usar sem os plugins, nós recomendamos que não faça isso, mas é sua escolha. Se tem outros plugins de outros fabricantes? Bem… er… já te dei um desses lindos squeezes? E a canetinha-lanterna? CD do DB2?’. Fora que assim evitam que empresas caiam para as metodologias ágeis por serem mais barata em implantação (gestores medíocres não conseguem enxergar mais que alguns meses, eles sabem que podem ser descobertos como medíocres a qualquer momento e ter que fazer uma “retirada estratégica”).

Acontece que a Plataforma Eclipse é muito boa por si só. Recentemente tive que implementar um plugin para ela de verdade (das outras vezes eram apenas hello worlds) e vi que apesar de ter pouca documentação e uma curva de aprendizado monstruosa, não é tão difícil depois que se pega o jeito (thanks louds). Muita coisa é construída sobre ela, uma grande empresa que conheço está migrando toda a sua arquitetura de GUI para dentro do Eclipse.

E o RUP? Sem dúvida algumas empresas vão investir no Eclipse Proces Framework, mas será que quem dá gás à plataforma Eclipse se interessa por processos tidos como engessados? Quantas empresas que adotam o RUP colaboram com Software Livre continuamente?

Eu tenho minhas mágoas com waterfall (e quem não tem?), mas eu ainda preferiria qualquer metodologia engessada que pudesse ser adquirida com meia dúzia de livros ou seminários do que uma que você tenha que comprar o grande produto IBM.