Componentização: Bioengenharia Entende mais que TI

Tem bastante tempo eu escrevi num dos meus blogs anteriores (não lembro qual deles) sobre como existe um mercado de componentes. O ponto é que ao contrário do que o hype de CBD (Component-Based Design) quis passar, não existem tantos componentes de negócio. Os componentes existentes são quase sempre horizontais, como bibliotecas para envio de e-mails, parsers de XML, implementações de especificações como EJBs… Os tais componentes de negócio, no mundo maravilhoso onde você encontraria seu software de RH na prateleira, ficaram nos livros.

A lembrança sobre este tema me veio a cabeça ontem, lendo a Scientific American Brasil no metrô. A edição de Julho traz uma matéria interessantíssima sobre como a biotecnologia busca industrialização através da componentização de seus produtos.

O diferencial é que eles estão seguindo exatamente o modelo da engenharia eletrônica. Em eletrônica nós temos componentes horizontais que formam sistemas verticais. Por exemplo, uma TV é formada por uma enormidade de pequenos componentezinhos. Cada componente deste possui especificações técnicas que dizem quais entradas eles esperam e que saída esperar deles.

O ponto é que uma TV ou um composto biológico é um artigo de massa. Você não entra na loja e monta uma TV com características que deseja. Um sistema de informação é exatamente o oposto, cada empresa quer características próprias. Neste cenário pensar em componentes verticais de granularidade grossa fica muito complicado.

Então, o que CBDtrouxe foi uma forma de organizar um sistema de informação em componentes, mas o sonho off-the-shelf (componentes de prateleira) não vingou.

Interessante notar que SOA traz uma proposta um pouco mais realista neste sentido. As empresas constroem seus próprios serviços, dispnibilizados para consumidores externos ou internos. Não existe necessidade de serviços de prateleira, se você quer consumir um serviço disponibilizado por alguém tudo que você precisa é se conectar a ele. Estamos aproveitando as características de CBD que se provaram úteis (encapsulamento, contratos, controle de dependências, reuso, separação de artefatos…) e eliminando uma parte que não vingou.

2 Responses to “Componentização: Bioengenharia Entende mais que TI”

  1. Diego Pires Plentz Says:

    Fazendo uma analogia tosca, ao invés de comprar componentes de prateleira, apenas os alugamos.

  2. Bruno Carvalho Says:

    Ae phillip, atualiza o link pro meu blog para http://www.brunocarvalho.com :D

    Valeu !

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