Presente, Passado e SOA

Bom, semana passada foi dai da minha apresentação no evento sobre SOA do IQPC, como vocês já sabem. Foi muito interessante preparar e ministrar essa palestra principalmente porque fugia do lugar comum que é apresentar uma nova tecnologia ou mostrar uma ferramenta, tão comum em exemplos deste tipo.

Minha palestra teve como foco desmistificar as características do SOA, mostrando que elas já estavam disponíveis, especificadas e documentadas em sua maioria há uma década. Como não há muito material sobre esta comparação (estes slides são provavelmente a coisa mais direta sobre essa comparação que existe hoje na Internet) precisei tirar a poeira dos livros sobre componentes e procurar conceitos comuns na parca literatura que se pode levar em conta sobre SOA (ou seja: nada de papers de fornecedores apresentando sua gloriosa ferramenta gráfica, estes sim abundantes).

As conclusões estão nos slides, pena que a palestra é mais um bate-papo e não foi gravada, mas acho que dá pra tirar algo de bom deles.

O mais interessante na verdade foi conversar com as pessoas. A maioria era de gerentes de grandes empresas públicas, bancos e alguns funcionários de grandes empresas de software. As empresas destas pessoas as enviaram para tentar entender o que é SOA e como adotá-lo na empresa. Eu não pude acompanhar o evento todo e não sei se as pessoas conseguiram informações sobre o que queriam: qual o caminho para migrar para SOA?

Uma das comparações que eu faço entre SOA e CBD é que CBD é, na minha opinião, ingênuo. A impressão que se tem ao ler sobre o uso de componentes é que é possível utilizar a técnica de maneira bem gradual, indo aos poucos transformando seus sistemas em componentes distribuídos. SOA é bem mais agressivo, criando cascas de serviços sobre os sistemas num tempo muito curto.

Ao mesmo tempo, não sinto nos vendors compromisso com isso. A maioria do material que vi neste evento e em qualquer outra fonte é sobre como usar ferramentas e técnicas para gerenciar e orquestrar serviços que já existem, poucas coisas falam do dilema que é transformar sistemas em serviços.

Este é um bom tópico para atacar numa próxima oportunidade. Nos últimos meses venho constantemente lidando com a transformação de sistemas legados em serviços ou ainda com a mudança arquitetural de sistemas que estão em desenvolvimento para este modelo.

A impressão que tive é que com a quantidade de dinheiro que se está investindo em SOA hoje não dá mais pra chamar de futuro, mas de presente. Claro que há um problema muito grande aí: Este foi o mesmo cenário, por exemplo, com EJBs.

Eu espero sinceramente que tenhamos aprendido a lição e que estudemos os conceitos por trás das coisas antes de sair por aí implementando sistemas que não funcionam utilizando ferramentas caríssimas.

One Response to “Presente, Passado e SOA”

  1. Alexandre says:

    Concordo com você amigo,

    E com certeza aquela empresa que deixar essa idéia de lado e demorar para “cair na real”, vai ficar para trás.

    []’s…