Algumas coisas mudam. A que parece a Borland/CodeGear fez da sua IDE uma delas. Durante o STD2007 tive um bate-papo com o representante da empresa sobre o novo JBuilder, o 2007. Como o JBuilder me deu dezenas de péssimas experiências, eu realmente queria saber a quantas andava o produto após a integração com o projeto Eclipse. O JBuilder me surpreendeu. Positivamente, pela primeira vez na vida do produto.
Na verdade não foi a IDE, não há nada que você realmente precise ou não possa substituir com alternativas livres ou pagas, mas a política da Borland é algo muito diferente do usual. Este primeiro release do JBuilder foca em ferramenta de UML, os assistentes para gerar artefatos Java EE que todas as IDEs têm e em integração com plataformas de ALM (Application Lifecycle Management).
O que mais me surpreendeu foi que a integração padrão não é com a suite de ALM da Borland mas sim com ferramentas Open-Source e largamente populares como Subversion, Buzilla, Mylar e Liferay. Métricas? Que tal PMD e Find Bugs? Realmente parece que a separação entre Borland e CodeGear fez muito bem…
O problema do produto que (ou melhor: o problema que puder perceber neste bate-papo) é o licenciamento. A menos que você crie um mercado de apaixonados como o IntelliJ e TextMate ou prenda seus desenvolvedores como faz a Microsoft não há vida no mercado de IDEs pagas há mais de cinco anos. Dado o corte enorme de custos que é utilizar a infra-estrutura (editor, debugger, etc.) do JDT o preço da plataforma caiu uns bons 70%, mas ainda é muito caro. Mais caro que o IntelliJ, que eu já acho caro!
Fatalmente as Borland-shops vão adotar a ferramenta e, pelo que vi até então, vão fazer uma escolha tecnicamente justificável (suporte no Brasil, funcionalidades e plugins do Eclipse, assistentes para RAD e integração com ALM é bem útil) mas economicamente furada. As empresas que usam outras IDEs vão continuar as utilizando e nenhuma nova comunidade será criada. O JBuilder seguirá sua tradição de só ser utilizada por empresas que enfiam a ferramenta pela guela abaixo dos seus desenvolvedores. S o desenvolvedor é do tipo que não quer baixar os plugins do Eclipse que precisa ou não sabe que pode baixar o pacote completo com todos os plugins de uma vez só (algo que os evangelistas do NetBeans fingem que não existe) ele vai buscar sua IDE em netbeans.org, de graça.
A Borland vence tecnicamente a Sun ao reaproveitar uma infra-estrutura excelente ao invés de oferecer mais do mesmo como o NetBeans, mas perde em modelo de negócios já que a Sun já aprendeu que desde o início do século o modelo de licenças está falido.
Cachorros velhos aprendem truques novos, mas nem todos os cachorros e nem todos os truques.
Essa questão de pagar ou não por um IDE é algo que hoje (e a 5 anos como Shoes disse) não dá mais.
Um exemplo são os (.NET) Express da MS, IDE (quase iguais ao Visual Studio), se a própria MS percebeu a furada de tentar vender isso a todos (se justificam a vesão “free” a estudantes e entusiastas e pequenos “produtores de codigo” )… A Borland já deveria ter convertido seus conhecimentos a essa “tendencia”, pode ser que ela esteja esperando ser mordida novamente pelo cachorro novo.
Até mesmo um IDE PHP foi feito, a promessa é de um ambiente produtivo (parecido com delphi ela sempre usa isso) e pago, acho dificil alguém comprar.
Ótimo artigo
Phillip e Leandro,
Vocês acham realmente que vocês foram os únicos a pensarem nisso? Vocês acham que ninguém na Borland esta atento aos concorrentes open sources?
Rubem,
Se tem gente lá pensando sobre essas coisas e com orçamento para cuidar delas então só posso acreditar que é incompetência. A Borland/Inprise/CodeGear/QualquerQueSejaoNomeQueUsemEssaSemana já mostrou isso em oturas ocasiões.