Estava eu passeando pelo Galeão pensando se meu vôo ia sair apenas atrasado ou se ia ser cancelado (para minha sorte e surpresa ele saiu na hora), dentro da livraria reformada do aeroporto quando encontro um livro que queria muito ler por recomendação do Rodrigo Kumpera “louds”: Você Está louco, de Ricardo Semler. Durante as 12 horas seguintes de baldeações entre 3 aeroportos, cada um num fuso-horário, por 3 horas até chegar em Chicago li o que o tal Semler tinha pra dizer. Desde sempre eu me interesso por leitura de negócios, mas desde sempre eu odeio literatura do tipo Pai Rico, Pai Pobre ou o meu favorito para o ranking de livro mais idiota da história: Quem Mexeu no Meu Queijo (outro dia vi uma variação nova sobre sapos que acham lagoas novas). Por isso eu folheava o livro com bastante receio de ter gasto R$40,00 a toa.
Pois não é que o Semler tem muito a dizer? A idéia básica do livro você pega muito depressa: as idéias ‘loucas’ do autor são apenas aplicações do conceito de ‘power to the people’, tão falado neste mundinho Web 2.0 que estamos inventando e vendendo. É impressionante como quando alguém que pode quer fazer alguma coisa os efeitos são visíveis em pouco tempo, seja em um site de conteúdo colaborativo, em folksonomy, em uma rede de distribuição de conteúdo colaborativa e indestrutível ou mesmo numa fábrica com seus operários.
Uma parte importante, no entanto, é quando Semler explica como fez para que os operários fossem apresentados aos balanços da empresa. Não adiantava mostrar planilhas e gráficos para quem não estava habituado a isso, foi necessário falar a língua do povo.
Não vou estragar o livro, fica a recomendação.
Outro do Semler que indico é o “Virando a própria mesa”. É velho, mas gostei bastante.