Genérico

Recentemente terminei meu primeiro projeto na ThoughtWorks. Como de normal com projetos ágeis esse terminou no prazo e com clientes satisfeitos já prontos para a segunda fase, mas teve algo especial. Foi meu primeiro projeto agile white-label.

A ThoughtWorks é uma empresa especializada em boas práticas de gestão de projetos, análise de negócios e desenvolvimento de software. Não é uma empresa especializada em XP ou Scrum ou Crystal ou que quer que seja.

Com tantos especialistas no escritório não é difícil imaginar que se pega o que melhor funciona em uma metodologia e em outra para formar uma metodologia única, adaptada àquela empresa. Como evangeliza Jacobson, o importante não é o processo em si e sim as praticas.

Nossas praticas neste projeto variaram entre XP e Scrum e as desenvolvidas internamente na ThoughtWorks e que não são tão conhecidas ou por um acaso nunca foram publicadas.

Eu notei algumas coisas boas e ruins no processo. Como estou acostumado a seguir um conjunto específico de metodologias foi muito bom não estar preso à uma prática. No Scrum, por exemplo, se você não segue uma pratica pode complicar outras, elas são habilidosamente encadeadas. Como nós criamos o nosso encadeamento não havia tanto problema em mudar as regras no meio do jogo quando víamos que algo não ia dar certo, mas ao mesmo tempo a falta de uma “arquitetura de processo”, uma linha-guia que dita a estratégia, foi sentida.

Outra coisa importante é que eu não tentaria algo parecido com pessoas inexperientes Existe uma tendência nas adoções de agilidade à largar uma ou outra pratica que parecem menos interessantes ou mais trabalhosas. Eu sou completamente a favor de se personalizar a metodologia com o tempo mas sou completamente contra fazer isso durante a adoção inicial –a menos que seja uma ferramenta didática e a prática seja introduzida no decorrer do período. Adaptação de metodologia deve ser fruto de feedback, não se deve retirar algo do processo antes mesmo de tentar para ver as conseqüências. É claro que existem exceções mas as pessoas que criaram e mantêm as metodologias ágeis tiveram um motivo para colocar aquela pratica ali, se você não vê valor nela existe uma grande chance de não entender ara que ela existe. Tudo bem remover a pratica após entender, só não retire do processo algo que você não conhece e pode ser o coração da coisa toda.

Da mesma maneira, customização demais matou o RUP. O RUP é genérico demais e ao mesmo tempo que é tudo não é nada. Eu já trabalhei em mais de uma dezena de projetos que se diziam RUP e a única coisa que eles compartilhavam era uma burocracia infernal.

Seja qual for sua escolha, Srum, XP, Crystal ou White-Label, o que importa para mim são os valores. As praticas são apenas maneiras de se atingir os valores e apesar delas diferirem entre processos ágeis todos eles tem como objetivo –ou deveriam ter- chegar até os valores expressos aqui.

8 Responses to “Genérico”

  1. De fato as customizações são perigosas quando não são feitas conscientemente. O grande problema é que todo mundo acha que está fazendo conscientemente :)

    E acho que isso que você falou de ser mais fácil de se fazer customizações com desenvolvedores experientes se encaixa com a CheaperTalentHypothesis. Trabalhar com uma equipe de pessoas muito experientes faz toda a diferença.

  2. É muito interessante ver o crescimento, aplicação e comprovação do funcionamento das práticas ágeis. O fato de se chegar a perfeição eu acredito que venha da aplicação do processo/prática várias vezes ( até entrar no sangue, e achar o melhor caminho ).

    Também concordo plenamente, que existe um risco maior em realizar algo com pessoas que não são tão “experientes” no assunto, pois pode até acontecer da coisa tomar outro rumo pela falta de conhecimento.

  3. Philip,

    parabens pelo post e pelo seu primeiro projeto na TW! :-)

    Eu estou na India atualmente na TW University, e nao vejo a hora de chegar meu primeiro projeto.. hehe

    Um abraco,
    Francisco Trindade
    http://franktrindade.wordpress.com

  4. “Sincretismo” Metodológico! É o comentei naquele nosso artigo. he he he… Legal que tem empresas que trabalham assim.

    []s

  5. [...] sobre a ThoughtWorks, o Phillip Calçado “Shoes” nos falou um pouco sobre os processos de um projeto no blog dele (aproveite os links do post e também veja a opinião do Dr. Ivar Jacobson sobre o [...]

  6. [...] Sei que o RUP é mal usado, pois uma brecha dele é ser muito genérico, e isto cada vez se confirma mais, que o modelo atual “tradicional” está [...]

  7. Parem o mundo que eu quero descer !…

    Falta pessoal qualificado em TI, diz Assespro
    http://www.guj.com.br/posts/list/15/92783.java#497015
    Esta discussão está boa, e no meio das chamas levei um “impacto” ao ler a frase abaixo.
    louds wrote: [...] Não usem a incompetência alhe…

  8. [...] Sei que o RUP é mal usado, pois uma brecha dele é ser muito genérico, e isto cada vez se confirma mais, que o modelo atual “tradicional” está [...]