Labirinto

A quantidade de dados disponível na Internet é algo interessante e quando temos a ferramenta certa algumas realidades são tão claras que chegam a ser constrangedoras. Para mim a rede social mais relevante hoje é o Linkedin. Apesar de haverem centenas de desesperados para arrumar um emprego e ganhar recomendações sem merecer é m sistema bem feitinho e de uma empresa que parece ter o pé no chão: nada de criar o novo Facebook, foco foco foco!

Bem, dia desses eu vi que eles lançaram páginas das empresas. Além de uma interação redondinha com a BusinessWeek o perfil da empresa possui diversos dados extraídos dos perfis dos seus funcionários e, como a experiência de trabalhar com alto volume de dados e acessos me mostrou, isso não é nada fácil.

Mas aí vem a parte engraçada. Pegue a página de uma empresa de três letrinhas qualquer. Veja o box “Related Companies” e perceba a quantidade de empresas de três letrinhas dos dois lados (antes de entrar na empresa, depois de sair). Agora clique em uma empresa de três letrinhas da lista. Tente achar uma delas que não tenha uma empresa de três letrinhas como “after”.

É óbvio que isso não é nenhum dado científico mas mostra a realidade que quem trabalha nessas empresas vive -falo isso de conhecimento próprio. A coisa mais comum para o desenvolvedor de sistemas no Brasil é viver entre consultorias, você fica um pouco em uma, recebe uma proposta melhor, vai para outra, tira um certificado, volta pra anterior, quer ganhar mais, muda de novo. Sair deste ciclo não é fácil, exige sorte e/ou muita vontade. Não é fácil arrumar um bom lugar para se trabalhar e ainda ganhar a mesma coisa, mas existe. Na verdade eu percebo que tirando poucas exceções a maioria das pessoas com nível técnico bom que eu conheço ou não estão mais neste ciclo ou estão saindo dele.

Existe uma onda de pessoas que estão indo trabalhar com produtos, fazer consultoria por conta própria ou abrir sua própria startup. Isso é ótimo, quebra o paradigma infeliz de que para um técnico ter uma carreira de sucesso e;e deve sair da área.

Aqui em Melbourne -e imagino que na Australia toda- existe um saudável mercado de pequenas consultorias. São empresas pequenas, de umas dez pessoas, que conseguem competir nesse mercado tão cheio de absurdos. Infelizmente no Brasil isso é meio impossível -e dá para entender o Viícius-, as consultorias ganham contratos na base do… bom, vocês são brasileiros e sabem do que eu estou falando. Aqui existem as grandes também, Melbourne é um centro mundial, mas ainda que as pequenas estejam longe das contas megalomaníacas elas conseguem se virar com empresas que precisam de resultado de verdade, e não apenas encher uma sala de gente que finge que desenvolve.

Afinal, quantas permutações você consegue fazer com três letrinhas?

3 Responses to “Labirinto”

  1. Laércio Queiroz Says:

    risos,…

  2. André Pinto Says:

    É cara… Sou obrigado a concordar 100% com o que você disse… Tô vendo isso com os meus próprios olhos… Triste, mas é a realidade.

  3. Bruno Pereira Says:

    Isso é algo que chega a revoltar mesmo. Eu trabalhei 2 anos e pouco em uma das empresas da lista, mas ela tem 9 letras em vez de 3 (bom, dá pra dizer que ela é uma empresa de 3 letras ao quadrado.. hehehehe), e tenho péssimas lembranças da qualidade das coisas lá.

    A empresa tinha CMMI nível 5 acho que desde 2004 ou 2005, mas a qualidade dos softwares era medonha na maioria dos casos. O preço que ela cobra dos clientes é algo incrível, e a qualidade dos produtos é lamentável. Realmente não sei como continuamente ela consegue renovar contratos, deve ter muita politicagem por trás dos panos.

    Um exemplo interessante eu pude ver umas semanas atrás. Um amigo meu ainda está na empresa e está coordenando um projeto lá, no qual eles tinham que integrar 2 aplicações com web services simples, bem poucas operações. Este meu amigo chamou 2 desenvolvedores da fábrica de software da empresa, que supostamente já tinham uma boa bagagem.

    Pois bem, os caras tiveram 2 meses para implementar isso. No último fim de semana antes de começarem os testes de aceitação do cliente, meu amigo me ligou pedindo ajuda para resolver os problemas que eles estavam tendo. O problema em questão era relativo ao uso de uma ferramenta da IBM. Acho que a IDE deles parou de transferir com sucesso para o servidor de destino, e não havia reza que fizesse o troço voltar a funcionar. EU fiz algumas perguntas pra ele, inicialmente na base da curiosidade mesmo, e descobri o seguinte sobre a forma de trabalho deles:

    - Ant/Maven? nem pensar, os caras tavam usando diretamente a IDE para fazer deploy nos servidores.
    - Controle de versão? passaram a usar 2 semanas antes do fim do prazo de 2 meses.
    - Procedimento de testes? testes manuais, o que funciona hoje não funciona amanhã, etc, etc, etc

    Ao saber disso, não posso dizer que tenha tido grandes surpresas, mas isso bem deu uma ótima visão da qualidade da fábrica de software CMMI nível 5 deles.

    Tentei ajudar meu amigo, pois tenho experiência com web services, embora não com produtos da IBM. Dei umas dicas de como ele podia identificar o ponto onde o problema estava acontecendo, e sugeri que se a coisa ficasse feia mesmo, ele tentasse implementar aquilo com outra ferramenta, um framework de web services WS-* ou até mesmo REST, se fosse o caso de reimplementar tudo (eles tinham feito com WS-*, com o Websphere).

    A triste conclusão que eu cheguei foi que a empresa tinha cobrado uma fortuna por esses 2 meses do projeto, e a parada chegou no final com todos esses problemas. Os web services em questão eram tão simples que com certeza em 1 semana eu teria os entregado prontos, com todos os testes unitários automatizados e tudo funcionando.

    Se eu ganhasse uns 20% do que a empresa cobrou pelo projeto, eu ficaria feliz da vida. O cliente poderia ter o produto entregue em 1 semana em vez de 2 meses, e todos sairiam ganhando. Mas quem está rindo nesse momento são os sócios da “empresa de 3 letras ao quadrado”, pois conseguem cobrar caro por produtos ruins e continuam sempre vendendo. Felizmente saí dessa empresa em Maio de 2006 e já estou livre dessas coisas faz tempo. Sinceramente não sei se chegaremos a um dia no qual essas empresas não consigam mais projetos de software, pois a política é realmente forte. Acho que a única coisa que resta é torcer para que elas aprendam a fazer software depois de todos esses anos…

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