Eu sou terrivelmente tímido. Você pode não acreditar dada a facilidade em que eu me meto em pagação de mico, mas esta é a verdade. Eu simplesmente morro de medo de começar uma conversa com uma pessoa que não conheço; o único motivo de fazê-lo com certa naturalidade hoje em dia é porque, apos tantos anos, eu descobri que ou me forço a falar com pessoas ou minha vida não vai para a frente.
A timidez me trouxe muitas coisas ruins mas também moldou meu comportamento de algumas formas que considero benéficas. Uma das conseqüências da timidez é que eu sou bem ruim em convencer os outros de alguma coisa. Isso é horrível em diversos cenários, mas uma coisa boa é que eu aprendi que antes de tentar convencer alguém é melhor ter meus argumentos, provas e protótipos prontos.
E, felizmente, durante a minha vida eu encontrei muitas pessoas com um comportamento parecido –ainda que, na maioria das vezes, não gerado por timidez mas sim por algum outro motivo. Especialmente, eu vi diversas vezes e espero continuar vendo o impacto que um time de “fazedores” tem em uma organização.
O cenário é sempre igual. Determinado lugar, seja um dos meus clientes atuais ou alguma das empresas para quem já trabalhei, possui um grupo de pessoas de alto prestígio dentro de casa. Infelizmente estas pessoas não entregam nada há anos, eles apenas vivem de política. Por algum motivo é formado um time com pessoas que se preocupam mais com fazer do que falar. Este time acaba entregando em uma cadência bem superior do que o melhor dos times antigos. A empresa fica feliz, os gestores resolvem espalhar a “cultura do fazer” (que sempre toma um nome mais buzzwordy como “agile”, “lean”, “times auto-geridos”, “gestão 2.0” ou coisa que o valha).
O problema é que a cultura do fazer não escala muito bem. As pessoas que preferem fazer à falar são chamadas pela diretoria e se pede a eles que ajudem a espalhar a boa nova para toda a organização. Neste ponto, em minha experiência, o time original se divide em dois.
O primeiro grupo é formado por pessoas que vêem na oportunidade um reconhecimento de que, finalmente, atingiram o nível de “ninja” –ou qualquer outro nome saído de algum desenho animado que os desenvolvedores superstar resolvam usar—e sua missão agora é virar alguma espécie de evangelista. Estas pessoas, então, passam a maior parte do seu tempo falando, e quando fazem alguma coisa estão ou trabalhando em algum projeto para reinventar a roda ou atrapalhando a vida de alguém com alguma de suas idéias brilhantes.
O outro grupo até tenta entrar na roda. Eles vão às primeiras reuniões, aos coding dojos e aos outros eventos. Eventualmente eles percebem no que estão entrando. Eles percebem que, se ficarem ali, sua vida mudará. Eles entendem que seu novo cargo não é nem um pouco diferente daquelas antigas “pessoas de alto prestígio dentro da empresa”. Possivelmente eles descobrem que tais pessoas foram, um dia, fazedores. Que estas pessoas foram convertidos de fazedores para peso-morto em um processo parecido com o que se está iniciando.
E então ocorre algum cisma. O primeiro grupo, dos desenvolvedores hax0r-evangelista-superstar-ninja-estrelinha-blogueiro-palestrante-modelo-atriz-manequim fazem da torre de marfim sua nova casa. Os desenvolvedores do segundo grupo voltam para sua caverna e tentam continuar trabalhando em paz.
Eventualmente o grupo dos ninjas começa a contratar pessoas com uma opinião parecida com a sua própria. Em pouco tempo a empresa está tomada por um estilo que um amigo costuma chamar de “awesome, dude!” (em uma voz de americano que acabou de fumar alguma coisa estranha).
Existem alguns benefícios, claro. Os problemas históricos da empresa são, geralmente, trabalhados. O problema é que ao invés de resolver o problema o time awesome está mais interessado em usar as novas ferramentas ninja. Se a ferramenta ninja não possui o necessário para resolver o problema é melhor ainda, eles podem usar suas maravilhosas habilidades awesome para desenvolver o necessário –ainda que isso signifique fazer a organização pagar um custo absurdo para desenvolver infra-estrutura em casa quando existem centenas de alternativas consolidadas e amplamente disponíveis, ainda que não sejam ninja.
Apos algum tempo as coisas começam a ficar engraçadas. O clã dos ninjas perde prazo atrás de prazo, entregando novas rodas ao invés de valor de negócio. Quando a coisa começa a apertar, o clã lança uma bomba de fumaça e some na escuridão; sua fama no meio awesome-ninja-modelo-atriz-manequim já o garantiu um outro emprego de evangelista ou coisa parecida em outro lugar. Todos os filhotes de ninja ficam perdidos. Lideranças alternativas aparecem e guerras internas sobre o que, afinal, significa ser awesome destroem a produtividade. Plataformas são reescritas a cada quinze dias.
De repente, alguém repara que o único time que anda entregando algo é o time daquele povo que fazia parte do grupo de fazedores original mas recusou-se a converter em ninja awesome. Alguém resolve visitar a caverna destas pessoas e descobre o que restou deles lá dentro, no escuro, isolado das ondas de hype. Usando ferramentas e técnicas que fora banida pelos ninjas há muito.
Infelizmente nem todos estão ali, alguns já desistiram e foram para outras organizações. E, nestas organizações, eles vão eventualmente encontrar outro grupo de fazedores. E vão entregar software de qualidade e no prazo. E vão ser chamados pela gerencia para espalhar a boa nova pela empresa. E o ciclo se repete.
Sensacional post!!!
Muito bacana.
Eu gostaria de ter escrito esse post.
Também já vi este ciclo, muito bem descrito. Parabéns.
Já vi isso acontecer, não exatamente como está descrito, mas principalmente a parte “Quando a coisa começa a apertar, o clã lança uma bomba de fumaça e some na escuridão;”
Mas no caso as pessoas que continuavam entregando valores nunca foram notados, e foram chamados novos ninjas…
Interessante notar que isso pode acontecer em qualquer empresa, tando no Brasil quanto Estados Unidos, Austrália, etc. Muda a lingua falada, mas o comportamento humano é sempre o mesmo.
Há muito tempo não lia um post tão legal. Ficou excelente, parabéns!!!
Post sensacional! Percebi este “ciclo” (descrito da melhor forma possível por ti), já faz algum tempo. Ainda não descobri como faz para corrigir isto.
Arranjar um emprego em Startup ?!
Talvez fazer algo como o Vinicius Teles e ficar “livre” deste tipo de problemas, e é claro, ter outros!
Sei lá!
Excelente post, sad but true
Fantástico!
Como disseram, muda a empresa, muda o país, mas o comportamento humano é o mesmo.
Obrigado pelo post.
Abs.
Phillip,
Como sempre você descreve as coisas textualmente muito bem. Parabéns cara, vemos isso acontecer em vários locais. O mais importante do texto, pra mim, é a parte em que você reconhece que essas pessoas um dia foram fazedores, mas provaram do veneno do reconhecimento e da politicagem. Ao afirmar isso dá pra ver que tem jeito, se o envenenado reconhecer que precisa se curar :)
Muito bom mesmo o texto. Nota 10.
Abraços,
Bruno
“…Eu gostaria de ter escrito esse post….”
Eu tambem. sensacional!!!!
Sensacional o post!
A única coisa que me preocupa é os cowboys que ao lerem esse post se identificarem como os “fazedores”.
Existe empresa que de fato precisa contratar “fazedores” de verdade para sair do amadorismo, e a questão que nessas empresas muitas vezes existe tanta gente ruim que os fazedores recém contratados não aguentam ficar por muito tempo e neste momento que os cowboys voltam a fazer suas bizarrices, porém entregam, software bugado, impossivel de evoluir e etc e para eles isso lhes da o titulo de “fazedores”, mas com certeza estão enganados!!!
[]’s
Alan
Toda semelhança não é uma coincidência…
Muito bom texto, já vi essa novela em várias empresas, você conseguiu descrever muito bem o ciclo.
Parabéns pelo post.
Cara, será que já trabalhamos juntos? (rs)
Nada, infelizmente estas coisas se repetem com maior frequencia que as boas práticas.
Seguindo para outra empresa em que “fazer” seja mais importante do que “dizer”.
boa sorte
Tava bem inspirado quando escreveu esse hein Phillip? Épico. Parabéns.
E a história se repete mas a força dessa história é mal contada tada tada tada tada ie ie uou uou
Você já tinha matado a charada no 4o. parágrafo.
Se ao invés de serem chamados FALAR sobre a boa nova esses developers fossem instruidos para MOSTRAR - liderança pelo exemplo - como ENTREGAR qualidade dentro do prazo seria muito mais produtivo, motivador e menos propenso ao risco do estrelismo.
No entanto, tal postura custaria muito tempo para trazer o prestígio *necessário* ao time do “fala-e-nao-faz”
Muito bom texto!
Parabéns!
Será que os hax0r-evangelista-superstar-ninja-estrelinha-blogueiro-palestrante-modelo-atriz-manequim vão ler o texto e se identificarem como fazedores e não faladores? Acho que é o mais provável.
Parabéns pelo texto! Descreveu muito bem seu ponto de vista sobre a realidade que vivemos dentro das empesas de desenvolvimento de software.
Os “ninjas” que apenas falam e somem quando lançam sua bomba de fumaça, costumam aparecer também em congressos e encontros. Muitos deles viram palestrantes. É um certo tipo de refúgio para esse “ninjas”.
O fazedores realmente entregam resultados. O que me preocupa é que nem sempre esses fazedores possuem uma visão de negócio e apenas alguns sabem o que significam os termos “auto-gerenciamento”, “pró-atividade” e “liderança”.
Devemos buscar o equilíbrio, mesmo sabendo que a causa raiz da maioria dos problemas são as PESSOAS e seus EGOS.
Vinícius, provavelmente os hax0r-evangelista-superstar-ninja-estrelinha-blogueiro-palestrante-modelo-atriz-manequim nem vão comentar esse post.
E Phillip, muito legal o texto, aborda realidade que acontece por ai, mas eu acho que isso é em qualquer área também, não é só na informática.
Engraçado como a história se repete em todo lugar..
Excelente post Phillip, muito bem escrito. Infelizmente é uma realidade muito comum.
Phillip,
É fato que o seu post retrata uma dura realidade, mas ainda assim a sua mensagem não ficou muito clara pra mim.
Do ponto de vista da corporação, é natural que percebam os bons resultados apresentados por um setor mais produtivo (seja este obtido por metologia, liderança, ferramenta ou qualquer outra forma -ética-), e queiram reproduzi-lo em outros setores.
Natural, não? Da mesma forma que vemos novas técnicas/ferramentas/metodologias apresentando bons resultados em outras empresas (ou contextos) como BDD, Lean e etc, e passamos a querer implementá-los em nosso setor.
Até aqui tudo bem pra mim.
Então a partir do momento que a empresa passa a consultar aquele grupo (até então produtivo) sobre como disseminar esse conhecimento, há uma divisão, ainda assim natural: Uns assumem que gostam mesmo é de programar (como o próprio Guilherme Chapiewski escreveu um post sobre isso a tempos atrás), e outros veem no desafio uma oportunidade.
Até aqui tudo bem. E também é natural que, como seres humanos, uns sucedam e outros fracassem no novo desafio.
Uns percebem que estavam enganados, que programar é melhor do que liderar. Outros sentem-se mais atraídos pelo novo desafio e passam a deixar a programação meio de lado.
Da mesma forma que é difícil contratar bons desenvolvedores, é difícil contratar bons líderes.
Isso faz com que muitas empresas busquem parte dessas competências internamente. Ainda assim natural, afinal é mais fácil confiar ou desconfiar de quem a gente já conhece.
No final chegamos a conclusão que todos somos seres humanos e eue embora determinado profissional seja excelente em determinada função, isso não quer dizer que também o seja em outras funções.
Mas ainda assim algo de muito importante foi deixado pra trás.
Por que cargas d’água deixaram a peteca cair?
Na minha opinião faltou mais “postura” dos evangelizadores, ou se assumir que não seriam as pessoas certas para a nova tarefa, ou de deixar claro os requisitos necessários para que a nova cultura seja implantada: como por exemplo, manter setores “fazedores” ativos.
[]s
Ronan
Realidade!
Excelente artigo. Me senti vendo um retrato familiar pela frente. Isso é algo que pessoalmente luto diariamente: não me tornar um falador ao inves de fazedor. É complicado pois a fama, fortuna e poder são os maiores corruptores de valores.
É um trabalho diário.
Outro aspecto que penso que parte da responsabilidade é da empresa que não entende que deve deixar as coisa ali e evitarem a armadilha do desenvolvedor gerente.
Excelente post, já vi isso acontecendo de perto.
Kramba,
li esse texto e me vi nele o tempo todo.
Parabéns mesmo.
Otimo reflexão.
A parte da bomba é bem verdade, ela sempre vem com a desculpa de que o ninja vai trabalhar fora.
Phillip,
Eu sinceramente não acho que nada é fruto de um grupo ninja ou fazedor, acontecem coisas em paralelo com pessoas diferentes em tempos diferentes que acabam por culminar em uma mudança. Não existe o momento mágico onde a maça cai na sua cabeça e vc entende (out of no where) que existe a gravidade.
O Exemplo de Scrum na Globo.com é um excelente exemplo. Não há um nome responsável por isso, foram uma série de acontecimentos que resultou que as coisas fossem em frente e se espalhassem.
No entanto, sustentar e manter o mesmo rendimento de um time de alta performance é muito difícil a longo prazo. Acho que o grande desafio é como se manter performando ao longo do tempo.
As pessoas mudam de interesse, tem objetivos diferentes e ao longo da vida decidem mudar de rumo, de empresa, de país. Isso é a vida.
As empresas precisam se adaptar a isso, pois as pessoas vão sair, vão mudar de emprego, vão ficar “bodiadas”. Como fazer para manter a cultura?
Acho que a única forma, sinceramente, é encontrar constantemente pessoas que adoram o que fazem, que não fazem as coisas porque são mandadas mas porque querem aprender e melhorar, querem ter novos desafios e são “taradas”, leem e estudam e não ficam dependendo da empresa para melhorarem. Essas pessoas serão as mesmas que vao se “bodiar e vao querer novos desafios e vao mudar de emprego, de pais e de rumo em suas vidas. Porque estas pessoas decidem seus caminhos.
Enfim, fica aqui meus 2 cents.
Abs,
Antonio
[...] Fazer e Falar – Phillip Calçado (Fragmental); [...]
Phillip, alguma ideia em mente para sair desse Infinite Loop?
StackOverflowError…
Impressionante !
Vim a este blog indicado por um amigo (Ricardo Cunha) e me deparei com esse post…. (desculpe-me, mas, na falta de um adjetivo melhor fico com o velho: SENSACIONAL).
Parabens pelo post e, volto com certeza.
Abs
Alt
Interessante ponto de vista. Nunca tinha pensado nisso, mas faz todo sentido do mundo! Hoje em dia todo mundo quer ser evangelista Agile, assim como a uns 5 anos atrás todo mundo queria ser evangelista CMMi, e como a 10 anos atrás tinha as estrelinhas RUP (cascateiros natos, por sinal).
Falar é um talento muito importante no mundo empresarial, e infelizmente, os faladores são muito valorizados, pelo que falam e não pelo que fazem. Não há problema nenhum em falar, desde que se faça.
Abraços!
Phil, você não acha que estes que apenas falam acabam sendo descobertos depois de algum tempo? Quer dizer, ninguém vai conseguir manter somente a “visão política” por tanto tempo.
Talvez consigam se acharem um time que aceite apenas o “falador”, mas minhas visão é que isto tem mudado nas empresas.
Bom, não acho que é o caso de ficar andando com uma camiseta como esta:
http://www.cafepress.com/+shut_up_and_code_tshirt,34740424
Quando entregamos resultado, seja no assunto que for, fazendo parte do processo de mudança ou de implementação, conseguimos não só mostrar, como dar exemplo e criar novos “seguidores”. É a liderança por exemplo REAL, como foi citada em um comentário.
Quando isto não ocorre, quando você não consegue ser consistente e não consegue mostrar resultado, isto vai refletir cada vez mais no seu networking, nas pessoas e empresas que você se relaciona.
Conheço pessoas que não atualmente tem dificuldade de se recolocar em virtude de problemas em empregos anteriores. O networking mudou de lugar também e a reputação da pessoa já é conhecida. Conheço pessoas que tiveram que se mudar de cidade pelo mesmo motivo. E claro, conheço pessoas que foram “promovidas ao mercado” (a.k.a. demitidas) pois “foram descobertas”.
Qual a sua impressão disto nos últimos anos? Eu acho que está mudando para algo positivo. Vai ser cada vez mais difícil para os faladores ficarem apenas falando.
Quando li essa parte: “antes de tentar convencer alguém é melhor ter meus argumentos, provas e protótipos prontos.” identifiquei-me na hora. Eu sou exatamente desse jeito, mas não é por timidez. Eu não sei o motivo, mas também vejo isso como qualidade.
Tenho que trabalhar para mim…não sei se tenho estômago para empresas por muitos anos.
Engraçado, parece que você descreveu algum case de sucesso (?) aqui no “brario”.
Acredito que, como o @acarlos falou, não podemos esquecer que trabalhamos com seres humanos que tem sentimentos e desejos também ( e misturar tais fatores, pessoal x profissional, não é falta de profissionalismo).
Os fatores que sustentam uma equipe performática está além mesa de trabalho. Acredito que decisões acertadas pela alta hierarquia (e isto sempre existe, não adianta. Leia-se quem financia a empresa/projeto) no sentido de fomentar a equipe de acordo com as ansias da mesma, entre outras formas extrínsicas de motivação, são decisivas.
Pessoas não vestem a camisa de nenhuma empresa nem de alguém, elas vestem a sua camisa de profissional auto-gerido por micro regras que ele mesmo se impõe, estas que surgem ao longo de sua carreira e que o faz feliz.
O resultado é o foco no interesse final da empresa, software limpo e de qualidade sendo entregue e equipes motivadas/felizes com o resultado, pois eles acreditam que fizeram um bom trabalho e se orgulham disso.
Como diria um camarada de trabalho, tem muita gente que vive só de gogó.
O importante não é só ler 10 livros, palestrar ou publicar em blogs e ponto, haja visto que macacos bem treinados também sabem transcrever o que foi lido num post ou em slides. Bom profissional é aquele eterno inconformado, que vive fora da zona de conforto buscando formas diferentes de fazer a mesma coisa, estes que normalmente pensam fora da caixa e disseminam/debatem idéias, ou seja, que se comunicam com qualidade.
Parabéns
Fagner Moura
Sensacional cara, reflete perfeitamente a realidade da empresa na qual trabalho como terceiro.
Parabéns pelo blog!!!
É quase um conto do Luis Fernando Verissimo. E isso não é pouca coisa.