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Inovação: Construa e Eles Virão

Tuesday, June 1st, 2010

Inovar é preciso, e você sabe disto. Todos aqueles livros sobre a Cabeça do Pai Rico que Mexeu no Queijo do Segredo da Arte da Guerra foram bem claros: inove ou morra.

Mas como se faz isso em um ambiente corporativo? Sinceramente, não é muito difícil. A coisa mais importante é ter as pessoas ideais. Existem pessoas que trabalham de nove às cinco, e não existe problema nenhum em fazê-lo. Eu, entretanto, prefiro trabalhar com gente apaixonada pelo que faz. Gente apaixonada têm o privilégio de ter como hobby sua própria profissão. Dado este tipo de gente, basta você criar a oportunidade.

A minha experiência neste tipo de cenário começou com o que aprendi com o Antônio Carlos Silveira, que é meu grande mentor em anti-corporativismo. Quando trabalhávamos na Globo.com, a vida era uma eterna disputa entre dançar a dança tentando não cair no corporativismo das requisições de mudança, Jiras e PMAs. Das lições mais importantes que aprendi com o Toninho, uma das que mais ficou pode ser resumida em: você pode ter vestir uniforme de marinheiro mas ainda é um pirata.

E nós tentamos várias coisas, e falhamos miseravelmente em quase todas. Como exemplo, nosso time iniciou um projeto piloto para copiar os (míticos) 20% livre do Google. Sexta-feira a tarde os desenvolvedores eram livres para fazer o que quiser, seus projetos pessoais. Essa foi uma iniciativa capitaneada pelo Danilo Bardusco que, antes de ser promovido à gerente do lojinha fazia parte da finada equipe de Webmedia da Globo.com, certamente o melhor time com que já trabalhei na vida e cuja maioria dos membros são grandes amigos até hoje.

Todas as idéias que surgiram nestes projetos falharam de uma maneira ou de outra. A maioria não foi para frente por motivos técnicos/motivacionais (i.e. fogo-de-palha) e alguns chegaram a ter implementações completas mas não foram pro ar porque o pessoal de negócios não achou a idéia atraente.

Fracasso? Perda de tempo? Muito pelo contrario. O clima na equipe mudou de uma maneira tão brusca que parecia outra empresa. Quando entrei na Globo.com, em 2006, a Webmedia era, basicamente um departamento de uma grande empresa. Entravam requisitos e saia código. Após esta e muitas outras iniciativas como a adoção oficial de métodos ágeis –é bom notar que nós, na Webmedia, nunca fizemos Scrum de fato. E eu me orgulho muito disso.— o clima mudou completamente. A equipe passou a ter um clima muito diferente, bem mais próxima de uma startup do que de uma empresa de três letras. A coisa foi tão bem sucedida que o que você vê de Globo.com é uma tentativa de espalhar esta cultura.

Nos últimos dias eu tenho experimentado uma proposta parecida. Aqui na ThoughtWorks nós temos o eterno problema de tentar conciliar crescimento com qualidade e inovação. Como fazer para estimular pessoas que já trabalham em projetos para clientes para que não percam a motivação?

Algumas mentes tiveram uma ótima idéia: um concurso. Todos os ThoughtWorkers da Austrália são convidados a formar grupos e desenvolver uma aplicação para o iPad. O grupo vencedor leva dois iPads.

Parece algo bobo, mas será? Um iPad em Sydney custa por volta de AUD$1.000.00. Com descontos corporativos e uma série de benefícios fiscais que o governo fornece você consegue comprar o modelo mais caro por uns AUD$700.00. A maioria dos meus colegas ou já comprou um iPad ou está esperando a segunda geração, ninguém está contando com o prêmio em si. Por que as pessoas entrariam na competição?

Porque é divertido. Lembra de como eu falei que as pessoas que eu gosto de trabalhar misturam trabalho e diversão? Pois é. A foto abaixo mostra o Fábio Lessa e o Ben Barnard num domingo em pleno escritório:

O que é necessário para que este tipo de comportamento aconteça? Do mais importante nós já falamos: pessoas interessadas. A segunda coisa é suporte material. No caso do Fábio e do Ben, a empresa oferece algumas coisas que motivam alguém a ir para o escritório no Domingo aprender uma nova tecnologia:

  1. Um computador decente para cada empregado, neste caso um MacBook Pro trocado há cada dois anos
  2. Chave do escritório para todos os consultores, com acesso ilimitado e sem que seja feitas perguntas sobre “o que diabos você estava fazendo aqui?”
  3. Geladeira cheia de guloseimas, refrigerante, suco, cerveja e demais coisas que fazem mal
  4. Uso de cartão corporativo para pagar coisas como contas no Github, livros e downloads de screencasts
  5. Acesso corporativo às ferramentas necessárias (neste caso uma conta corporativa no iPhone Developer Program)

Mas por que a empresa oferece isso? Porque é boazinha e quer que todo mundo seja feliz? Não exatamente. A ThoughtWorks é uma consultoria, nós fazemos questão de nos diferenciarmos de outras empresas do ramo pela nossa qualidade. O concurso do qual estou falando vai ser decidido por uma banca de juízes. Nesta banca estão as pessoas de vendas da empresa.

A idéia não é apenas que um bando de desenvolvedores se junte e gaste alguns domingos bebendo cerveja de graça e esmurrando o teclado; a idéia é que criemos algo útil. Os times são estimulados a tentar focar em um dos nossos atuais clientes, pensar em um produto que possa ser interessante para os problemas que estes possuem.

A realidade Australiana é, certamente, bem diferente da Brasileira mas isso não quer dizer que algo do tipo não seja viável. Substitua iPads por HTML5 e você tem um programa muito parecido e com custo bem baixo, por exemplo.

E, como no caso da Globo.com, ainda que nada saia destes projetinhos seu papel já foi cumprido. Nós queremos que nossos consultores se interessem cada vez mais por tecnologia. Nós queremos que nossos clientes entendam que somos especialistas em tecnologia.

Nós queremos inovar. Sempre.

ThoughtWorks Brasil: Pronto para Mudar?

Thursday, January 14th, 2010

Estava eu nas minhas férias na bucólica Hamilton island quando recebi um pedido vindo direto da ThoughtWorks Brasil: um cliente precisava de mim por quinze dias. Assim que retornei da ilha passei em casa, desarrumei as malas, as arrumei novamente com menos roupas de banho e embarquei para minha terceira cidade favorita no Brasil, Salvador -primeira e segunda são Niterói e Rio, claro. É de cá que vos escrevo.

Quando começamos a pensar em montar um escritório da ThoughtWorks no Brasil nós sabíamos que este tipo de coisa ia acontecer. Não só é muito difícil achar bons candidatos para entrar no nosso time local – e se você tem que recrutar pessoas sabe que isto é um problema bem comum – mas também, mesmo se preenchermos todas as nossas vagas em um só dia estes novos ThoughtWorkers ainda precisam de algum tempo de casa para trabalhar em posições mais delicadas, como fazendo coaching, que é o caso.

Mas… e você com isso? Pois é aí que você entra!

Ainda estamos recrutando. A Suzi Edwards – que foi quem fez meu processo de seleção e contratação quando morava na Austrália – vem organizando diversos eventos de recrutamento por todo o pais. Por que tantos eventos? Porque não é fácil achar bons candidatos, vocês se escondem muito bem. Além disso, a última coisa que nós queremos é perder a chance de contratar um bom candidato só porque ela ou ele não pode ir à Porto Alegre fazer suas entrevistas.

O próximo grande evento será em São Paulo dia 23 de Janeiro. Você precisa se informar que vai (RSVP) na página do evento no Facebook para participar – a Suzi precisa ter uma idéia de quanta gente esperar.

A parte mais importante, entretanto, é que o recrutamento é focado em pessoas de São Paulo (assim como outros lugares do pais terão sua vez) mas a vaga é para Porto Alegre. Colando do Facebook:

ThoughtWorks is hiring in Porto Alegre. We recognise that not everyone’s lucky enough to live there yet, so we’re giving people in Sao Paulo the opportunity to find out more about us and to take our assessments :-)

Please note that we do not currently have plans to open an office in Sao Paulo. Please only come to this event if you are serious about relocating to Porto Alegre in the next couple of months. I will beat you with twigs if you come along and don’t want to relocate.

ThoughtWorks’ hiring process includes some assessment tests. Many ThoughtWorkers consider them fun, although they are challenging. We’re running some sessions for you to take them and to give you a chance to find out more about ThoughtWorks.

We are currently hiring Java developers and testers with automation experience. To be considered for a developer role, you’ll need to convince us that you’re already a pretty good Java/Ruby/C# developer who’s passionate about software development, team work and Agile development. Testers can come from a variety of backgrounds, but you’re going to be open-minded about a whole new way of testing.

While we usually start our hiring process with a telephone interview, we’re mixing it up a bit and giving people the opportunity to take our assessments first. The next stage, for developers, is to write some code and testers will do a telephone interview.

If you haven’t already, please send your CV to workthoughtworks.com and questions to suzithoughtworks.com, or post on here. You only need to attend one event,and numbers are limited to 25 people per session. Iit would be great if we know in advance that you are coming. So, if you plan to attend, either accept on here or email me.

To pre-empt some questions:
I am not available at those times. Can I still meet you?
We’re running three sessions and these will keep us busy, so we’re unable to accommodate requests for meetings outside of these times.
I’m away this weekend. When will you be back?
Not sure, but don’t stress. We’ll be back soon.
If I do not live in Sao Paulo, should I fly to this event?
Nope. We’re getting organised on coming to other cities. We don’t suggest people spend money on flying to cities for assessments.
When are you coming to Rio?
Very soon :-)
I am looking to be a Project Manager. Can I come along?
Not recommended. We are not hiring Project Managers at the moment.
Can I tell my friends and pass this along?
Of course!

Our assessments take about three hours and we will be running three sessions this weekend.

Mudar de cidade pode ser algo muito brusco, mesmo que seja para uma cidade próxima. O que é preciso entender, no entanto, é que o único modo de não cair no mesmo lugar é mudar o caminho tomado. E muitas vezes na vida precisamos fazer esta mudança bruscamente.

Te vejo no Away Day.

Projeto Brazil 2009 - Preenchendo Lacunas

Wednesday, July 22nd, 2009

Bom, com a passagem na mão e devidamente autorizado pelas autoridades competentes eu posso publicar aqui que este ano, mais uma vez, eu vou passar alguns dias no Brasil em uma clássica e manjada parceria com a Caelum.

O plano original é emendar tudo com o lançamento do livro -que eu, relapso que só, ainda não mencionei neste blog- mas este plano pode mudar. De qualquer maneira o esquema básico é o mesmo do ano passado: uma conferência e alguns workshops. Ainda não posso falar sobre nenhum deles porque nada foi decidido mas assim que eu tiver definições eu posto aqui.

Mas meu objetivo com este post é me colocar à disposição. A viagem deste ano é totalmente a trabalho -tirando alguns dias para a família e os amigos, claro- e eu pretendo visitar o maior número de grupos de usuários, empresas e comunidades de desenvolvimento de software que eu conseguir. Faz dois anos que estou na Austrália e apesar de meu contato diário com a comunidade brasileira uma coisa é falar de longe e outra é ver de perto.

Eu tenho algumas visitas já marcadas e, infelizmente, não muito tempo disponível então vou ter que priorizar as coisas. A minha idéia original é chegar no grupo de usuários/empresa/etc., fazer uma apresentação de uns 30 minutos e depois passar algum tempo pareando com as pessoas e atualizando minhas percepções sobre o mercado brasileiro em geral. Eu chego dia 31/10 e volto dia 15/11, estarei, a princípio, no Rio durante toda a viagem mas topo viagems próximas.

Topa? Me manda um email. Não sabe meu email? Se vira.

Refletindo sobre Tendências

Friday, July 10th, 2009

Recentemente muita gente tem me procurado nos instant messengers da vida para perguntar sobre tendências. Existe uma idéia no Brasil de que quem está de for a “traz as novidades”. Isso podia ser verdade antes da Internet mas agora as coisas se espalham com tanta velocidade que em muitos aspectos o Brasil está muito na frente da Austrália.

Mas existe o outro lado que é o trabalho na ThoughtWorks. Os projetos que nós enfrentamos geralmente começam da mesma maneira que os que qualquer consultoria, de três letrinhas ou três pessoas, enfrenta. O diferencial que faz ser um lugar interessante para se trabalhar é o que acontece durante o projeto.

O que segue neste post é uma amarrado de impressões pessoais sobre os últimos doze meses, tanto sobre a Austrália quanto o que sei de outros escritórios. Se ele não for coeso ou fácil de ler eu peço desculpas mas encare como um braindump.

Os projetos para bancos e empresas do mercado financeiro em geral continuam bem parecidos. Em 2007 houve uma euforia em torno da bolha econômica e muitos projetos megalomaníacos –e, por conseqüência, extremamente interessantes do ponto de vista técnico- apareceram mas a crise os tirou do baralho nos tempos recentes. Os bancos estão gastando menos e buscando fazer mais dinheiro reutilizando a estrutura existente. A maioria dos projetos que eu tenho conhecimento dentro de bancos é para estender uma determinada oferta para novos clientes ou é para migrar de uma plataforma legada para algo menos dispendioso.

O interessante sobre o “legado dispendioso”, dentro e fora de bancos, é que muitas vezes ele se trata de coisinhas como WebSphere, Aqualogic, Biztalk, Tibco e produtos parecidos. Apos gastar rios de dinheiro implantando estes e não ver nenhum centavo de retorno real muitos dos grandes estão migrando para plataformas mais eficientes, quase sempre baseadas em software livre. Hoje em dia são comuns projetos de migração de Websphere para Jetty ou de BizTalk para serviços RESTful usando IIS, JSON e ASP.Net MVC, por exemplo.

Na parte de aplicações para Internet, onde geralmente eu me envolvo mais, as coisas também têm mudado bastante. Basicamente os projetos têm se dividido em startups e legado. As startups aparecem com um problema e algum montante de dinheiro. A plataforma mais utilizada para atender estes cenários é Ruby on Rails, geralmente fazendo deployment em algum serviço de Cloud Computing.

Cloud Computing é um tópico extremamente relevante tanto para ThoughtWorks quanto nos nossos clientes. Uma das coisas interessantes que fizemos no início do ano foi trabalhar junto com o Google no lançamento da AppEngine em Java (e outras linguagens).

As empresas com legado de Internet são sempre interessantes. Geralmente elas são algum grande prestador de serviço na área de mídia e possuem um ou mais websites antigos que têm aquela arquitetura manjada de rodar em um Weblogic ou Tomcat com um Apache de front-end. O problema é que hoje em dia o numero de usuários é muito superior e a velocidade com que funcionalidades têm que ser adicionadas e alteradas é muito maior. Após entender que os Googles e Facebooks da vida não usam Java EE e não pagam licença para a IBM as empresas estão desesperadas para atingir o mesmo nível de eficiência.

O que temos feito nesta área é utilizar a já citada Cloud Computing para realizar tarefas que não precisam ser executadas dentro do firewall (de crawling até rodar teste de carga), refatorar aplicações grandes para atingir escalabilidade horizontal e simplificar processos de deployment e gerenciamento de recursos.

Na área mais de programação em si as coisas não têm sido lá muito excitantes. As plataformas em específico não têm nenhuma novidade marcante mas a programação poliglota é uma realidade. Até hoje todos os projetos que tive alguma participação dentro da ThoughtWorks utilizavam mais de uma linguagem de programação (já descontando Bash e JavaScript).

Uma surpresa agradável foi a que tive no meu projeto atual, em que voltei a programar em .Net após 3 anos afastado. A maioria das coisas que eu realmente não gostava sobre C# e seu ecossistema foram removidos (exceto Windows e Visual Studio, duas peças que eu considero de qualidade inferior). A Microsoft continua enfiando frameworks e ferramentas terríveis pela guela dos seus clientes (MSBuild? TFS? WCF? WTF?!?) mas no geral as coisas estão bem melhores.

Em termos de livros sobre programação eu tenho me focado quase que exclusivamente nos conceitos presentes em linguagens e paradigmas de programação. Esta é a lista de livros relacionados que eu li desde que cheguei aqui:



Esta é a fila dos que faltam:


(fora os que ainda estão no meu carrinho de compras na Amazon. Livro na Austrália é ridiculamente caro)

Na parte de gerenciamento de projetos e metodologias as coisas estão engraçadas. Tem horas que a euforia anima, tem hora que dá náusea. Eu acho que o Bellware resumiu muito bem:

early agile adopters were looking for a way to do things better. later adopters are just trying to do agile, thus the failures

Eu vim para a ThoughtWorks para ver como é que quem introduz métodos ágeis há anos trabalha. Nos últimos meses eu trabalhei com pessoas que fazem isto há mais de dez anos e em empresas que adotaram agile antes de eu saber que ele existia. O que eu aprendi neste período inicial é exatamente o descrito acima: quando seu objetivo é ser ágil você falha, quando seu objetivo é sempre melhorar você tem chances de sucesso.

Todos os projetos que participei foram bem sucedidos? Depende de para quem você pergunta. Mesmo os clientes mais difíceis que tive acabaram ficando satisfeitos no final mas muitos projetos que participei (e o número de projetos é bem maior que o número de clientes) foram executados de uma maneira que o time não ficou satisfeito. Eu acho que neste caso é perspectiva. Como a maioria dos projetos são um fracasso colossal basta ter algum nível de sucesso que o projeto vira referência. O time, em compensação, tem um critério de sucesso muito mais alto e não considera o projeto como bem-sucedido.

É claro que no fim das contas o que vale mais é a opinião do cliente –tanto porque o problema dele foi solucionado bem como porque é ele quem paga a conta no final- mas eu já vi diversos problemas decorrentes deste tipo de coisa. De builds que começaram em 10 minutos e terminaram em duas horas de duração até um time que perde 50% do seu tempo corrigindo defeitos por falta de uma suíte de testes decente. Os problemas podem não ser grandes para aquele projeto em específico mas não prestar atenção há eles é mortal em médio prazo.

Minha conclusão é que a indústria está num estado melhor do que há alguns anos atrás. Tecnicamente estamos entrando em uma espécie de renascimento e isso promete render muito material para posts aqui. Em termos de gerencia de projetos e processos as pessoas estão finalmente se convencendo que tudo tem limite, até ineficiência.

ThoughtWorks Brasil – Perguntas Frequentes

Monday, June 8th, 2009

O Martin foi o primeiro a falar abertamente sobre o assunto. Desde a mensagem dele eu recebi quase duas dezenas de e-mails com dúvidas e ao invés de responder um a um com o mesmo conteúdo resolvi colocar aqui.

Note que este blog não representa em hipótese alguma a ThoughtWorks, estou apenas compartilhando informação que já é publicável mas talvez nunca tenha sido disponibilizada, ao menos em Português.

Cuma?

A ThoughtWorks é uma empresa global com escritórios em diversos continentes. É uma das pioneiras em metodologias ágeis e berço de diversas técnicas e tecnologias que você certamente já ouviu falar.

Há muito tempo se cogita abrir um escritório no Brasil. O Roy já esteve no país e todas as vezes que o encontrei ele fala sobre o assunto. Nos últimos meses vêm ficando óbvia a necessidade de abrir um escritório na America do Sul, tanto para suprir a demanda de off-shore quanto para explorar o mercado local, e o Brasil é o favorito para sediar este escritório.

Neste momento estamos estudando a possibilidade como um todo. Nos próximos meses diversos ThoughtWorkers, entre brasileiros e gringos, estarão no país para trocar idéias com pessoas do mercado local e conhecer as possibilidades.

Então você vai voltar para o Brasil?

Não está nos meus planos uma volta definitiva mas eu estou ajudando a iniciativa. Como falei antes aqui, este mês eu não pude ir mas estou ajudando aos que vão à marcar conversas com empresas e pessoas interessantes.

Até Agosto eu acho muito difícil conseguir deixar a Austrália devido ao meu projeto atual.

Você foi para a ThoughtWorks com este objetivo?

Não. Como falei acima eu sabia do interesse mas nem fui contratado com esta finalidade nem tinha isto como objetivo próprio.

Como vai ser o escritório local?

Não sabemos ainda, vai depender de nossos estudos de viabilidade.

Como eu me candidato?

No mesmo lugar de sempre. O Brasil não vai estar listado ainda mas o endereço é um só.

Sydneysider

Sunday, November 23rd, 2008

Após um ano em Melbourne nos mudamos para Sydney sábado passado. Por enquanto estamos morando bem no meio da cidade e procurando algum lugar para alugar nos subúrbios. Nós moramos no centro de Melbourne por tempo suficiente para saber que, se você não é estudante internacional ou se não vai para a balada todos os dias da sua vida, isso é uma péssima idéia.

Estou com internet precária, usando um modem vagabundo da Vodafone compratilhado com a Bernarda (que é uma heavy user de Internet), então pela terceira ou quarta vez seguida meu backlog de coisas a ler e escrever está chegando ao teto.

A Completa Irrelevância do Certified Scrum Master

Tuesday, May 27th, 2008

Semana passada o Richard Durnall me chamou para assistir a uma aula que ele deu na University of Melbourne. O Rich é o guru local de Lean e é uma figura.

A aula foi interessante. O curso é o mestrado em alguma das 343.435 ramificações de Tecnologia da Informação, basicamente uma escolinha para CIO-wannabe. Para se ter uma idéia todas as perguntas da sessão foram sobre implantação de ERPs, você via claramente que nenhum dos estudantes tinha a mínima vivencia na indústria e acreditavam piamente nas suas Info Corporate da vida.

A matéria era sobre comparação de metodologias e o Rich não foi o único. Antes dele apresentou um senhor, que é professor da instituição e arquiteto do maior banco da Austrália, onde inclusive tenho conta (brr…). A palestra do senhor arquiteto foi sobre como ele participou da salvação de um projeto de data mining usando o bom e velho waterfall. O único ponto diferente de uma lição clássica sobre como não fazer software foi sobre o uso de técnicas de Six Sigma para avaliação e priorização dos requisitos.

Quando chegou a vez do Rich apresentar Agile/Lean foi um contraste enorme. Na sessão de perguntas:

- Você falou sobre estes métodos ágeis e sobre como eles…er.. não ligam para requisitos. O [cara defendendo waterfall] apresentou um caso real de um grande banco. Você realmente acha que as técnicas de algo como agile podem competir com Six Sigma? [nota: uh?]
- Então, na minha apresentação eu fui bem ralo e essa é uma palestra introdutória, então foi bom você perguntar isso. Eu trabalhei na [top 5 montadora de automóveis], na [maior empresa aérea do mundo] e em alguns bancos. Nas duas primeiras empresas eu fiz parte da implantação de Six Sigma, inclusive eu sou Black Belt. O que eu vi deste processo foi [...] e por isso que agile/lean é uma boa escolha.

Agora pense que em vez de “Six Sigma Black Belt” ele tivesse dito algo como “inclusive eu sou Agile Software Specialist e os problemas de Six Sigma são [...]“. Teria o mesmo efeito?

Outro caso recente e interessante foi no Australian Architecture Fórum em Sydney. O Halvard estava apresentando uma palestra extremamente interessante sobre governança de projetos SOA onde a única ferramenta é um wiki. Em algum momento alguém levanta:

- Ok, ok, isso aí é muito Web 2.0, muito legal mas não é aplicável no meu cenário.
- E qual seu cenário?
- Eu trabalho em um banco, faço parte do grupo de controle de serviços de segurança. Isso de REST, wiki é muito legal mas vocês não entrariam num banco de modo algum!
- Uhm.. interessante você falar disso porque segurança em serviços é uma das minhas áreas de estudo… eu concluí meu Ph. D. em SOA na Universidade de Sydney e meu foco é exatamente segurança. Na verdade, na ThoughtWorks a maioria dos clientes são bancos e, inclusive, tivemos hoje de manhã o arquiteto principal do banco [top 5 banco australiano] falando exatamente sobre como usaram este tipo de técnica para governança num projeto que participei.

Imagine que ele tivesse falado “Eu sou um Wiki Certified Contributor e um RESTafarian Official Gold Partner”. Teria o mesmo efeito?

Por que das historinhas? Para argumentar numa discussão que eu tive com o grande Juan Bernabó sobre a total e completa ausência d sentido em algo como Certified Scrum Master. O Juan argumentou que certificações são valorizadas -e requeridas- pelas empresas. Meus pontos são:

  • Eu não conheço nenhuma pessoa que acredite que um curso de dois dias, sem sequer uma avaliação final –pagou, passou na pratica- deva ser valorizada. Se nós sabemos que a certificação não tem valor por que a venderíamos de outra forma? Agile não é sobre trazer valor e melhorar praticas?
  • O mercado também quer porque quer e acha que precisa de cronogramas detalhados, requisitos esmiuçados e projetos que terminam em uma grande fase de testes. Nós sabemos que isso não traz valor não fazemos apologia a este tipo de coisa, por que com certificação seria diferente? Por que ao invés de combater a ineficiência e a busca por respostas fáceis nós criamos e glorificamos nossos próprios selos?
  • Uma certificação emitida por si mesmo não vale nada. A menos que alguém já acredite que Scrum traz algum valor essa certificação é como acreditar que o Inri Cristo é Jesus porque ele afirma o ser.

Em resumo, eu acho o curso que é dado com o CSM ótimo. Ele abre mentes e é uma fantástica introdução. E só. O certificado emitido por este curso não tem qualquer valor real e propagandear o contrario, ajudando empresas a continuar glorificando certificações sem sentido, vai contra a primeira linha do Manifesto Ágil:

We are uncovering better ways of developing
software by doing it and helping others do it.

O debate completo está aqui.

Mais sobre o Australian Architecture Fórum – Melbourne

Saturday, May 17th, 2008

Com mais calma agora, volto a falar do evento. O fórum foi patrocinado pela IASA, que possui um capítulo bem forte em Melbourne. A idéia é prover mais mesas redondas do que apresentações, minha palestra foi uma das três únicas que não seguiam este formato.

Eu cheguei atrasado e fui direto para uma mesa redonda sobre REST x SOAP. O apresentador/moderador era claramente tendencioso a favorecer REST e, apesar de adorar essa arquitetura, eu acho que isso foi uma falha grave. A parte boa foi que diversas pessoas tentaram defender SOAP usando argumentos bem interessantes. Nenhum deles me convenceu inteiramente mas me fizeram pensar sobre alguns cenários onde usar REST seria reinventar SOAP, ainda que mais coeso.

Minha apresentação foi bem interessante, eu não sei estimar tempo de palestras em inglês ainda e acabei usando apenas 30 minutos dos 50 esperados. Isso acabou sendo bom porque houveram muitas perguntas, especialmente sobre os widgets em JavaScript. No final da apresentação eu tive uma conversa muito interessante com uma pessoa que foi arquiteto de um dos principais canais de TV australianos e é impressionante como os cenários e problemas são os mesmos.

Durante o resto do dia eu fiquei no stand da ThoughtWorks conversando com as pessoas. Foi bem interessante ver o que os arquitetos presentes pensam da ThoughtWorks e fazer contatos profissionais, tanto para possíveis futuros colegas quanto para futuras oportunidades de projetos.

Uma coisa engraçada em eventos ora do Brasil é que apesar de nos consideramos os seres mais sociais do universo conhecido nossos ventos são sobre grupinhos. As pessoas não interagem com desconhecido. Nos eventos aqui e em outros países, no entanto, é tudo sobre networking. Chega a ser meio constrangedor você está saindo do banheiro e alguém fala um “Oi, eu sou X, quem é você?”.

Segunda-feira eu embarco para Sydney para mais um dia de evento. Isto é algo também interessante, como o evento é durante a semana e Melbourne e Sydney são cidades distantes o mesmo evento ocorre nos dois lugares.

Estes últimos dias (meses?) foram bem corridos e eu fico feliz de pelo menos esta tarefa se concluir.

Apresentação no Australian Architecture Forum 2008

Friday, May 16th, 2008

A apresentaçao em Melbourne acabou de terminar. Foi bem interessante e o evento em si está sendo uma experiência diferente. É algo mais como mesas redondas do que apresentações, mais sobre isso depois.

Aproveitando, agradecendo novemente ao Antônio Carlos pela liberação dos nomes e marcas, a apresentação ia ficar bem sem graça sem os screenshots :)

Australian Architecture Forum 2008

Thursday, May 1st, 2008

Falando em coisas agitadas, fui convidado para palestrar no Australian Architecture Forum 2008. O título é “Lightweight SOA Through Web Widgets” e falar de SOA com REST num evento onde vai estar presente o impagável Jim Webber é algo bem diferente.

Como meu Google Analytics diz que ese blog é acessado por pessoas aqui na Austrália fica o convite.