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Projeto Brazil 2009 - Preenchendo Lacunas

Wednesday, July 22nd, 2009

Bom, com a passagem na mão e devidamente autorizado pelas autoridades competentes eu posso publicar aqui que este ano, mais uma vez, eu vou passar alguns dias no Brasil em uma clássica e manjada parceria com a Caelum.

O plano original é emendar tudo com o lançamento do livro -que eu, relapso que só, ainda não mencionei neste blog- mas este plano pode mudar. De qualquer maneira o esquema básico é o mesmo do ano passado: uma conferência e alguns workshops. Ainda não posso falar sobre nenhum deles porque nada foi decidido mas assim que eu tiver definições eu posto aqui.

Mas meu objetivo com este post é me colocar à disposição. A viagem deste ano é totalmente a trabalho -tirando alguns dias para a família e os amigos, claro- e eu pretendo visitar o maior número de grupos de usuários, empresas e comunidades de desenvolvimento de software que eu conseguir. Faz dois anos que estou na Austrália e apesar de meu contato diário com a comunidade brasileira uma coisa é falar de longe e outra é ver de perto.

Eu tenho algumas visitas já marcadas e, infelizmente, não muito tempo disponível então vou ter que priorizar as coisas. A minha idéia original é chegar no grupo de usuários/empresa/etc., fazer uma apresentação de uns 30 minutos e depois passar algum tempo pareando com as pessoas e atualizando minhas percepções sobre o mercado brasileiro em geral. Eu chego dia 31/10 e volto dia 15/11, estarei, a princípio, no Rio durante toda a viagem mas topo viagems próximas.

Topa? Me manda um email. Não sabe meu email? Se vira.

Refletindo sobre Tendências

Friday, July 10th, 2009

Recentemente muita gente tem me procurado nos instant messengers da vida para perguntar sobre tendências. Existe uma idéia no Brasil de que quem está de for a “traz as novidades”. Isso podia ser verdade antes da Internet mas agora as coisas se espalham com tanta velocidade que em muitos aspectos o Brasil está muito na frente da Austrália.

Mas existe o outro lado que é o trabalho na ThoughtWorks. Os projetos que nós enfrentamos geralmente começam da mesma maneira que os que qualquer consultoria, de três letrinhas ou três pessoas, enfrenta. O diferencial que faz ser um lugar interessante para se trabalhar é o que acontece durante o projeto.

O que segue neste post é uma amarrado de impressões pessoais sobre os últimos doze meses, tanto sobre a Austrália quanto o que sei de outros escritórios. Se ele não for coeso ou fácil de ler eu peço desculpas mas encare como um braindump.

Os projetos para bancos e empresas do mercado financeiro em geral continuam bem parecidos. Em 2007 houve uma euforia em torno da bolha econômica e muitos projetos megalomaníacos –e, por conseqüência, extremamente interessantes do ponto de vista técnico- apareceram mas a crise os tirou do baralho nos tempos recentes. Os bancos estão gastando menos e buscando fazer mais dinheiro reutilizando a estrutura existente. A maioria dos projetos que eu tenho conhecimento dentro de bancos é para estender uma determinada oferta para novos clientes ou é para migrar de uma plataforma legada para algo menos dispendioso.

O interessante sobre o “legado dispendioso”, dentro e fora de bancos, é que muitas vezes ele se trata de coisinhas como WebSphere, Aqualogic, Biztalk, Tibco e produtos parecidos. Apos gastar rios de dinheiro implantando estes e não ver nenhum centavo de retorno real muitos dos grandes estão migrando para plataformas mais eficientes, quase sempre baseadas em software livre. Hoje em dia são comuns projetos de migração de Websphere para Jetty ou de BizTalk para serviços RESTful usando IIS, JSON e ASP.Net MVC, por exemplo.

Na parte de aplicações para Internet, onde geralmente eu me envolvo mais, as coisas também têm mudado bastante. Basicamente os projetos têm se dividido em startups e legado. As startups aparecem com um problema e algum montante de dinheiro. A plataforma mais utilizada para atender estes cenários é Ruby on Rails, geralmente fazendo deployment em algum serviço de Cloud Computing.

Cloud Computing é um tópico extremamente relevante tanto para ThoughtWorks quanto nos nossos clientes. Uma das coisas interessantes que fizemos no início do ano foi trabalhar junto com o Google no lançamento da AppEngine em Java (e outras linguagens).

As empresas com legado de Internet são sempre interessantes. Geralmente elas são algum grande prestador de serviço na área de mídia e possuem um ou mais websites antigos que têm aquela arquitetura manjada de rodar em um Weblogic ou Tomcat com um Apache de front-end. O problema é que hoje em dia o numero de usuários é muito superior e a velocidade com que funcionalidades têm que ser adicionadas e alteradas é muito maior. Após entender que os Googles e Facebooks da vida não usam Java EE e não pagam licença para a IBM as empresas estão desesperadas para atingir o mesmo nível de eficiência.

O que temos feito nesta área é utilizar a já citada Cloud Computing para realizar tarefas que não precisam ser executadas dentro do firewall (de crawling até rodar teste de carga), refatorar aplicações grandes para atingir escalabilidade horizontal e simplificar processos de deployment e gerenciamento de recursos.

Na área mais de programação em si as coisas não têm sido lá muito excitantes. As plataformas em específico não têm nenhuma novidade marcante mas a programação poliglota é uma realidade. Até hoje todos os projetos que tive alguma participação dentro da ThoughtWorks utilizavam mais de uma linguagem de programação (já descontando Bash e JavaScript).

Uma surpresa agradável foi a que tive no meu projeto atual, em que voltei a programar em .Net após 3 anos afastado. A maioria das coisas que eu realmente não gostava sobre C# e seu ecossistema foram removidos (exceto Windows e Visual Studio, duas peças que eu considero de qualidade inferior). A Microsoft continua enfiando frameworks e ferramentas terríveis pela guela dos seus clientes (MSBuild? TFS? WCF? WTF?!?) mas no geral as coisas estão bem melhores.

Em termos de livros sobre programação eu tenho me focado quase que exclusivamente nos conceitos presentes em linguagens e paradigmas de programação. Esta é a lista de livros relacionados que eu li desde que cheguei aqui:



Esta é a fila dos que faltam:


(fora os que ainda estão no meu carrinho de compras na Amazon. Livro na Austrália é ridiculamente caro)

Na parte de gerenciamento de projetos e metodologias as coisas estão engraçadas. Tem horas que a euforia anima, tem hora que dá náusea. Eu acho que o Bellware resumiu muito bem:

early agile adopters were looking for a way to do things better. later adopters are just trying to do agile, thus the failures

Eu vim para a ThoughtWorks para ver como é que quem introduz métodos ágeis há anos trabalha. Nos últimos meses eu trabalhei com pessoas que fazem isto há mais de dez anos e em empresas que adotaram agile antes de eu saber que ele existia. O que eu aprendi neste período inicial é exatamente o descrito acima: quando seu objetivo é ser ágil você falha, quando seu objetivo é sempre melhorar você tem chances de sucesso.

Todos os projetos que participei foram bem sucedidos? Depende de para quem você pergunta. Mesmo os clientes mais difíceis que tive acabaram ficando satisfeitos no final mas muitos projetos que participei (e o número de projetos é bem maior que o número de clientes) foram executados de uma maneira que o time não ficou satisfeito. Eu acho que neste caso é perspectiva. Como a maioria dos projetos são um fracasso colossal basta ter algum nível de sucesso que o projeto vira referência. O time, em compensação, tem um critério de sucesso muito mais alto e não considera o projeto como bem-sucedido.

É claro que no fim das contas o que vale mais é a opinião do cliente –tanto porque o problema dele foi solucionado bem como porque é ele quem paga a conta no final- mas eu já vi diversos problemas decorrentes deste tipo de coisa. De builds que começaram em 10 minutos e terminaram em duas horas de duração até um time que perde 50% do seu tempo corrigindo defeitos por falta de uma suíte de testes decente. Os problemas podem não ser grandes para aquele projeto em específico mas não prestar atenção há eles é mortal em médio prazo.

Minha conclusão é que a indústria está num estado melhor do que há alguns anos atrás. Tecnicamente estamos entrando em uma espécie de renascimento e isso promete render muito material para posts aqui. Em termos de gerencia de projetos e processos as pessoas estão finalmente se convencendo que tudo tem limite, até ineficiência.

Mingle Day - Rio e São Paulo

Tuesday, June 23rd, 2009

Como este blog já anunciou este ano será cheio de eventos da ThoughtWorks no Brasil.

Uma coisa a se notar sobre a ThoughtWorks é que somos uma empresa de consultoria mas com uma divisão de produtos. Como a eventual vinda da ThoughtWorks para o Brasil significa a vinda das duas partes é bom que também apresentemos ao mercado brasileiro os softwares que produzimos.

O software mais popular da suite é o Mingle, um sistema de gerenciamento de projetos com muitas características interessantes. Ele foi construído baseado na experiência da empresa prestando consultoria, entende bem que cada processo é diferente e que modelos engessados não funcionam bem. Também possui uma interface rica que aliada com alguns recursos de hardware se torna uma ferramenta extremamente útil quando um Kanban eletrônico é necessário. Por fim é provavelmente o mais famoso caso de uso do JRuby on Rails -o Mingle usa componentes escritos em Java aliados aos recursos do Rails.

Se você quer conhecer mais sobre o produto tem duas oportunidades. Abaixo os convites.

Rio de Janeiro

Hi,

ThoughtWorks is sponsoring Agile Brazil 2009, the first major conference on Agile methodologies to be held in Rio de Janeiro, Brazil. In this extensive, one-day event, various practitioners and speakers will conduct sessions on a range of well-known Agile methodologies and practices such as Lean, Scrum, XP, User Stories, Continuous Integration, Release management and Test Driven Development.

Date and Venue:
June 27, 2009, 8:30am - 6:00pm.
Salao A (Padre Anchieta hall)
PUC-Rio, Gavea, Rio de Janeiro, Brazil.
Registration Information
Registration: R$ 200,00.
Register for Agile Brazil 2009

Mingle User Group Meeting in Rio de Janeiro

We have organized a free follow-on event for agile enthusiasts. We invite you to the Rio Mingle User Group (MUG) Meeting, an exclusive meet for Mingle users in Brazil, to discuss and share their experience with Mingle. Adam Monago, our product expert along with other Agile experts will take you through Mingle and its features and provide you tips and tricks on how to better use Mingle for project management and collaboration. After the talk you can interact with the attendees over food and drinks.

Date: 1- July-2009
Time: 17:30 - 19:00
Venue: PUC-Rio, Rua Marques de Sao Vicente 225 - Predio Padre Leonel Franca - 13 andar - Gavea, Rio de Janeiro, Brazil

To confirm your participation for the Mingle User Group, simply reply to this email: Studios-Brazil@thoughtworks.com?

Regards,
ThoughtWorks Studios
Studios-Brazil@thoughtworks.com

São Paulo

A Aspercom e a ThoughtWorks convidam você para o Encontro Agile / Mingle User Group Meeting. Este será um evento gratuito em São Paulo com mini-palestras, discussões e muito bate-papo.

Data: 30 de junho de 2009 às 19:00hs / Local: Av. Paulista

Facilitadores:
Paulo Caroli, Adam Monago (ThoughtWorks)
Rodrigo Yoshima, José Paulo Papo

Mingle User Group Meeting

O encontro do Mingle User Group (MUG) do Brasil é uma oportunidade para conhecer, discutir e compartilhar experiências com o Mingle. Adam Monago, um especialista no produto juntamente com outros Agilistas experientes, demonstrarão o Mingle provendo dicas e truques em como usar o produto para gerenciamento de projetos e colaboração.

Local, agenda, inscrições e outras informações acesse: http://blog.aspercom.com.br/2009/06/22/evento-agile-mingle/

Rodrigo Yoshima
ASPERCOM

Paulo Caroli
ThoughtWorks

ThoughtWorks Brasil – Perguntas Frequentes

Monday, June 8th, 2009

O Martin foi o primeiro a falar abertamente sobre o assunto. Desde a mensagem dele eu recebi quase duas dezenas de e-mails com dúvidas e ao invés de responder um a um com o mesmo conteúdo resolvi colocar aqui.

Note que este blog não representa em hipótese alguma a ThoughtWorks, estou apenas compartilhando informação que já é publicável mas talvez nunca tenha sido disponibilizada, ao menos em Português.

Cuma?

A ThoughtWorks é uma empresa global com escritórios em diversos continentes. É uma das pioneiras em metodologias ágeis e berço de diversas técnicas e tecnologias que você certamente já ouviu falar.

Há muito tempo se cogita abrir um escritório no Brasil. O Roy já esteve no país e todas as vezes que o encontrei ele fala sobre o assunto. Nos últimos meses vêm ficando óbvia a necessidade de abrir um escritório na America do Sul, tanto para suprir a demanda de off-shore quanto para explorar o mercado local, e o Brasil é o favorito para sediar este escritório.

Neste momento estamos estudando a possibilidade como um todo. Nos próximos meses diversos ThoughtWorkers, entre brasileiros e gringos, estarão no país para trocar idéias com pessoas do mercado local e conhecer as possibilidades.

Então você vai voltar para o Brasil?

Não está nos meus planos uma volta definitiva mas eu estou ajudando a iniciativa. Como falei antes aqui, este mês eu não pude ir mas estou ajudando aos que vão à marcar conversas com empresas e pessoas interessantes.

Até Agosto eu acho muito difícil conseguir deixar a Austrália devido ao meu projeto atual.

Você foi para a ThoughtWorks com este objetivo?

Não. Como falei acima eu sabia do interesse mas nem fui contratado com esta finalidade nem tinha isto como objetivo próprio.

Como vai ser o escritório local?

Não sabemos ainda, vai depender de nossos estudos de viabilidade.

Como eu me candidato?

No mesmo lugar de sempre. O Brasil não vai estar listado ainda mas o endereço é um só.

Agile Brazil 2009

Sunday, May 24th, 2009

Caso você ainda não saiba a ThoughtWorks está patrocinando um evento em Junho, no Rio de Janeiro: Agile Brazil 2009.

Além de palestrantes locais o evento vai contar com três ThoughtWokers: Jason Yip, Paulo Caroli e Adam Monago. O Jason é um dos mestre jedis em lean software development que temos na TW. O Paulo é brasileiro e trabalha oficialmente na TW US mas está em uma temporada na Índia. O Adam é gerente de produtos do Mingle.

Eu tenho conversado bastante com o Jason para explicar mais sobre o cenário de desenvolvimento de software no Brasil -que é bem diferente de qualquer outro país que eu conheça. Conhecendo a peça eu tenho certeza que a palestra vai ser uma excelente oportunidade para quebrarmos alguns mitos sobre lean que estão sendo introduzidos na cultura brasileira -como os de que contar “bugs por linhas de código” é uma métrica razoável para justificar uma prática ou metodologia.

Uma coisa boa é que ele está muito entusiasmado em fazer visitas à empresas interessantes. Eu entrei em contato com alguns lugares que considero bons candidatos mas se você tem alguma história interessante para contar e gostaria de recebê-lo por um dia me mande um e-mail que eu coloco vocês em contato. Note que ele vai estar no Rio e que você precisaria de alguma espécie de intérprete Inglês-Português.

Infelizmente eu não vou poder ir ao Brasil neste início de ano já que estou começando um projeto complicado na próxima semana que deve durar até Julho. Existe uma grande possibilidade de ir no segundo semestre, vamos ver se ela se realiza.

Gerencie como um pr0n star!

Friday, May 15th, 2009

Se você não entendeu a piada com o título clique aqui.

Então tivemos o Scrum Gathering Brazil esta semana. Infelizmente eu não estava por lá mas acompanhei bastante a movimentação via twitter e conversando com amigos nos instant messengers da vida. Agora estou lendo a cobertura dos blogs.

A que mais me chamou atenção –e eu já previa isso tendo conversado com o autor durante a evento- foi a do Rodrigo Yoshima. Entre diversos comentários sobre apresentações que deixaram pontos de interrogação e exclamação na cabeça do autor eu destaco:

Usando Scrum com o Visual Studio Team Systeam - Fabio Camara [...]
- Ele acha incrível como a Regra de Pareto se aplica a projetos de software: 20% dos desenvolvedores fazem 80% do trabalho.
- Ele se questiona se vale a pena o programador testar. Para ele, o programador só deve verificar e um testador, que é mais barato, testa efetivamente. Na mesma linha ele questiona TDD para projetos que ele denomina “time-driven”. Não achei referências para esse termo, mas ele classifica como os projetos onde tudo é para ontem. Nesses projetos não há tempo para pensar em testes unitários.
- A maior divergência porém, é o papel do ScrumMaster na visão do Fabio Camara. Para ele o ScrumMaster Monta o Plano, Distribui Atividades, Obtém Feedback e Refaz o Plano. Ele deixou claro na palestra que essa é a opinião dele. Quando questionei a respeito da auto-organização do Scrum ele disse que também não acredita na auto-organização.

E o grande sumario disso (desculpe o hotlink, Rodrigo!):

Este é o tipo de coisa sobre a qual eu falei aqui, aqui, aqui, aqui e, principalmente, aqui.

Quanto mais as metodologias ágeis ganham o mainstream mas nós vamos ver este tipo de coisa. O fato de que Scrum possui certificações e selinhos só piora tudo já que dá credibilidade imediata a uma informação errada no seu princípio básico.

Isso me lembrou alguns casos. Uma vez uma amiga foi para um cliente que havia implantado Scrum há pouco tempo. Todos fizeram o cursinho e tinham selinho de CSM. O diretor do programa tem o selinho melhor, CSP, e estava no caminho do seu CST, o selinho máximo.

Ela é uma analista de negócios e quando chegou foi levada imediatamente para uma sala com todos os stakeholders e desenvolvedores. Eles olharam seriamente para ela e disseram algo como:

- Precisamos muito da sua ajuda. Precisamos de aconselhamento em como deixar a informação visível. Agora com Scrum nós precisamos deixar claro o que está acontecendo aqui no desenvolvimento para todos.
- Uh. Ok, então acho que vocês podem começar me explicando o processo de negócios, acho que posso ficar algumas horas vendo como vocês trabalham e como o sistema é usado. Depois queria conversar um pouco com o time de desenvolvimento, podemos fazer uma mini-retrospectiva e uma futurospectiva para tentar entender porque a comunicação é um problema. A partir daí nós traçamos um plano, pode ser necessário conseguirmos coaches técnicos e, talvez, um gerente de projetos com experiência em métodos ágeis…
- Er… ahm. Ta. Mas… não era bem isso que estávamos pensando. Sabe, nós já fizemos tudo isso. Tivemos uma grande reunião, acertamos os fluxos de trabalho e tal.
- É? Mas… pelo que eu vi conversando com pessoas durante as últimas semanas vocês ainda têm problemas, os desenvolvedores estão reclamando de que tudo muda o tempo todo, o pessoal de negócios reclama que vocês estão quinze meses atrasados…
- Sim, sim, sabemos disso tudo. Mas nós sabemos que com o Scrum eventualmente essas coisas vão se resolver, não estamos preocupados. O que nós não conseguimos entender é como otimizar a radiação de informações utilizando kanbans distribuído pelo chão de fábrica.
- “Otimizar..kanban…” peraí, vocês querem que eu ajude você a decidir onde colocar seu story wall?
- É, acho que você pode colocar deste jeito…
- Você tem alguma idéia do quanto vocês estão pagando por hora pra eu estar aqui?!?

Eventualmente o cliente percebeu que onde posicionar o story wall era o menor dos seus problemas. Um dos principais problemas deles é que estavam fazendo exatamente o que o Fabio Câmara sugeriu: tinham um Scrum Master que criava, gerenciava e ajustava o plano. Os desenvolvedores estavam sempre atrasados porque eles nem sabiam qual era o plano, apenas sabiam das atividades. Discussão típica:

- Estamos atrasados!
- Você está atrasado, meu time está em dia.
- Como assim?
- Eu falei que precisava de dois dias para colocar o back-end em produção, bom estamos terminando agora, com o mínimo de atraso.
- Mas o front-end não está pronto, qual a diferença?
- Isso é com o time do Beltrano. Nós aqui estamos certos. Sprint goal atingido, vamos para o bar.

Ou, na “obtenção de feedback”:

- Ok, esta tarefa aqui está demorando muito então vamos acabar entregando aquela ali atrasada.
- Você está dizendo que o projeto vai atrasar?!
- Não, não. Você me entendeu mal. Meu time está OK, nós vamos entregar em dia, não se preocupa não.
[dois dias depois]
- E aí, tudo certo?
- Tudo.
- Aquela tarefa ali… está meio atrasada, não?
- Não, não. Veja bem, ela já vai estar pronta… já já.
[final do sprint]
- Então, como estamos?
- Bom. Aquela tarefa ali atrasou. Isso fez com que o Fulano ficasse preso ajudando o Beltrano e não fizesse o trabalho dele. Mas não tem tanto problema porque ele não ia conseguir fazer o trabalho dele mesmo já que esta tarefa depende da outra.
- Então… o que vocês estão entregando hoje?
- O Domain Model, todas as classes no lugar. Ta pronto. Só falta testar.

A solução neste caso específico teve que ser meio drástica. O que queríamos fazer era remover todos os Scrum Master e devolvê-los a sua posição original (geralmente gerente de projetos e desenvolvedores sênior) mas vimos que isso ia causar problemas políticos demais. A solução mais viável foi manter os Scrum Masters -pelo menos o título- e usarmos “Gerentes de Iteração”. Iteration Manager é o termo que usamos para um papel equivalente ao Scrum Master –gerente de projetos é outra coisa- e estes caras atuavam como lideres dos times e gerentes de iteração.

Os gerentes de projeto -ainda chamados Scrum Masters por razões históricas- tinham ainda o “plano”, algo em extremo alto nível que dizia que considerando a situação atual de escopo e velocidade a funcionalidade X vai ser entregue dia Y, a Z dia W e assim por diante. Arrastar barrinhas no Microsoft Project não mudava o plano, ele era apenas um retrato da situação real e para mudar a situação real você tem que resolver seus impedimentos. Sem truques.

Outro problema foi o tal do testes. Nós sabemos que desenvolvedores profissionais testam mas neste cliente eles compartilhavam da idéia do Fábio de que testar é coisa pra recurso barato. Resultado? Os recursos caros ficavam dias produzindo código caro que não funcionava. Apos um sprint inteiro de código caro produzido se tinha que reescrever boa parte. Como é aquela história de “o barato sai caro mesmo”?

Nada disso, qualidade é algo muito caro para ser produzido por “recursos baratos”. Como o Jason Yip diz: controle qualidade é responsabilidade do time todo -ele sugere o termo “Inspetor de Qualidade” para o que normalmente chamamos de QA- e para isso os desenvolvedores precisam entrar na dança.

Sendo extremamente sincero, eu não consigo entender como um desenvolvedor experiente assume que uma metodologia ágil consiga funcionar sem testes. Você não tem sequer uma especificação dizendo o que vai construir!

A única maneira que eu vejo disso meio que funcionar é se ao invés de uma metodologia ágil você utilizar apenas mini-waterfalls a cada sprint. Fica um tempo especificando o que vai ser feito, um tempo fazendo, um tempo testando. Enxágüe e repita. Mas isto não é uma metodologia ágil, o ciclo de feedback é muito longo!

E este foi só um dos múltiplos exemplos que tivemos nos últimos dois anos. É preciso ter cuidado, muito cuidado. Scrum vêm crescendo muito como hype e é um framework, cheio de lacunas por definição. Quando alguém com bastante bagagem vê as lacunas no Scrum ele logo assume que basta enfiar o que já se usa em desenvolvimento “tradicional” e acaba criando um híbrido de modelos quase sempre extremante ineficiente.

Scrum não diz como desenvolver software? Sem problemas, nós sabemos fazer isso: escreve uma especificação no wiki, codifica, testa. Scrum não diz como compartilhar conhecimento sobre o código? Sem problemas, nós sabemos como fazer isso: antes do código ser enviado para o SCM ele tem que ser aprovado por um membro mais sênior do time. Scrum não diz como integrar código? Sem problemas: cada um cria seu branch e nós integramos no final do Sprint.

É bom notar que mesmo com as lacunas citadas o framework tem princípios bem definidos. A opinião de que o Scrum Master é o dono do plano vai de encontro com o que o Scrum prega. Pode ser a opinião de alguém experiente, você pode achar que faz sentido… só não pode dizer que isso é Scrum.

E se você soma isso ao fato de que não é preciso muita coisa para ter um certificado em Scrum o problema toma proporções gigantescas. Scrum em si não diz que é errado, digamos, escrever um documento de caso de uso de vinte páginas para cada item de backlog. E se, ainda por cima, a pessoa que sugeriu isso ainda possui um selinho dizendo que ele sabe Scrum?

Se você não tem um time experiente em metodologias ágeis então comece seguindo todas as práticas de XP. Após ganhar experiência decida o que funciona e o que não funciona –mas teste todas antes, e por um tempo considerável.

Não comece apenas por Scrum. Como falei antes você vai encontrar muitos buracos e sempre a solução mais fácil vai ser fazer o que já se fazia antes.

Repetindo um tema freqüente neste blog: eu posso programar FORTRAN em qualquer linguagem. Eu posso gerenciar waterfall e/ou comando-e-controle em qualquer metodologia.

Cartinha do Leitor

Saturday, March 14th, 2009

Eu basicamente tenho postado “conteúdo original” no meu blog em inglês. Não acho que isso vá mudar tão cedo, então preciso pensar melhor o foco do blog em português. Eu tenho muito interesse em mantêr este blog mas é difícil dividir conteúdo que cai melhor aqui e que cai melhor lá. As vezes é bem óbvio, especialmente quando eu comento sobre o mercado nacional, mas nem sempre.

Então estou pensando em focar mais em posts do tipo “Pergunte ao Calçado”. Eu recebo muitos e-mail com algumas dúvidas bem interessantes e já até publiquei alguns aqui. Eu sei que ultimamente tenho sido uma lesma respondendo meus e-mails mas se você mandar uma mensagem com tópico “Pergunte ao Calçado” meu filtro do gmail vai colocá-lo em uma lista de prioridade mais alta. Não garanto que vá responder e/ou que vá vir a ser publicado aqui mas pelo menos é uma chance bem maior que mandar um email com subject ‘Dúvida’.

Vamos ver se dá certo.

Falando em Java 2009

Saturday, March 14th, 2009

Tem um tempinho a Caelum anunciou a terceira edição do Falando em Java, que definitivamente para mim é o melhor evento nacional sobre o tema desde o ConexãoJava.

Pelo que eu entendi será realizado no mesmo espaço que o Falando em Agile, um excelente centro de convenções com restaurantes próximos (especialmente se você gosta de sushi) e bema cessível mesmo para os que, como eu, não conhecem a cidade de São Paulo.

Em 2007 eu tive o prazer de apresentar na primeira edição do evento, com a infame “A Web 2.0 somos Nozes”:

Infelizmente este ano não vou poder participar. Apesar da minha mudança recente para Sydney estou trabalhando num projeto em melbourne (sim, eu vôo segunda de manhã para Melbourne e volto sexta de noite para Sydney, toda semana!) e por enquanto não posso ter planos de viajar em médio prazo.

Interessante que olhando agora a apresentação do FeJ2007 eu vejo que mais uma vez eu estou trabalhando numa grande empresa de mídia tradicional tentando fazê-los entender o que é Web 2.0 e como não ficar atrás. Estamos construindo um agregador de blogs utilizando coisa bem legais como Atom Publishing Protocol e microformatos, além de novamente uma estrutura de widgets.

Mas voltando ao evento, pela bagatela de R$ 95,00 você não vai perder essa, vai?

Apresentação no FalandoEmAgile

Wednesday, October 29th, 2008

O evento foi sensacional. Tirando algumas coisas bem… interessantes… todas as apresentações tiveram um nível excelente.

Apos ficar bufando por meia-hora no palco e dar mais motivos para a minha esposa reclamar da minha falte de exercício físico eu acho que a minha apresentação foi razoável. Eu ainda estou respondendo e-mails que recebi com relação à alguns pontos tocados, pelo visto valem uma série de posts.

Foi também minha primeira experiência com apresentações sofisticadas no Keynote. Um dos problemas deste tipo de coisa é que a versão em PDF fica horrível. De qualquer forma, aí está:

A Caelum está mais que de parabéns.

Domain-Driven Design & Agile: Fechando Malas

Wednesday, October 8th, 2008

Como falei algumas dezenas de vezes estou no fim de um projeto, na verdade na minha última semana neste instante. Foi um projeto muito interessante onde pudemos aplicar diversas técnicas como Domain-Specific Languages para testes e promoção de testes de aceitação. Também foi o primeiro projeto Java sem container que participei desde 2006, apenas PicoContainer, Hibernate, JMX e um cliente JMS -sem mesmo interface de usuário.

Outro ponto interessante sobre este projeto é que foi uma reescrita de um sistema com o qual estive envolvido antes. O cliente está passando por um programa que compreende diversos projetos e muitas fases. Há alguns meses nós fomos chamados para entregar, em algumas poucas semanas, uma versão deste sistema. Na nova fase do projeto eles resolveram investir mais na qualidade deste e tivemos uns bons 3 meses para reescrever tudo. Não só o sistema foi completamente reescrito bem como teve um time diferente (no anterior erámos eu e um colega ThoughtWorker, no atual somos 5 pares entre TWers, empregados do cliente e outros terceirizados).

O problema agora é a pressa. Não, o projeto não está com pressa, nossa entrega é em uma semana e faltam poucos cartões na parede. Eu que estou. Estou saindo deste projeto com muita coisa que eu queria fazer ainda meio-acabada e nesta última semana estou me dedicando basicamente a criar tracing bullets para o desenvolvimento futuro já que quem toma conta do sistema a partir da entrega de 15/10 é o cliente. Não é fácil com tão pouco tempo.

E esta lenga-lenga foi um mea-culpa para maiores informações sobre minha viagem ao Brasil. O press-release ficou assim:

Dia 23 e 24 de outubro ocorre em São Paulo o primeiro grande evento de Agile do Brasil:
http://www.falandoEmAgile.com.br/

Ouça as histórias de empresas que tem obtido sucesso com Scrum, entenda como estas práticas podem ser implantadas em ambientes tradicionais de projetos, veja o que a indústria tem falado e feito com Agile e descubra quais serão os próximos passos a serem dados nesse mundo. Conta com o palestrante internacional David Anderson, reconhecido líder na comunidade Ágil e autor do livro “Agile Management for Software Engineering”, e com o primeiro Certified Scrum Trainer da Scrum Alliance da América Latina, Alexandre Magno. De tópicos de Scrum e CMMI até estudos de caso com Agile na Austália, Inglaterra, Estados Unidos e Brasil.

Ocorrerão mais outros eventos próximos a essas datas:

O Zen of Agile, nos dias 21 e 22, um workshop com David Anderson:
http://www.heptagon.com.br/ws-zen-agile-mgmt

O Certified ScrumMaster, dias 27 e 28 de outubro:
http://www.caelum.com.br/treinamentos/csm-certified-scrum-master/

E por três vezes Phillip Calçado, conhecido aqui no GUJ, ministrará um workshop de Domain Driven Design de 8 horas, dia 21 de outubro no Rio de Janeiro, e dias 27 e 28 em São Paulo:
http://www.caelum.com.br/treinamentos/ws-46-domain-driven-design/
http://philcalcado.com/2008/09/01/brazilian…em-agile-domain-driven-design/

Está sendo divertido montar este workshop. É algo estranho porque é maior que uma palestra e menor que um curso -ao mesmo tempo é tempo demais e tempo de menos. Eu quero começar desmistificando alguns conceitos sobre objetos, trabalhando a idéia das decisões em três níveis e só depois entrar em Domain-Driven Design. É impressionante como fica mais claro falar sobre DDD depois de quebrar mitos, numa palestra nunca se tem tempo de fazer isso.

Como falei antes, para maiores informações basta ligar para a Caelum do Rio ou São Paulo.

E com a confirmação das datas eu muito provavelmente vou estar também no último dia do Rails Summit.