Archive for the ‘comunidade’ Category

Start Me Up

Saturday, August 9th, 2008

Este post do Jay Fields, ex-colega ThoughtWorker, é exatamente o que eu penso sobre o assunto. Por favor, leia.

Aproveitando a deixa, Jay vai estar no Brasil para o Rails Summit junto com alguns outros grandes nomes. O evento custa R$300,00 se você comprar até Setembro. Eu estou vendo muita gente reclamar do valor e, sinceramente, não entendo o motivo. É um evento de grande porte e o preço está bem abaixo do que eu esperaria que custasse. Um evento destes no exterior não sai por menos de mil dólares (mais preço de passagem e hospedagem), e, sinceramente, este evento possui um grupo de palestrantes mais interessante que o JAOO Sydney onde estive que custou, se me lembro bem AUD$1,700.00 (uns R$3.500,00 à época).

Uh-Éme-Éle

Friday, July 25th, 2008

Este tópico no GUJ chamou atenção, especialmente porque o li logo após um interessante texto noblog do Marcelo Araújo sobre uma outra faceta do mesmo tema: modelagem usando especificações não executáveis.

O que eu quero dizer com isso? Dada a tecnologia atual na maioria das empresas (desconsiderando o uso de coisas como DSLs ou mesmo alguma solução MDSD que, ao contrario de MDA, funcione) todos os documentos comumente utilizados para “modelagem” não são verificáveis, não são executáveis e requerem um trabalho manual enorme. Como bem disse o Emerson Macedo no post, você acaba programando duas vezes, uma na sua notação gráfica (UML) e uma na sua notação executável (Java, C#, Ruby… o que for).

Acontece que ao passar do diagrama (e diagramas aceitam qualquer besteira) para o código (onde o compilador e testes unitários são muito exigentes – fora os usuários) o tal do pseudo-modelo criado pelo “analista” no Rational Rose (porque a empresa não percebeu que o Rose foi descontinuado há anos) é completamente diferente do modelo implementado. As classes até têm o mesmo nome mas a mecânica interna é bem diferente. E por quê? Porque UML não vai te oferecer tudo o necessário para modelar. O mínimo que se espera de um modelo de um sistema é que ele seja verificável para saber se cumpre seus requisitos. Como é que eu vou saber isso com UML? Como eu testo UML?

Há algum tempo que eu me pergunto porque que se usa UML para “modelar”. Não me entenda mal, UML é uma ótima noção gráfica para Orientação a Objetos e com ela você consegue passar uma big picture muitas vezes mais rapidamente do que código; mas ela fica por aí: comunicação.

Quando modelamos o comportamento de objetos nós estamos descrevendo como este se comporta em diversas situações. Ao modelar uma determinada atividade você precisa descrever um conjunto grande de detalhes sobre esta, e UML não esta pronta para este tipo de coisa - e nem é a idéia por trás dela. Se modelar em UML fosse eficiente nós estaríamos programando em UML não em C#, Java ou o que for.

O primeiro problema ao tentar introduzir este pensamento na indústria é: mas eu não posso deixar que meus “implementadores” façam o que quiserem. Pergunta: o que raios é um implementador? Um datilografo de luxo?

Supondo que sua empresa seja a típica empresa de três letrinhas, aquelas que contratam qualquer um como “programador júnior” porque ele vai receber instruções do analista. Neste cenário eu pergunto: para que o tal programador? Que tal dar ao seu “analista” uma ferramenta mágica em que ele consiga criar um modelo abstrato e ao mesmo tempo executável? Que tal se ao invés de gastar rios de dinheiro pagando 10-reais-mais-o-busão para seus implementadores você eliminasse completamente a necessidade deles, fazendo com que o “analista” sozinho cuide do serviço?

Não precisa sacar seus milhões do banco nem pensar em como justificar o gasto com esta ferramenta no orçamento, você muito provavelmente já possui o necessário dentro da sua empresa: uma linguagem de programação decente. Faça seu “analista” usar código para expressar a modelagem. No final dá no mesmo para o nível de modelagem desejada e você ainda ganha algo verificável e executável. Economia de rios de dinheiro quase que instantânea.

Mas como assim? O “modelo lógico” é muito diferente do “modelo físico” e o “analista” não pode perder tempo com essas coisinhas de tecnologia, tem que pensar em modelar o negocio. Muito bem, duas coisas:

  1. Analista de Sistemas não é analista de negócios. Se você não sabe o que é um analista de negócios eu recomendo que você mande um e-mail pro Paulo Vasconcellos perguntando.
  2. Há mais de cinco anos que não há quase nenhum motivo para que uma aplicação Java ou C# não seja uma cópia de 1-para-1 de um modelo UML do tipo “diagrama de domínio”. POJO/POCO, Hibernate, IoC, Camadas, OO, AOP, EJB3, MVC… toda essa parafernália de letrinhas permite que seus objetos de negocio não tenham o menor traço de infra-estrutura. Claro que alguém vai ter que fazer a infra-estrutura –ainda que seja mínima. Caso seus “analistas” sejam de qualidade extremamente baixa eu recomendo que você contrate um bom técnico para atuar como arquiteto e líder técnico do time.

Verdade seja dita: esta não é a primeira vez que este blog trata do tema e desde a última vez muita coisa melhorou, mas ainda há muito que melhorar.

Rastreabilidade em User Stories

Friday, July 18th, 2008

Pergunta na XP-Rio:

Me ajudem no seguinte, no processo unificado, espera-se que todos os casos de uso gerem algum tipo de artefato dentro do projeto. Na verdade, com os casos de uso espera-se chegar em classes que juntas formarão o sistema. Dentro da metodologia existe artefatos que quando feitos, permitem mapear todos os artefatos gerados a partir de um caso de uso. A matriz de rastreabilidade.

Gostaria de saber como o XP permite chegar as classes (código) a partir das User Stories. Por exemplo, dado uma User Stories, quais são as classes geradas para atender essa User Stories?

O XP permite isso? Como é feito?

Provavelmente a primeira coisa a se perguntar é: por que eu precisaria deste dados? Alguns modelos de processo como CMMI definem rastreabilidade, que geralmente é definida nesta linha:

Requirements traceability refers to the ability to describe and follow the life of a requirement, in both forwards and backwards direction (i.e. from its origins, through its development and specification, to its subsequent deployment and use, and through all periods of on-going refinement and iteration in any of these phases.)

- Gotel O.C.Z and Finklestein A.C.W (tirado da Wikipedia)

A necessidade parece justa e real, é preciso saber quais partes do software são afetadas por mudanças no negocio e vice-versa. O grande problema desta métrica é que transformações de modelo não são mais tão drásticas há algumas décadas. Ao utilizar qualquer tecnologia relativamente comum (Java, Ruby, .Net, Python, JavaScript…) não existe motivo técnico para que o software não modele o negocio em uma relação próxima de 1-para-1, desta forma saber qual parte de um código realiza qual tarefa torna-se bem simples.

Outro problema é que eu nunca vi um artefato de rastreabilidade, seja qual for, que não ficasse defasado. Se você abraça uma metodologia ágil sabe que refactoring faz parte da vida.

Mesmo com todos os problemas que esta métrica possui eu entendo que existem casos onde seu uso se faz necessário –especialmente por equipes tentando introduzir agilidade em ambientes tradicionais. Supondo que exista uma necessidade justificável para algum controle deste tipo, metodologias ágeis em geral possuem um mecanismo muito mais eficiente que documentos ou mesmos sistemas: testes.

Toda história, todo cartão, deve ter um critério de aceite. O critério de aceite traz o que o cliente considera ser o mínimo para que a história seja considerada concluída. Por exemplo:

História: Como administrador eu quero criar um novo grupo para que possa aplicar permissões à diversos usuários de uma só vez.
Critérios de Aceite:

  • O novo grupo criado deve possuir o usuário que o criou como seu administrador
  • O novo grupo não deve conter outros membros
  • O novo grupo não deve ser visível na listagem de grupos

Cada um destes critérios via um teste unitário e/ou funcional que é executado como parte da integração contínua. Para saber exatamente quais classes e códigos são afetados por cada um deles é simples: use uma ferramenta de test coverage como o Emma e execute apenas os testes de aceitação para aquele cartão. A ferramenta irá gerar relatórios como estes:

[class, %]	[method, %]	[block, %]	[line, %]	[name]
25%  (1/4)!	25%  (3/12)!	40%  (3012/7446)!	25%  (3/12)!	com.sun.tools.javac.v8.resources
94%  (16/17)!	49%  (41/83)!	48%  (1111/2292)!	45%  (201.1/450)!	com.sun.tools.javac.v8
88%  (45/51)!	61%  (242/397)!	54%  (3070/5729)!	52%  (809.6/1563)!	com.sun.tools.javac.v8.tree

Classes que possuem alguma cobertura foram afetadas pelo teste, logo são parte da execução daquela história. Não é difícil escrever um script que –talvez como parte do build- processe estes relatórios e gere o artefato de rastreabilidade que seu processo te obrigar a fazer. Melhor ainda: este artefato nunca estará desatualizado.

Só não se esqueça que melhoria contínua é um conceito importante. Se o artefato de rastreabilidade é algo tão ineficiente a obrigação de um desenvolvedor que perceba isto é mostrar para sua organização que o valor desta pratica é nulo. Não se acomode.

User Stories: Não Crie Godzillas!

Thursday, July 10th, 2008

Hoje de manhã eu acabei iniciando um debate interessante com o Antônio Carlos via twitter. Tudo começou quando o Fernando Meyer postou uma foto dos cartões que ele usa para planning poker. O meu primeiro comentário foi sobre as cartas com valores exorbitantes como 40 e 100.

Qual o problema destes valores?

Eles são um sintoma de um problema. São um bad smell. Dado que toda história tem algum valor para o usuário do sistema, como alguém pode ter no mesmo sistema, na mesma iteração, duas histórias que valem 2 e 100? Existem tarefas que realmente envolvem tão pouco esforço que o numero é baixo. Mudar um texto para itálico, por exemplo, mas se isso é um dois o que seria tão grande a ponto de ser (40/2 =) 20 vezes mais trabalhoso e ainda assim ser considerado uma história?

Possibilidades:

  1. Histórias mal formuladas: O analista de negocio cria histórias que não possuem valor nenhum e/ou histórias que não são atômicas.
  2. Incerteza: Os desenvolvedores fazendo a estimativa de tamanho da história não tem idéia de como fazer aquilo e chutam o tamanho para o alto, o mais alto que conseguirem.

O primeiro problema é muito comum –tem um post nos rascunhos sobre minhas experiências recentes com este. Analistas –especialmente os com experiência em desenvolvimento- tendem a pensar em tarefas que são decomposições funcionais e não partições verticais dos sistemas. Invés de pensas no ponta-a-ponta da tarefa eles criam histórias apenas sobre um pedacinho específico. No outro lado da moeda o analista não consegue particionar o sistema em histórias. No final os cartões trazem histórias gigantescas.

É fácil estimar histórias pequenas. Na verdade o princípio que move as estimativas de métodos ágeis é que é muito mais fácil estimar alo pequeno do que algo grande. O problema é que estimar o tamanho uma história grande é muito difícil.

A solução neste caso provavelmente passa por ter histórias melhor definidas. É claro que vão existir histórias que são tão simples que até um 2 é muito para elas, nesse caso use algo menor como um numero abaixo da sua menor história “normal” (quase sempre isso quer dizer 1).

A segunda causa é bem simples de resolver, creio. A incerteza é algo comum, especialmente antes de executar algumas histórias para saber onde se pisa. Neste caso ao invés de se chutar a estimativa para a Lua com um 100 você pode começar usando uma carta que deixa claro que não se consegue estimar este cartão com as informações atuais:

E prosseguir criando um spike com objetivo de obt6er mais dados sobre aquela tarefa. Estimar um spike é bem mais simples do que uma história.

Mas e para estimarmos em alto-nível estas histórias enormes, confusas e distantes? Algo assim não é história, é um épico. Neste caso estimativas de alto nível são aceitáveis enquanto o épico estiver no backlog mas antes de serem agendados os épicos são desmembrados em histórias.

A Completa Irrelevância do Certified Scrum Master

Tuesday, May 27th, 2008

Semana passada o Richard Durnall me chamou para assistir a uma aula que ele deu na University of Melbourne. O Rich é o guru local de Lean e é uma figura.

A aula foi interessante. O curso é o mestrado em alguma das 343.435 ramificações de Tecnologia da Informação, basicamente uma escolinha para CIO-wannabe. Para se ter uma idéia todas as perguntas da sessão foram sobre implantação de ERPs, você via claramente que nenhum dos estudantes tinha a mínima vivencia na indústria e acreditavam piamente nas suas Info Corporate da vida.

A matéria era sobre comparação de metodologias e o Rich não foi o único. Antes dele apresentou um senhor, que é professor da instituição e arquiteto do maior banco da Austrália, onde inclusive tenho conta (brr…). A palestra do senhor arquiteto foi sobre como ele participou da salvação de um projeto de data mining usando o bom e velho waterfall. O único ponto diferente de uma lição clássica sobre como não fazer software foi sobre o uso de técnicas de Six Sigma para avaliação e priorização dos requisitos.

Quando chegou a vez do Rich apresentar Agile/Lean foi um contraste enorme. Na sessão de perguntas:

- Você falou sobre estes métodos ágeis e sobre como eles…er.. não ligam para requisitos. O [cara defendendo waterfall] apresentou um caso real de um grande banco. Você realmente acha que as técnicas de algo como agile podem competir com Six Sigma? [nota: uh?]
- Então, na minha apresentação eu fui bem ralo e essa é uma palestra introdutória, então foi bom você perguntar isso. Eu trabalhei na [top 5 montadora de automóveis], na [maior empresa aérea do mundo] e em alguns bancos. Nas duas primeiras empresas eu fiz parte da implantação de Six Sigma, inclusive eu sou Black Belt. O que eu vi deste processo foi […] e por isso que agile/lean é uma boa escolha.

Agora pense que em vez de “Six Sigma Black Belt” ele tivesse dito algo como “inclusive eu sou Agile Software Specialist e os problemas de Six Sigma são […]”. Teria o mesmo efeito?

Outro caso recente e interessante foi no Australian Architecture Fórum em Sydney. O Halvard estava apresentando uma palestra extremamente interessante sobre governança de projetos SOA onde a única ferramenta é um wiki. Em algum momento alguém levanta:

- Ok, ok, isso aí é muito Web 2.0, muito legal mas não é aplicável no meu cenário.
- E qual seu cenário?
- Eu trabalho em um banco, faço parte do grupo de controle de serviços de segurança. Isso de REST, wiki é muito legal mas vocês não entrariam num banco de modo algum!
- Uhm.. interessante você falar disso porque segurança em serviços é uma das minhas áreas de estudo… eu concluí meu Ph. D. em SOA na Universidade de Sydney e meu foco é exatamente segurança. Na verdade, na ThoughtWorks a maioria dos clientes são bancos e, inclusive, tivemos hoje de manhã o arquiteto principal do banco [top 5 banco australiano] falando exatamente sobre como usaram este tipo de técnica para governança num projeto que participei.

Imagine que ele tivesse falado “Eu sou um Wiki Certified Contributor e um RESTafarian Official Gold Partner”. Teria o mesmo efeito?

Por que das historinhas? Para argumentar numa discussão que eu tive com o grande Juan Bernabó sobre a total e completa ausência d sentido em algo como Certified Scrum Master. O Juan argumentou que certificações são valorizadas -e requeridas- pelas empresas. Meus pontos são:

  • Eu não conheço nenhuma pessoa que acredite que um curso de dois dias, sem sequer uma avaliação final –pagou, passou na pratica- deva ser valorizada. Se nós sabemos que a certificação não tem valor por que a venderíamos de outra forma? Agile não é sobre trazer valor e melhorar praticas?
  • O mercado também quer porque quer e acha que precisa de cronogramas detalhados, requisitos esmiuçados e projetos que terminam em uma grande fase de testes. Nós sabemos que isso não traz valor não fazemos apologia a este tipo de coisa, por que com certificação seria diferente? Por que ao invés de combater a ineficiência e a busca por respostas fáceis nós criamos e glorificamos nossos próprios selos?
  • Uma certificação emitida por si mesmo não vale nada. A menos que alguém já acredite que Scrum traz algum valor essa certificação é como acreditar que o Inri Cristo é Jesus porque ele afirma o ser.

Em resumo, eu acho o curso que é dado com o CSM ótimo. Ele abre mentes e é uma fantástica introdução. E só. O certificado emitido por este curso não tem qualquer valor real e propagandear o contrario, ajudando empresas a continuar glorificando certificações sem sentido, vai contra a primeira linha do Manifesto Ágil:

We are uncovering better ways of developing
software by doing it and helping others do it.

O debate completo está aqui.

Mais sobre o Australian Architecture Fórum – Melbourne

Saturday, May 17th, 2008

Com mais calma agora, volto a falar do evento. O fórum foi patrocinado pela IASA, que possui um capítulo bem forte em Melbourne. A idéia é prover mais mesas redondas do que apresentações, minha palestra foi uma das três únicas que não seguiam este formato.

Eu cheguei atrasado e fui direto para uma mesa redonda sobre REST x SOAP. O apresentador/moderador era claramente tendencioso a favorecer REST e, apesar de adorar essa arquitetura, eu acho que isso foi uma falha grave. A parte boa foi que diversas pessoas tentaram defender SOAP usando argumentos bem interessantes. Nenhum deles me convenceu inteiramente mas me fizeram pensar sobre alguns cenários onde usar REST seria reinventar SOAP, ainda que mais coeso.

Minha apresentação foi bem interessante, eu não sei estimar tempo de palestras em inglês ainda e acabei usando apenas 30 minutos dos 50 esperados. Isso acabou sendo bom porque houveram muitas perguntas, especialmente sobre os widgets em JavaScript. No final da apresentação eu tive uma conversa muito interessante com uma pessoa que foi arquiteto de um dos principais canais de TV australianos e é impressionante como os cenários e problemas são os mesmos.

Durante o resto do dia eu fiquei no stand da ThoughtWorks conversando com as pessoas. Foi bem interessante ver o que os arquitetos presentes pensam da ThoughtWorks e fazer contatos profissionais, tanto para possíveis futuros colegas quanto para futuras oportunidades de projetos.

Uma coisa engraçada em eventos ora do Brasil é que apesar de nos consideramos os seres mais sociais do universo conhecido nossos ventos são sobre grupinhos. As pessoas não interagem com desconhecido. Nos eventos aqui e em outros países, no entanto, é tudo sobre networking. Chega a ser meio constrangedor você está saindo do banheiro e alguém fala um “Oi, eu sou X, quem é você?”.

Segunda-feira eu embarco para Sydney para mais um dia de evento. Isto é algo também interessante, como o evento é durante a semana e Melbourne e Sydney são cidades distantes o mesmo evento ocorre nos dois lugares.

Estes últimos dias (meses?) foram bem corridos e eu fico feliz de pelo menos esta tarefa se concluir.

Australian Architecture Forum 2008

Thursday, May 1st, 2008

Falando em coisas agitadas, fui convidado para palestrar no Australian Architecture Forum 2008. O título é “Lightweight SOA Through Web Widgets” e falar de SOA com REST num evento onde vai estar presente o impagável Jim Webber é algo bem diferente.

Como meu Google Analytics diz que ese blog é acessado por pessoas aqui na Austrália fica o convite.

XFN++

Thursday, May 1st, 2008

1) Acabo de descobrir que o Rafael Pereira, o mineiro que mais entende de vídeo, tem um blog cheio de coisas que você deveria saber antes de colocar as palavras “vídeo” e “internet” na mesma frase.

2) O Rodrigo deve estar de folga agora

Retrô

Tuesday, April 15th, 2008

Mensagem na Agile-Brasil:

Saudações,

Estamos implementando a Retrospectiva de release em nossa equipe de desenvolvimento. Já fizemos 4 retrospectiva, mas acho que está faltando algo a ser feito. Primeira vou demonstrar como estamos fazendo.

Basicamente é o seguinte, um pouco antes de concluir uma release (aqui chamamos de versão) enviamos um e-mail para todos os colabores com as seguintes questões:
* O que foi bom durante a versão e devemos continuar a fazer?
* Quais as lições aprendidas na ultima versão?
* O que podemos fazer para melhorar?
* O que mantivemos de mais importante? (coisas que começamos a fazer recentemente e que foi importante)
* O que podemos mudar para a próxima versão?
* O que podemos adicionar ou tirar de todos o processo de desenvolvimento?
* Ocorrências na versão 2.19b que não se enquadram nos tópicos acima.

Ao retornarem, separamos o que realmente é útil e colocamos em um documento para ser discutido na reunião. O que não é considerado útil é conversado com o colaborar para explicar o porque não será considerado no documento o que ele passou, as vezes, a pessoa que redigiu o texto acaba explicando o que quis dizer e passa a ser útil.
As questões acima são respondidas por todos, inclusive pelo gerente da equipe. Tudo vai para o documento, algumas coisas são elevadas a um tópico maior que é de discussão. Normalmente são coisas que devemos discutir durante a retrospectiva para saber a opinião de todos.
Durante a reunião é lido o documento e firmado alguns pontos.

Normalmente o documento chega a 4 páginas e a retrospectiva dura em média 1h30min. Não é um processo tão ágil, desde o envio do e-mail até a retrospectiva, normalmente passam 2 dias.

Gostaria de saber a opinião dos nobres membros dessa lista sobre como estamos fazendo a retrospectiva.
Sugestões, alterações no nosso sistema são bem vindas.
Se puderem, descrevam como fazem a retrospectiva em suas empresas, isso pode agregar muito.

Atenciosamente

Evandro

Métodos ágeis são baseados em ciclos curtos com feedback constante e a retrospectiva é uma das partes mais importantes. Eu perguntaria o porque do documento mas seja qual for a resposta sugiro que este formato seja alterado imediatamente.

Um dos grandes benefícios em usarmos cartões (ou post-its se você preferir) é ter a informação escrita em algo que pode ser facilmente alterado, manuseado e, principalmente, rasgado. Um cartão de história não é uma descrição funcional, é um convite ao dialogo entre os membros do time.

Quantas vezes você revisa um documento antes de enviar para seu chefe? Quantas vezes você não tira aquelas alfinetadas que estão entaladas na sua garganta mas você não teria coragem de escrever num documento? Quantos workflows seus documentos passam?

Isso não pode acontecer numa retrospectiva. As pessoas devem se sentir à vontade para levantar pontos e criar um processo de envio de emails e confecção de documentos a ser discutido –além de extremamente ineficiente por si só- inibe o fluxo do feedback.

Existem diversas maneiras de fazer retrospectivas mas a minha preferida é a mais simples de todas que conheço.

  1. Arrume um quadro branco e um numero razoável de canetas. Se não tiver quadro-branco arrume 3 cartolinas e post-its grandes.
  2. Divida o quadro em 3 partes: Deu Certo, Precisa Melhorar e Dúvidas. Nota: a menos que você viva num ambiente muito sem-graça não use estes nomes. Seja criativo, use ícones, sei lá.
  3. As pessoas escrevem seus pontos nas respectivas seções(pequenas, uma frase. Lembre-se: convite ao dialogo!)
  4. Depois de todos os pontos escritos cada pessoa explica brevemente porque escreveu aquilo ali. É na verdade uma tentativa de venda do ponto para ser votado
  5. Depois de descritos os pontos as pessoas pegam as canetas e votam nos pontos que consideram relevantes.
  6. Discutem-se os pontos mais votados, até o tempo acabar.

Uma das coisas mais importantes é que para cada item discutido devem haver pontos de ação. Quem conduzir a retrospectiva (e a sugestão é que o condutor varie a cada semana) deve estimular as pessoas participando da discussão a enumerar medidas praticas que podem ser tomadas e associar um responsável por estas. Na próxima retrô antes do ponto 1 acima o condutor pergunta aos responsáveis se as medidas foram tomadas.

Este formato não requer preparação e é bem eficiente. Eu já participei de retrospectivas assim em times com mais de vintes pessoas e em menos de uma hora os pontos relevantes eram endereçados. Uma outra coisa importante é que retrospectiva é um processo. Realizar uma única retro não vai dar o feedback necessário, você precisa manter as retrospectivas acontecendo com freqüência para que o funcione.

Sem Respostas Fáceis

Monday, April 7th, 2008

O Guilherme Chapiewski causou uma bela confusão com seu último post. Uma chuva de comentários debate: O Scrum Master deve ser técnico?

Eu já conversei com o Guilherme sobre isso algumas vezes e sei o que ele quis dizer, mas acho que colocou de uma forma meio confusa. Para mim o ponto é: o Scrum Master deve ser um gerente de projetos/facilitador/babá em tempo integral?

Após alguns anos nessa estrada dá para entender porque algumas pessoas se preocupam tanto em afastar o papel de gestor (seja Scrum Master of Universe ou qualquer outro termo que você preferir) do papel de técnico. Muitas vezes técnicos quando postos no papel de gestor não conseguem tirar a mão da graxa e isso atrapalha o andamento das coisas. Eu já tive gerentes de projeto que afundaram todo um release porque pegavam para si tarefas técnicas e não conseguiam exercer suas tarefas oficiais.

Isso acontece bastante mas não quer dizer que vá acontecer sempre, ou que não possa ser resolvido. Dizer que o gestor não pode exercer tarefas técnicas e ponto final é ignorar a característica empírica de um processo ágil.

Quem assume que isso é uma verdade absoluta está buscando respostas fáceis ao invés de tentar resolver o problema. Isso não é diferente em nada do cidadão que usa todos os templates, artefatos e papeis do RUP no seu projeto, ou daquele que acredita que um selo como CMMI ou MPS.BR traz qualidade.

Seguir à risca todos os documentos possíveis ou acreditar piamente que um selo traz qualidade é buscar respostas fáceis.

Desde outubro que eu não trabalho com Scrum. A ThoughtWorks não possui exatamente uma metodologia de trabalho, nós entendemos que agilidade é um processo empírico:

The empirical model of process control provides and exercises control through frequent inspection and adaptation for processes that are imperfectly defined and generate unpredictable and unrepeatable outputs.

Cada projeto é um projeto, cada time é um time e aplicar uma receita de bolo, seja ágil ou não, é ruim. No meu projeto atual temos um time de desenvolvedores do mesmo nível. O papel de gestor de projetos fica com o tech lead e isso basicamente quer dizer que ele é quem perde 1/2 do dia em reuniões e é quem pede cerveja para a retrospectiva de sexta-feira. No resto do tempo está na máquina dele com o Eclipse aberto.

A diferença é que ele atua como tech lead, não como desenvolvedor. Ele não pode se comprometer com uma tarefa grande, ou em programar em par. O que ele faz é (1) ter certeza que possui entendimento sobre o que está sendo feito e dar sua posição sobre isso e (2) servir como palavra final quando algum assunto técnico atinge um impasse.

Eu pedi demissão da Globo.com um pouco antes do projeto acabar. Alem de atuar como Scrum Master e líder técnico da equipe eu ainda tinha que resolver algumas milhares de coisas relacionadas à minha viagem. Mesmo assim eu não abdiquei da minha responsabilidade de líder técnico. Eu desenhei com o Guilherme os WebServices que utilizávamos e não só sabia como eles funcionavam bem como enchi o saco dele para que tal coisa fosse desse jeito e não do outro. Eu trabalhei na primeira versão do framework JavaScript que criamos com o Tiago e depois fizemos algumas sessões de pair programming nas últimas alfinetadas.

Nas primeiras iterações eu ainda consegui pegar tarefas para mim, com o tempo isso foi ficando impossível mas eu não deixei de ser o líder técnico do projeto por isso. Assumir o papel de gestor do projeto me deixou com tempo fragmentado mas quanto mais ágil seu processo (e sua empresa) menos você precisa assumir o papel de gestor. Quando a empresa não requer muita burocracia desnecessária não há muito à facilitar, quando o time se gerencia não há muito há resolver.

Como o Antônio comentou no blog é muito bom chegar ao nível de ter essas discussões, pensar sobre o que é feito, mas é melhor ainda quando percebemos que processos ágeis são sobre pessoas e adaptação. Eu diria que um time não precisa muito mais de um Scrum Master Power Turbo do que de um tech lead, ambos são papeis importantes. Se você coloca seu tech lead como gestor de projeto e o impede de exercer suas funções técnicas você tem que ter uma estratégia para substituir essa perda.

Você pode ter certeza que as práticas que você mais odeia em uma metodologia de desenvolvimento não-ágil não foram criadas por pura maldade dos autores (bem, não sempre…). Estas práticas fizeram (e fazem) sentido nos cenários experimentados. Elas foram úteis e resolveram problemas. A grande questão é que não é porque uma coisa faz sentido em um cenário que ela deve ser aplicado à todos, ou sequer à maioria.

Cuidado para não ficar preso às respostas fáceis. Cuidado para não transformar processos empíricos em processos prescritivos. Cuidado para não tentar programar FORTRAN em qualquer linguagem.