Para iniciar o evento mais importante de tecnologia aqui do Rio aconteceu em Fevereiro, o Rio Java Summit 2005. O evento contou com a presença de Gavin King, líder e criador do Hibernate, que falou sobre persistência em vários aspectos, incluindo EJB3.0.
Mais uma vez o Sun Tech Days foi o evento da Sun para a Comunidade local.

Também tivemos este ano o clássico ConexãoJava, com ampla divulgação da mídia.
Em Novembro foi realizado o Rio Java Developers Day, compresença d vários palestrantes da Sun.

A Sun anunciou uma nova certificação: Sun Certified Java Associate. Pra que serve? Para nada na prática (além de engordar os curriculums como qualquer outra), mas muita gente se candidatou para obter o exame na fase de beta. Para os certificados da Sun (e de muitas outras entidades), certificados Beta são gratuitos. Um fato interessante é que esta prova em específico teve uma procura muito grande, o que mostra que foi bem divulgada pelos Portais, JUGs, Sites e mecanismos de informação em geral. A Comunidade Java está muito preocupada com certificação, seja lá qual o real fim dela.
A certificação Java 5 final saiu, mas ainda não tem o famoso livro da Kathy o que impediu muitos e muitos de tentarem a prova e continuarem a fazer a prova de certificação para Java 1.4. Também saiu a Java Language Specification 3rd Edition, guia (e bookmark) indispensável pra quem se diz programador Java.

No mesmo mês tivemos o lançamento do livro em Hibernate em Ação, uma tradução da obra de Christian Bauer e Gavin King. Além de defasado pela idade (não trata do Hibernate 3), o livro cumpre a tradição de livros técnicos porcamente traduzidos, comentários interessantes aqui. Apesar de um fiasco de tradução, esse livro é mais uma mostra que o mercado está precisando de material em português. Na mesma onda, os ótimos livros de Kathy Sierra foram traduzidos.Sou contra a tradução e o uso de versões traduzidas de livros não-básicos por profissionais, mas é mais uma prova que precisamos de material nacional de qualidade. Isso será tema de um post em breve.



No mês, seguinte, um anúncio que há muito era esperado: o framework Struts tem destino incerto. Quem acompanha o mercado de tecnologia sabia que algo ia acontecer neste sentido, mas quem insiste em tapar o Sol com a peneira tomou um golpe no estômago. Até hoje não dá pra entender direito qual vai ser do Struts, o framework antigo (que primeiro foi rebatizado para Struts Classic depois rebatizado novamente para Struts Action para não parecer tão antigo) não parece estar indo a lugar nenhum.
Em terras tupiniquins surgiu o Mentawai, um framework MVC sem XML que fez bastante sucesso considerando a concorrência extensa..
Uma notícia interessante para a comunidade brasileira de maneira geral é o SOUJAVA se tornar membro do JCP. Ainda sobre o SOUJAVA, a organização não repetiu o vexame do ano anterior e fez um chamado de trabalhos de verdade para o JustJava2005. Numa manobra estranha, começou a agregar JUGs de outras regiões querendo marcar presença nacionalmente. Isso não foi muito bem recebido por alguns que esperavam que a maior associação de usuários da tecnologia buscasse união e não concorrência com JUGs locais. No fim das contas os ânimos se acalmaram com uma conversa entre as partes.
A divulgação da estratégia de migração do WallMart fez com que muitas pessoas se interessassem em fazer o processo mais rapidamente, o que é uma forte tendência em 2006.
Falando em Software Livre, a IBM adquiriu a GlueCode, cujos funcionários produziram o Apache Geronimo. De repente, começaram a surgir iniciativas de Marketing como um prêmio para quem instalasse e rodasse o Geronimo. Sem supresa a Big Blue lançou uma versão de Geronimo sob o infame nome de WebSphere Community Edition.

Ainda na esfera FOSS, A Apache lançou um projeto de JVM livre chamado Harmony. O projeto causou algum burburinho quando anunciado mas desde então não trouxe nenhum avanço significativo seja em produto usável seja em qualquer coisa.
A guerra Mono/.Net/Java sofre um baque quando a MSFT anunciou que não ia lberar componentes importantíssimos do .Net para serem implementados por terceiros (i.e. Mono). A Microsoft também trocou o nome do seu novo sistema operacional. Este mesmo sistema já sofreu problemas de segurança no primeiro beta lançado, que resultou em alguns componentes sendo removidos do projeto inicial.

Sobre licenças, a Sun trabalhou arduamente para aliviar o peso das lincenças sobre seu código Java e diminuir as críticas e projetos de JVM livres. No fim do ano a emrpesa anunciou sua nova estratégia: liberar quase todos os seus produtos como Software Livre.
Dentro dos produtos liberados pela Sun está a família creator, uma IDE construída sobre o Netbeans. Netbeans que causou muita discussão com seu novo designer chamado Matisse que proporcionaria a produtividade de um VB/Delphi (ou seja: sem layout managers pentelhos) a uma aplicação Java. O Netbeans também lançou uma plataforma de colaboração (mais tarde a Borland e outros anunciaram coisas parecidas) que deve se tornar uma tendência. A Sun investiu *muito* para divulgar o Netbeans este ano, o produto cresceu bstante.
Ainda falando sobre IDEs, o Eclipse ganhou várias empresas novas em seu consórcio como Macromedia (agora Adobe) e Nokia também lançou o Eclipse 3.1 final e versões de diversos plugins. 2005 foi apra dar uma reorganizada geral no Eclipse e tirar cada vez mais o sel IBM do produto. Erich Gamma explicou bastante sobre o ciclo de desenvolvimento da plataforma. Para o mal ou para o bem, a IBM também doou ao Eclipse partes do seu ciclo de desenvolvimento proprietário, o RUP.
Com a concorrência desleal de ferramentas superiores gratuitas, a Oracle fez o JDeveloper ser gratuito. Apenas IDEs de verdade como IntelliJ (que lançou versão nova este ano)se deram ao luxo de continuar como produto pago desvinculado de um grande Application Server.
Sobre grandes Application Servers a Bea anunciou o WebLogic 9 com diversas novas funcionalidades entre elas integração com Jython/Python para scripting. A Bea também anunciou forte suporte ao Spring, coisa meio óbvia visto que Rod Johnson declara seu amor ao WebLogic a todo instante.

No JavaOne dos dez anos de Java a Sun anuncionou que não existirá mais Java 2.
Até o MINIX teve nova versão, certamente a ser discutida no novo livro do Professor Tanenbaum.
O Ruby on Rails fez uma entrada grandiosa no mainstream Java com um artigo na DeveloperWorks. A mídia toda explodiu e o novo livro de Bruce Tate, Beyond Java, veio abrir com uma polêmica: qual o futuro da plataforma e da linguagem Java?
O Livro ganha meu prêmio pessoal de mais importante do ano. Não por ser bem escrito, também não mostra tecnologias revolucionárias e nem consegue ser muito informativo sobre as tendências que aponta. Beyond Java poderia ser uma séria de artigos numa revista. O livro leva o prêmio por levantar uma questão importante e conseguir chamar atenção de todos os lados para a polêmica.



