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Mingle Day - Rio e São Paulo

Tuesday, June 23rd, 2009

Como este blog já anunciou este ano será cheio de eventos da ThoughtWorks no Brasil.

Uma coisa a se notar sobre a ThoughtWorks é que somos uma empresa de consultoria mas com uma divisão de produtos. Como a eventual vinda da ThoughtWorks para o Brasil significa a vinda das duas partes é bom que também apresentemos ao mercado brasileiro os softwares que produzimos.

O software mais popular da suite é o Mingle, um sistema de gerenciamento de projetos com muitas características interessantes. Ele foi construído baseado na experiência da empresa prestando consultoria, entende bem que cada processo é diferente e que modelos engessados não funcionam bem. Também possui uma interface rica que aliada com alguns recursos de hardware se torna uma ferramenta extremamente útil quando um Kanban eletrônico é necessário. Por fim é provavelmente o mais famoso caso de uso do JRuby on Rails -o Mingle usa componentes escritos em Java aliados aos recursos do Rails.

Se você quer conhecer mais sobre o produto tem duas oportunidades. Abaixo os convites.

Rio de Janeiro

Hi,

ThoughtWorks is sponsoring Agile Brazil 2009, the first major conference on Agile methodologies to be held in Rio de Janeiro, Brazil. In this extensive, one-day event, various practitioners and speakers will conduct sessions on a range of well-known Agile methodologies and practices such as Lean, Scrum, XP, User Stories, Continuous Integration, Release management and Test Driven Development.

Date and Venue:
June 27, 2009, 8:30am - 6:00pm.
Salao A (Padre Anchieta hall)
PUC-Rio, Gavea, Rio de Janeiro, Brazil.
Registration Information
Registration: R$ 200,00.
Register for Agile Brazil 2009

Mingle User Group Meeting in Rio de Janeiro

We have organized a free follow-on event for agile enthusiasts. We invite you to the Rio Mingle User Group (MUG) Meeting, an exclusive meet for Mingle users in Brazil, to discuss and share their experience with Mingle. Adam Monago, our product expert along with other Agile experts will take you through Mingle and its features and provide you tips and tricks on how to better use Mingle for project management and collaboration. After the talk you can interact with the attendees over food and drinks.

Date: 1- July-2009
Time: 17:30 - 19:00
Venue: PUC-Rio, Rua Marques de Sao Vicente 225 - Predio Padre Leonel Franca - 13 andar - Gavea, Rio de Janeiro, Brazil

To confirm your participation for the Mingle User Group, simply reply to this email: Studios-Brazil@thoughtworks.com?

Regards,
ThoughtWorks Studios
Studios-Brazil@thoughtworks.com

São Paulo

A Aspercom e a ThoughtWorks convidam você para o Encontro Agile / Mingle User Group Meeting. Este será um evento gratuito em São Paulo com mini-palestras, discussões e muito bate-papo.

Data: 30 de junho de 2009 às 19:00hs / Local: Av. Paulista

Facilitadores:
Paulo Caroli, Adam Monago (ThoughtWorks)
Rodrigo Yoshima, José Paulo Papo

Mingle User Group Meeting

O encontro do Mingle User Group (MUG) do Brasil é uma oportunidade para conhecer, discutir e compartilhar experiências com o Mingle. Adam Monago, um especialista no produto juntamente com outros Agilistas experientes, demonstrarão o Mingle provendo dicas e truques em como usar o produto para gerenciamento de projetos e colaboração.

Local, agenda, inscrições e outras informações acesse: http://blog.aspercom.com.br/2009/06/22/evento-agile-mingle/

Rodrigo Yoshima
ASPERCOM

Paulo Caroli
ThoughtWorks

ThoughtWorks Brasil – Perguntas Frequentes

Monday, June 8th, 2009

O Martin foi o primeiro a falar abertamente sobre o assunto. Desde a mensagem dele eu recebi quase duas dezenas de e-mails com dúvidas e ao invés de responder um a um com o mesmo conteúdo resolvi colocar aqui.

Note que este blog não representa em hipótese alguma a ThoughtWorks, estou apenas compartilhando informação que já é publicável mas talvez nunca tenha sido disponibilizada, ao menos em Português.

Cuma?

A ThoughtWorks é uma empresa global com escritórios em diversos continentes. É uma das pioneiras em metodologias ágeis e berço de diversas técnicas e tecnologias que você certamente já ouviu falar.

Há muito tempo se cogita abrir um escritório no Brasil. O Roy já esteve no país e todas as vezes que o encontrei ele fala sobre o assunto. Nos últimos meses vêm ficando óbvia a necessidade de abrir um escritório na America do Sul, tanto para suprir a demanda de off-shore quanto para explorar o mercado local, e o Brasil é o favorito para sediar este escritório.

Neste momento estamos estudando a possibilidade como um todo. Nos próximos meses diversos ThoughtWorkers, entre brasileiros e gringos, estarão no país para trocar idéias com pessoas do mercado local e conhecer as possibilidades.

Então você vai voltar para o Brasil?

Não está nos meus planos uma volta definitiva mas eu estou ajudando a iniciativa. Como falei antes aqui, este mês eu não pude ir mas estou ajudando aos que vão à marcar conversas com empresas e pessoas interessantes.

Até Agosto eu acho muito difícil conseguir deixar a Austrália devido ao meu projeto atual.

Você foi para a ThoughtWorks com este objetivo?

Não. Como falei acima eu sabia do interesse mas nem fui contratado com esta finalidade nem tinha isto como objetivo próprio.

Como vai ser o escritório local?

Não sabemos ainda, vai depender de nossos estudos de viabilidade.

Como eu me candidato?

No mesmo lugar de sempre. O Brasil não vai estar listado ainda mas o endereço é um só.

Agile Brazil 2009

Sunday, May 24th, 2009

Caso você ainda não saiba a ThoughtWorks está patrocinando um evento em Junho, no Rio de Janeiro: Agile Brazil 2009.

Além de palestrantes locais o evento vai contar com três ThoughtWokers: Jason Yip, Paulo Caroli e Adam Monago. O Jason é um dos mestre jedis em lean software development que temos na TW. O Paulo é brasileiro e trabalha oficialmente na TW US mas está em uma temporada na Índia. O Adam é gerente de produtos do Mingle.

Eu tenho conversado bastante com o Jason para explicar mais sobre o cenário de desenvolvimento de software no Brasil -que é bem diferente de qualquer outro país que eu conheça. Conhecendo a peça eu tenho certeza que a palestra vai ser uma excelente oportunidade para quebrarmos alguns mitos sobre lean que estão sendo introduzidos na cultura brasileira -como os de que contar “bugs por linhas de código” é uma métrica razoável para justificar uma prática ou metodologia.

Uma coisa boa é que ele está muito entusiasmado em fazer visitas à empresas interessantes. Eu entrei em contato com alguns lugares que considero bons candidatos mas se você tem alguma história interessante para contar e gostaria de recebê-lo por um dia me mande um e-mail que eu coloco vocês em contato. Note que ele vai estar no Rio e que você precisaria de alguma espécie de intérprete Inglês-Português.

Infelizmente eu não vou poder ir ao Brasil neste início de ano já que estou começando um projeto complicado na próxima semana que deve durar até Julho. Existe uma grande possibilidade de ir no segundo semestre, vamos ver se ela se realiza.

Gerencie como um pr0n star!

Friday, May 15th, 2009

Se você não entendeu a piada com o título clique aqui.

Então tivemos o Scrum Gathering Brazil esta semana. Infelizmente eu não estava por lá mas acompanhei bastante a movimentação via twitter e conversando com amigos nos instant messengers da vida. Agora estou lendo a cobertura dos blogs.

A que mais me chamou atenção –e eu já previa isso tendo conversado com o autor durante a evento- foi a do Rodrigo Yoshima. Entre diversos comentários sobre apresentações que deixaram pontos de interrogação e exclamação na cabeça do autor eu destaco:

Usando Scrum com o Visual Studio Team Systeam - Fabio Camara [...]
- Ele acha incrível como a Regra de Pareto se aplica a projetos de software: 20% dos desenvolvedores fazem 80% do trabalho.
- Ele se questiona se vale a pena o programador testar. Para ele, o programador só deve verificar e um testador, que é mais barato, testa efetivamente. Na mesma linha ele questiona TDD para projetos que ele denomina “time-driven”. Não achei referências para esse termo, mas ele classifica como os projetos onde tudo é para ontem. Nesses projetos não há tempo para pensar em testes unitários.
- A maior divergência porém, é o papel do ScrumMaster na visão do Fabio Camara. Para ele o ScrumMaster Monta o Plano, Distribui Atividades, Obtém Feedback e Refaz o Plano. Ele deixou claro na palestra que essa é a opinião dele. Quando questionei a respeito da auto-organização do Scrum ele disse que também não acredita na auto-organização.

E o grande sumario disso (desculpe o hotlink, Rodrigo!):

Este é o tipo de coisa sobre a qual eu falei aqui, aqui, aqui, aqui e, principalmente, aqui.

Quanto mais as metodologias ágeis ganham o mainstream mas nós vamos ver este tipo de coisa. O fato de que Scrum possui certificações e selinhos só piora tudo já que dá credibilidade imediata a uma informação errada no seu princípio básico.

Isso me lembrou alguns casos. Uma vez uma amiga foi para um cliente que havia implantado Scrum há pouco tempo. Todos fizeram o cursinho e tinham selinho de CSM. O diretor do programa tem o selinho melhor, CSP, e estava no caminho do seu CST, o selinho máximo.

Ela é uma analista de negócios e quando chegou foi levada imediatamente para uma sala com todos os stakeholders e desenvolvedores. Eles olharam seriamente para ela e disseram algo como:

- Precisamos muito da sua ajuda. Precisamos de aconselhamento em como deixar a informação visível. Agora com Scrum nós precisamos deixar claro o que está acontecendo aqui no desenvolvimento para todos.
- Uh. Ok, então acho que vocês podem começar me explicando o processo de negócios, acho que posso ficar algumas horas vendo como vocês trabalham e como o sistema é usado. Depois queria conversar um pouco com o time de desenvolvimento, podemos fazer uma mini-retrospectiva e uma futurospectiva para tentar entender porque a comunicação é um problema. A partir daí nós traçamos um plano, pode ser necessário conseguirmos coaches técnicos e, talvez, um gerente de projetos com experiência em métodos ágeis…
- Er… ahm. Ta. Mas… não era bem isso que estávamos pensando. Sabe, nós já fizemos tudo isso. Tivemos uma grande reunião, acertamos os fluxos de trabalho e tal.
- É? Mas… pelo que eu vi conversando com pessoas durante as últimas semanas vocês ainda têm problemas, os desenvolvedores estão reclamando de que tudo muda o tempo todo, o pessoal de negócios reclama que vocês estão quinze meses atrasados…
- Sim, sim, sabemos disso tudo. Mas nós sabemos que com o Scrum eventualmente essas coisas vão se resolver, não estamos preocupados. O que nós não conseguimos entender é como otimizar a radiação de informações utilizando kanbans distribuído pelo chão de fábrica.
- “Otimizar..kanban…” peraí, vocês querem que eu ajude você a decidir onde colocar seu story wall?
- É, acho que você pode colocar deste jeito…
- Você tem alguma idéia do quanto vocês estão pagando por hora pra eu estar aqui?!?

Eventualmente o cliente percebeu que onde posicionar o story wall era o menor dos seus problemas. Um dos principais problemas deles é que estavam fazendo exatamente o que o Fabio Câmara sugeriu: tinham um Scrum Master que criava, gerenciava e ajustava o plano. Os desenvolvedores estavam sempre atrasados porque eles nem sabiam qual era o plano, apenas sabiam das atividades. Discussão típica:

- Estamos atrasados!
- Você está atrasado, meu time está em dia.
- Como assim?
- Eu falei que precisava de dois dias para colocar o back-end em produção, bom estamos terminando agora, com o mínimo de atraso.
- Mas o front-end não está pronto, qual a diferença?
- Isso é com o time do Beltrano. Nós aqui estamos certos. Sprint goal atingido, vamos para o bar.

Ou, na “obtenção de feedback”:

- Ok, esta tarefa aqui está demorando muito então vamos acabar entregando aquela ali atrasada.
- Você está dizendo que o projeto vai atrasar?!
- Não, não. Você me entendeu mal. Meu time está OK, nós vamos entregar em dia, não se preocupa não.
[dois dias depois]
- E aí, tudo certo?
- Tudo.
- Aquela tarefa ali… está meio atrasada, não?
- Não, não. Veja bem, ela já vai estar pronta… já já.
[final do sprint]
- Então, como estamos?
- Bom. Aquela tarefa ali atrasou. Isso fez com que o Fulano ficasse preso ajudando o Beltrano e não fizesse o trabalho dele. Mas não tem tanto problema porque ele não ia conseguir fazer o trabalho dele mesmo já que esta tarefa depende da outra.
- Então… o que vocês estão entregando hoje?
- O Domain Model, todas as classes no lugar. Ta pronto. Só falta testar.

A solução neste caso específico teve que ser meio drástica. O que queríamos fazer era remover todos os Scrum Master e devolvê-los a sua posição original (geralmente gerente de projetos e desenvolvedores sênior) mas vimos que isso ia causar problemas políticos demais. A solução mais viável foi manter os Scrum Masters -pelo menos o título- e usarmos “Gerentes de Iteração”. Iteration Manager é o termo que usamos para um papel equivalente ao Scrum Master –gerente de projetos é outra coisa- e estes caras atuavam como lideres dos times e gerentes de iteração.

Os gerentes de projeto -ainda chamados Scrum Masters por razões históricas- tinham ainda o “plano”, algo em extremo alto nível que dizia que considerando a situação atual de escopo e velocidade a funcionalidade X vai ser entregue dia Y, a Z dia W e assim por diante. Arrastar barrinhas no Microsoft Project não mudava o plano, ele era apenas um retrato da situação real e para mudar a situação real você tem que resolver seus impedimentos. Sem truques.

Outro problema foi o tal do testes. Nós sabemos que desenvolvedores profissionais testam mas neste cliente eles compartilhavam da idéia do Fábio de que testar é coisa pra recurso barato. Resultado? Os recursos caros ficavam dias produzindo código caro que não funcionava. Apos um sprint inteiro de código caro produzido se tinha que reescrever boa parte. Como é aquela história de “o barato sai caro mesmo”?

Nada disso, qualidade é algo muito caro para ser produzido por “recursos baratos”. Como o Jason Yip diz: controle qualidade é responsabilidade do time todo -ele sugere o termo “Inspetor de Qualidade” para o que normalmente chamamos de QA- e para isso os desenvolvedores precisam entrar na dança.

Sendo extremamente sincero, eu não consigo entender como um desenvolvedor experiente assume que uma metodologia ágil consiga funcionar sem testes. Você não tem sequer uma especificação dizendo o que vai construir!

A única maneira que eu vejo disso meio que funcionar é se ao invés de uma metodologia ágil você utilizar apenas mini-waterfalls a cada sprint. Fica um tempo especificando o que vai ser feito, um tempo fazendo, um tempo testando. Enxágüe e repita. Mas isto não é uma metodologia ágil, o ciclo de feedback é muito longo!

E este foi só um dos múltiplos exemplos que tivemos nos últimos dois anos. É preciso ter cuidado, muito cuidado. Scrum vêm crescendo muito como hype e é um framework, cheio de lacunas por definição. Quando alguém com bastante bagagem vê as lacunas no Scrum ele logo assume que basta enfiar o que já se usa em desenvolvimento “tradicional” e acaba criando um híbrido de modelos quase sempre extremante ineficiente.

Scrum não diz como desenvolver software? Sem problemas, nós sabemos fazer isso: escreve uma especificação no wiki, codifica, testa. Scrum não diz como compartilhar conhecimento sobre o código? Sem problemas, nós sabemos como fazer isso: antes do código ser enviado para o SCM ele tem que ser aprovado por um membro mais sênior do time. Scrum não diz como integrar código? Sem problemas: cada um cria seu branch e nós integramos no final do Sprint.

É bom notar que mesmo com as lacunas citadas o framework tem princípios bem definidos. A opinião de que o Scrum Master é o dono do plano vai de encontro com o que o Scrum prega. Pode ser a opinião de alguém experiente, você pode achar que faz sentido… só não pode dizer que isso é Scrum.

E se você soma isso ao fato de que não é preciso muita coisa para ter um certificado em Scrum o problema toma proporções gigantescas. Scrum em si não diz que é errado, digamos, escrever um documento de caso de uso de vinte páginas para cada item de backlog. E se, ainda por cima, a pessoa que sugeriu isso ainda possui um selinho dizendo que ele sabe Scrum?

Se você não tem um time experiente em metodologias ágeis então comece seguindo todas as práticas de XP. Após ganhar experiência decida o que funciona e o que não funciona –mas teste todas antes, e por um tempo considerável.

Não comece apenas por Scrum. Como falei antes você vai encontrar muitos buracos e sempre a solução mais fácil vai ser fazer o que já se fazia antes.

Repetindo um tema freqüente neste blog: eu posso programar FORTRAN em qualquer linguagem. Eu posso gerenciar waterfall e/ou comando-e-controle em qualquer metodologia.

Cartinha do Leitor

Saturday, March 14th, 2009

Eu basicamente tenho postado “conteúdo original” no meu blog em inglês. Não acho que isso vá mudar tão cedo, então preciso pensar melhor o foco do blog em português. Eu tenho muito interesse em mantêr este blog mas é difícil dividir conteúdo que cai melhor aqui e que cai melhor lá. As vezes é bem óbvio, especialmente quando eu comento sobre o mercado nacional, mas nem sempre.

Então estou pensando em focar mais em posts do tipo “Pergunte ao Calçado”. Eu recebo muitos e-mail com algumas dúvidas bem interessantes e já até publiquei alguns aqui. Eu sei que ultimamente tenho sido uma lesma respondendo meus e-mails mas se você mandar uma mensagem com tópico “Pergunte ao Calçado” meu filtro do gmail vai colocá-lo em uma lista de prioridade mais alta. Não garanto que vá responder e/ou que vá vir a ser publicado aqui mas pelo menos é uma chance bem maior que mandar um email com subject ‘Dúvida’.

Vamos ver se dá certo.

Falando em Java 2009

Saturday, March 14th, 2009

Tem um tempinho a Caelum anunciou a terceira edição do Falando em Java, que definitivamente para mim é o melhor evento nacional sobre o tema desde o ConexãoJava.

Pelo que eu entendi será realizado no mesmo espaço que o Falando em Agile, um excelente centro de convenções com restaurantes próximos (especialmente se você gosta de sushi) e bema cessível mesmo para os que, como eu, não conhecem a cidade de São Paulo.

Em 2007 eu tive o prazer de apresentar na primeira edição do evento, com a infame “A Web 2.0 somos Nozes”:

Infelizmente este ano não vou poder participar. Apesar da minha mudança recente para Sydney estou trabalhando num projeto em melbourne (sim, eu vôo segunda de manhã para Melbourne e volto sexta de noite para Sydney, toda semana!) e por enquanto não posso ter planos de viajar em médio prazo.

Interessante que olhando agora a apresentação do FeJ2007 eu vejo que mais uma vez eu estou trabalhando numa grande empresa de mídia tradicional tentando fazê-los entender o que é Web 2.0 e como não ficar atrás. Estamos construindo um agregador de blogs utilizando coisa bem legais como Atom Publishing Protocol e microformatos, além de novamente uma estrutura de widgets.

Mas voltando ao evento, pela bagatela de R$ 95,00 você não vai perder essa, vai?

Deixa Para os Analistas de Verdade…

Sunday, November 23rd, 2008

Eu irritei bastante gente da última vez que falei sobre analistas de sistemas. Até hoje, 10 meses depois, ainda tem gente que me manda e-mail malcriado.

Muitos destes comentários falavam que eu estou desmerecendo o valor da análise. Minha resposta é que pelo contrario, o que eu estou dizendo é que análise é tão importante que não dá para misturar as coisas:

É certo que muitos clientes precisam entender seus próprios negócios antes de criar um sistema mas isso não é papel de analista de sistemas, é papel de analista de negócios. Um analista deste tipo possui capacitação em campos bem diferentes, é completamente possível que um analista de negócios seja um desenvolvedor (vamos abolir o “analista de sistemas” a partir daqui) mas neste caso ele está assumindo duas especialidades. Um analista de negócios possui um perfil não-técnico e mais especializado em um mercado como bancos, marketing, telecomunicações e etc.

Como eu falo no post citado, o problema é que pensamos que análise faz parte da profissão de desenvolvedor ou que é sua evolução. Isto não é verdade, o trabalho de analista de negócios pode resultar em algo que nem é um programa de computador. Em um caso recente o cliente queria um novo website para “automatizar processo” mas após a análise verificou-se que o que ele precisava era simplesmente melhorar seu formulário -de papel.

Eu realmente não entendo como pessoas conseguem misturar Test-Driven Development, Domain-Driven Design, metodologias ágeis e técnicas de análise de negócios em workshops de um dia.

Estou tendo a felicidade de ver um processo de ponta a ponta na pratica neste instante, participando de uma Inception, uma fase bem curta onde tentamos entender o que estamos fazendo. O projeto em si não começou, estamos apenas estabelecendo uma visão e pensando sobre a viabilidade do sistema.

O processo, segundo a metodologia que desenvolvemos na ThoughtWorks, é composto por diferentes workshops com quase todos os envolvidos do lado do cliente.

A atual equipe é composta por:

  • Facilitador: Alguém que conduz as atividades e mantêm o time nos objetivos. Não possui uma habilidade específica alem de “facilitação de colaboração”. No meu projeto atual o papel é executado por uma analista de negócios mas eu já vi testadores, desenvolvedores e gerentes de projeto executando esta tarefa.
  • Stakeholders + Analistas de negócios: Funcionários do cliente de diversas áreas envolidas e os nossos analistas que trabalham com eles.
  • Líder Técnico: Um profissional técnico com senioridade suficiente para responder às dúvidas que surgirem.

Note que existe algo engraçado aí: parece um time ágil ao contrário. Ao invés de cliente presente nós temos o técnico presente. Eles realizam o trabalho de definir o que o sistema vai ser, eu só estou lá para dizer o que faz ou não sentido tecnicamente. Em um mundo ideal teríamos todo o time técnico presente (considerando que um time ágil não é nunca grande), mas como somos uma consultoria e cobramos por tempo o cliente quer, obviamente, minimizar custos em um projeto que ele ainda nem sabe se vai construir.

A Inception é muito curta. Ela precisa ser curta porque, já que não pretende entregar nada alem de uma visão geral do projeto, o desperdício precisa ser minimizado. As pessoas mais experientes dizem que nenhum projeto ágil pode ter mais de duas semanas de Inception.

As entregas são freqüentes, temos um showcase por semana (i.e. 2 no total) onde são apresentados aos stakeholders que não participam dos workshops (geralmente a alta gerencia) o que desenvolvemos naquele período: definições sobre o que o projeto é e o que ele não é. Como a maioria dos processos ágeis nós usamos ferramentas de baixa tecnologia como post-its e cartões, estes são fotografados e/ou convertidos em slides.

A entrega final depende do cliente. Em geral nós sempre temos uma lista com as histórias identificadas nestas duas semanas e suas estimativas de alto nível, formando um backlog inicial para o projeto começar. Também temos o que alguns poderiam chamar de project charter, mas ao invés de páginas e páginas de documentos temos um deck de slides com basicamente a consolidação dos dois showcases.

E qual o papel do tal analista de negócios nisso tudo? Eles trabalham junto com os stakeholders para gerar uma visão única do projeto (já que possivelmente cada stakeholder que uma coisa diferente) e transformar isso em algo que possa ser executado (histórias). No meio do caminho eles ajudam a eliminar desperdício, introduzir idéias novas, validar os pedidos, conferir viabilidade e tudo mais que não faz parte do papel de um desenvolvedor e sim de alguém que, de fato, entenda do negócio do cliente.

Desde quando trabalhávamos juntos que eu converso bastante com o Antônio Carlos sobre este tipo de coisa. No nosso ambiente nós tínhamos clientes que não sabiam o que queriam e desenvolvedores que não entendem do negócio. O resultado final era que nada que ia pro ar era exatamente o que o cliente queria, seja por falha de comunicação ou porque ele mudou de idéia e “esqueceu” de avisar aos desenvolvedores.

Note que o papel do analista de negócios não elimina a necessidade de termos um cliente presente. Não existe mapeamento de requisitos ou coisas do tipo, além de usar seu expertise naquele domínio em específico, o analista de negócios age como facilitador e não como ponte entre cliente e desenvolvedores. Ele também não é um tradutor, os termos de negocio e os processos devem ser entendidos por todos os envolvidos. Após a Inception o cliente não fica de fora do projeto, só voltando para colher os frutos. Ele faz parte da equipe o tempo todo, um analista de negócios, por melhor que seja, nunca substitui seu valor.

Esta fase do processo também responde a uma eterna discussão o fato de que XP (que é a metodologia-base usada na ThoughtWorks) não tem “foco em negócios”. Nem é para ter! XP ou qualquer metodologia ágil que se preze vai focar em pontos específicos. XP não atende a todo o ciclo de vida do projeto, ele faz parte do ciclo de vida. Quando a Inception acaba começa a Iteração 0 e daí o XP entra em ação.

Update: O Guardian, que passou pelo processo descrito aqui, tem um post bem legal sobre o assunto.

Apresentação no FalandoEmAgile

Wednesday, October 29th, 2008

O evento foi sensacional. Tirando algumas coisas bem… interessantes… todas as apresentações tiveram um nível excelente.

Apos ficar bufando por meia-hora no palco e dar mais motivos para a minha esposa reclamar da minha falte de exercício físico eu acho que a minha apresentação foi razoável. Eu ainda estou respondendo e-mails que recebi com relação à alguns pontos tocados, pelo visto valem uma série de posts.

Foi também minha primeira experiência com apresentações sofisticadas no Keynote. Um dos problemas deste tipo de coisa é que a versão em PDF fica horrível. De qualquer forma, aí está:

A Caelum está mais que de parabéns.

Festa Retardatária

Wednesday, September 24th, 2008

Em 2003 eu liguei para o escritório da ImproveIT e falei com o Vinicius Telles. Ele certamente não se lembra disso. Perguntei sobre os cursos da empresa em XP, datas e preços. O que o Vinicius me falou na ocasião foi que não havia muita demanda para este tipo de curso e que por isso eles eram oferecidos muito esporadicamente ou apenas para empresas em turmas fechadas. Como eu falei que possuía um pequeno time e um orçamento de tamanho semelhante ele sugeriu que eu comprasse alguns livros e usasse listas de discussão.

Se eu precisasse de algo semelhante no Brasil hoje, não teria este problema. Não este, ao menos. O meu maior problema seria encontrar, no meio do mar de ofertas, quem contratar.

Apesar de estar relativamente afastado da comunidade brasileira –o que pode ser percebido pela falta de atualizações freqüentes aqui- eu acompanho listas e fóruns e pude ver como as coisas mudaram nos últimos meses. Listas de discussão sobre métodos ágeis foram invadidas por ofertas de treinamentos, cursos, coaching e mentoring. Algumas listas que eram bem interessantes viraram apenas um veículo para a divulgação de serviços.

E como aferir as credenciais dos prestadores de serviço? Boa pergunta. Algumas desta pessoas, segundo meu histórico do Gmail, estavam oferecendo cursos de levantamento de requisitos no melhor estilo waterfall há alguns meses. Outros possuem treinamentos cujo programa é apenas uma xerox do Certified Scrum Máster –se o treinamento de SCM original já possui valor real muito baixo imagina quando o mesmo conteúdo é ministrado por alguém que não possui a experiÊncia habitual dos CST.

Outros dizem que já trabalharam para 50,60…100 empresas com metodologias ágeis. Estes são meus favoritos. Supondo que o sujeito tenho começado a trabalhar com metodologias ágeis em 2001 -quando o Agile Manifesto foi assinado- e já passou em 50 empresas, ele teria passado apenas um mês em cada empresa, na média. Além do fato de que eu duvido que estes pratiquem técnicas ágeis desde 2001, em minha vida eu vi poucos projetos de apenas um mês que tenham sido relevância para o currículo de alguém. Como previsto, os agilistas retardatários estão em todo lugar, cuidado.

Existe um trecho do Phillip Krutchen no seu livro de RUP que eu acho que se aplica com perfeição para algumas coisas que eu tenho visto por aí:

A Major Misconception

Although the four phases of a RUP project (Inception, Elaboration, Construction, and Transition) are run sequentially, remember at all times that the RUP lifecycle is fundamentally iterative and risk-driven. There is a big misconception that we would like to push aside very early in our discussion: The various phases are not simply a renaming (to sound fancy or different) of the classical phases of a waterfall process. From practitioners making their first acquaintance with the RUP, we have frequently heard, “Oh, I get it! In Inception you do all the requirements, in Elaboration you do the high-level design, in Construction you write the code, and you finish the testing in Transition.”

In trying to match the RUP to their current practice, they completely miss the point of iterative development. Yes, in the early weeks or months of a project the emphasis is very likely to be more on requirements and during the final weeks or months to be more on testing and polishing. This change in focus across the lifecycle is precisely what is hinted at by the “humps” on the lifecycle iteration graph (see Figure 1.3); the height of the humps varies across the cycle. But inside each phase, you plan iterations (see how in Chapter 12), and each of these iterations includes many of the software development activities to produce tested code as an internal—and later external—release.

Muitas das pessoas que hoje oferecem serviços em métodos ágeis foram exatamente as mesmas pessoas que criaram toda a confusão sobre fases no RUP. Substituindo iterative por agile (que egloba desenvolvimento iterativo) em “In trying to match the RUP to their current practice, they completely miss the point of iterative development” vai ter exatamente o cenário atual.

Um exemplo disto é a forma como alumas pessoas tentam transformar XP em algo mítico e irreal. Em discussões recentes eu vi gente taxando o XP como inferior à coisas como Scrum porque ele “visão de negócios” ou “focada em engenharia”. Mas heim?

A parte da “engenharia” é engraçada. XP é uma metodologia para desenvolvimento de software e como de se esperar ela possui praticas que estão ligadas com… er… desenvolvimento de software!

E a paixão pelo Scrum é algo fantástico. Uma busca por “Scrum framework” no meu Gmail traz milhares de emails de listas de discussão. As pessoas adoram Scrum porque é um “framework para processo”. Muito flexível, muito pratico e te deixa adotar suas praticas de engenharia favoritas. O Scrum pode ser extremamente formal ou informal.

Uhm… onde é que eu vi isso antes?

The RUP is also a process product that provides you with a customizable process framework for software engineering. You can configure the RUP product to support small or large teams and disciplined or less-formal approaches to development. It also allows you to add your own best practices and to share experiences and artifacts with peers and experts.

O que talvez muita gente não perceba é que há sempre um jogo de compensação em metodologias ágeis. Os valores definidos no Manifesto Ágil não são facilmente atingíveis e as praticas do XP são uma forma (não necessariamente melhor ou pior) de atingi-los. Obviamente você consegue atingir os valores através de praticas diferentes mas o que eu vejo é a maioria das pessoas usando as mesmas praticas que já usavam antes, talvez com cartões ao invés de documentos Word, e esperando que seja diferente do passado.

Misturar praticas é algo sadio quando feito por alguém que entende como estas se relacionam, mas a maioria das pessoas apenas está jogando as que não entendem ou são difíceis de vender. Eu já estive em diversas empresas brasileiras onde “ágil” significava colocar cartões na parede e ficar em pé meia hora todo dia de manhã.

Mas o que eu quero dizer, que você não deve contratar pessoas para ajudar sua empresa a adotar método ágeis? De jeito nenhum. Apesar de não prestar serviços no mercado brasileiro meu trabalho consiste exatamente nisso, seria bem estranho eu advogar contra. Este texto é apenas um desabafo e um alerta.

Um alerta porque através de amigos e colegas eu já estou vendo muitas empresas jogando dinheiro fora com treinamento, consultoria e mentoring sendo prestados por pessoas que possuem pouca ou nenhuma experiência a mais que os próprios alunos.

Desabafo porque acho que finalmente entendi porque a ImproveIT saiu do mercado de consultoria e coaching.

Brazilian Tour 2008: Falando em Agile, Domain-Driven Design

Monday, September 1st, 2008

Outubro vai ser um mês bem interessante. Vou entregar um dos meus projetos mais importantes até agora (pelo menos é o que nossas previsões dizem) e vou passar 15 dias entre férias e eventos no Brasil.

O motivo principal é para realizar uma apresentação no Falando em Agile 2008, mais um evento da Caelum. As inscrições estão abertas e inscrevendo-se com antecedência você consegue desconto.

Minha palestra vai ser sobre um tema que venho desenvolvendo há algum tempo: como adoções ágeis que tinham tudo para dar certo afundam. Antes de entrar para a ThoughtWorks eu já tinha vivido esta situação pelo menos duas vezes, nestes nove meses trabalhando numa grande consultoria especializada eu já vi umas três. Todas tinham um grupo de sintomas bem parecidos o quais estou tentando estruturar. Não é lá muito fácil mas acho que o resultado tende a ser bom. Se você acha que Vovô viu a uva, a web somos nozes, arquitetura BOLOVO e amigos foram piadas infames e de mau-gosto mal podem esperar pela temática desta apresentação…

Uma das coisas mais interessantes sobre o FalandoEmAgile 2008 para mim vai ser a presença do Danilo Bardusco na grade. O Danilo foi meu gerente na Globo.com antes de assumir tudo-menos-webmedia, quando passei a responder diretamente ao Antônio Carlos. Naquele momento a empresa viva diversas histórias tristes com métodos baseados em Waterfall, micro-management e consultorias CMMI 5; apesar dele não acreditar que aquilo ia dar certo no início foi sua perseverança e abertura à inovação que possibilitou aquele trabalho inicial que hoje, graças ao trabalho de todos, é referencia. O grande defeito dele é aquela mania infeliz de usar Vi quando todo mundo sabe que emacs é o único editor de texto que deveria ser utilizado. Mas eu perdôo.

Como falei, são 15 dias no Brasil. Eu ainda não sei as datas do que vou fazer mas devo ter algumas outras apresentações de palestras no Rio (certamente no RioJUG) e em São Paulo.

Como eu já estava vindo para o Brasil, acabei fechando com a Caelum uma série de oficinas em Domain-Driven Design. A idéia é cobrir os principais aspectos desta filosofia de design de uma maneira descontraída mas substancial. O primeiro post que menciona Domain-Driven Design neste blog é de 2005, e foi importado do meu antigo blog no blogger.com. Nesta época quase ninguém havia ouvido falar do conceito. Hoje ainda é algo relativamente obscuro mas um pouco mais popular. Claro que com a popularidade vem os problemas. Muita gente no GUJ, em blogs e outros fóruns está simplesmente associando Domain-Driven Design com um bom design Orientado a Objetos, ou pior ainda: com qualquer design OO.

Ao contrario do recente mito popular, Domain-Driven Design não é “voltar para Orientação a Objetos”. Orientação a Objetos foi criada como uma maneira de gerenciar dependências e criar unidades coesas e atômicas de código, não necessariamente uma forma de modelar uma Camada de Negócios. O que Domain-Driven-Design traz de volta é a possibilidade de utilizar as vantagens da Orientação a Objetos para criamos um modelo que reflita o mundo real de maneira mais íntima. Você não precisa sequer de objetos para aplicar o coração de Domain-Driven Design, ou mesmo seus Patterns.

A parte do “substancial” que falei acima é exatamente esta: não misturar Orientação a Objetos com Domain-Driven Design e sim trabalhar a relação entre eles. A parte “descontraída” é na forma de passar este conhecimento. Após alguns anos ministrando treinamentos eu não tenho a fórmula ideal para passar este tipo de conteúdo (altamente abstrato e que requer conhecimento posterior) mas eu já aprendi por tentativa e erro diversas formas em que isso não dá certo –pelo menos não comigo. Duas delas são: aulas expositivas e laboratórios. Se você não entende porque aulas expositivas não servem para este tipo de coisa pense sobre todo o conteúdo que é quase que literalmente jogado em cima de alguém numa faculdade e quanto dele é entendido (e entender não é tirar 10 na prova). O problema de laboratórios é que sempre perde-se tempo com a máquina, ou a linguagem (este não é um workshop Java ou Ruby ou C#, é um workshop sobre objetos).

Eu não tenho as datas nem preços (já encheu o saco da Caelum hoje?) mas vamos ter sessões em outubro no Rio e São Paulo, a preços acessíveis.