Archive for the ‘domain.driven.design’ Category

Domain-Driven Bolovo, Passando Conhecimento e etc.

Monday, January 18th, 2010

Segue uma seqüência aleatória quase coesa de pensamentos que me vieram a cabeça enquanto esperava meu vôo para Salvador.

Paulo Silveira surgiu com o termo BOLOVO, usado para indicar uma arquitetura baseada em VOs e BOs, enquanto preparávamos os slides para nossa apresentação em conjunto no JustJava em 2007.

O artigo original sobre BOs e VOs fala basicamente sobre como a arquitetura proposta por EJBs na especificação antiga (2.x) prejudicou o entendimento da comunidade em geral sobre como criar a aquitetura de uma aplicação.

Três anos se passaram mas o artigo ainda recebe um numero de acessos razoável –e eu vivo prometendo que vou atualizá-lo. A última vez que tive que escrever um EJB 2.x foi em 2007, desde então –talvez por sorte- nunca mais entrei em um projeto que usasse estas aberrações. Muitos programadores de hoje em dia começaram suas carreiras na época que EJB já estava morrendo e nunca tiveram o desprazer de lidar com esta porcaria. É de se esperar que estas pessoas, tendo estado sempre cercado por IoC, DDD e técnicas bem razoáveis, iria olhar para um artigo como o que escrevi da mesma forma que eu olho para um livro de linguagem de máquina para Apple II –interessante no contexto histórico mas quase que apenas uma curiosidade.

Vira e mexe, entretanto, eu sou lembrado do porque o artigo ainda recebe tantas visitas todo dia. Os programadores mais novos podem não ter sido influenciados pelos problemas dos EJBs mas ele ainda foram ensinados à programar de uma só maneira: código procedural.

Quando estava preparando a primeira iteração do workshop de Domain-Driven Design que faço em parceria com a Caelum eu escrevi um texto para explicitar meu raciocínio sobre como Domain-Driven Design se difere de Orientação a Objetos. No workshop em si eu dediquei boa parte da manhã falando sobre este tema.

E por quê? Porque da mesma maneira que as pessoas utilizavam os conceitos de EJB completamente fora de contexto o mesmo está acontecendo com Domain-Driven Design. É bem comum, em uma conferencia ou algo do tipo, alguém vir conversar comigo sobre como a empresa dele está eliminando todos os BOs e VOs. No meio da conversa a pessoa começa a me explicar a arquitetura e eu vejo que praticamente o que eles fizeram foi renomear UsuarioBO para UsuarioService e UsuarioVO para Usuario. Repositórios, então… estes são tão mal utilizados que deram origem à vários textos aqui:

Independente do uso de DDD e seus padrões ou não eu realmente esperaria que, em 2010, as pessoas já houvessem entendido como objetos deveriam ser criados. A quantidade de material disponível gratuitamente na Internet e em múltiplos idiomas é ridiculamente grande.

Me levou muito tempo para entender que não importa a quantidade de material disponível. Em minha experiência, a maneira mais eficiente de introduzir estes conceitos é programação em par. Quando um cliente me chama para introduzir estes conceitos em seu time eu sempre tenho que tentar explicar porque isso não pode ser apenas um treinamento. Ë difícil de entender porque eu posso treinar alguém em algo complexo como uma linguagem de programação mas não em uma técnica com mais de 40 anos que exige como pré-requisito nada mais que conceitos lógicos básicos. Eu, pessoalmente, não faço a menor idéia do porque as coisas são assim, só sei que o são.

Normalmente eu começo o trabalho com uma apresentação rápida, apenas para tentar fazer as pessoas entenderem o que diabos eu vou tentar fazer. Um exemplo de uma destas apresentações:

E logo depois começamos a parear. O ideal é termos pelo menos 1 coach para cada dois pares, mas nem sempre este número é viável. Quando a quantidade de pessoas exceed muito a quantidade de coachs a melhor solução parece ser pareamento promíscuo, mudando os pares em intervalos bem curtos de tempo.

Nestes últimos anos eu tive diversas oportunidades de reencontrar clientes e parceiros depois da conclusão do projeto ou treinamento. Na minha experiência os times que tiveram apenas treinamento retêm apenas uma ou outra coisa do todo, eles entendem o todo mas não conseguem aplicar na prática –e aí mora o perigo do Domain-Driven BOLOVO. Os times onde utilizei coaching como meio de transmissão de conhecimento tendem a ser o contrario: eles usam as técnicas no dia-a-dia mas não entendem o todo. Ao não entender o todo eles não conseguem evoluir alem do que o que lhes foi passado durante aquele período.

É de se esperar que o primeiro grupo seja mais valioso para um empregador. Na prática, entretanto, não parece ser o caso. Um treinamento, um livro, etc. podem curar a deficiência do segundo grupo e tendem a ser bem mais baratos e eficientes que gastar dinheiro com um consultor que cobra por hora. O grande benefício que o consultor vai te trazer é que ele sabe –ou deveria- como utilizar aqueles conceitos na prática. O melhor uso do consultor neste caso é trabalhar com o time no dia-a-dia e realizar pequenas sessões de treinamento –no meu caso geralmente isso significa 20 minutos por semana- conforme necessário.

Preparações e Desculpas Esfarrapadas

Monday, October 26th, 2009

Para variar, a desculpa para não ter escrito mais frequentemente é a preparação requerida para a viagem ao Brasil. Eu sei que é uma desculpa esfarrapada mas infelizmente esta etapa envolve mais do que fechar malas e comprar canguru de pelúcia para as sobrinhas, meus últimos dois projetos requereram muita atenção e neste exato momento eu estou finalizando os últimos detalhes de um deles.

Isso fez com que meus planos se alterassem um pouco. Infelizmente não vou ter tanto tempo quanto gostaria para encontrar pessoas, especialmente fora do Rio. Ainda vou em alguns lugares mas nada perto do que tinha em mente antes.

Sobre o evento, acho difícil haver alguém que ainda não tenha esbarrado com um dos banners ou coisa parecida sobre o Caelum Day. A programação está bem interessante e promete ser um dia útil e divertido.

Minha apresentação vai focar no que eu mais tenho feito nestes últimos dois anos: fazer com que times de desenvolvimento saiam do marasmo e comecem a entregar. Não me venha com essa história de “minha metodologia não deixa”, “meu chefe é mau”, etc., todo lugar tem problemas e as coisas dependem de você. A apresentação possui dicas e fundamentos técnicos mas sem vontade nada vai pra frente.

E para, refletir de maneira bem realista o clima da indústria de desenvolvimento de software, este ano eu escolhi mais uma vez filmes de terror para servir de pano de fundo (e comic relief). Ao contrário do ano passado, entretanto, eu escolhi um filme em específico. O primeiro comentário quem acertar o filme baseado na capa da apresentação abaixo ganha… algo… que eu ainda vou decidir:

caelum rio day

As inscrições ainda estão abertas aqui.

Para o workshop de Domain-Driven Design não há mais vagas –mas existe uma lista de espera.

Algumas pessoas ficaram curiosas porque escrevi no meu blog em inglês que acho o assunto (DDD) tedioso. Existe uma enorme demanda de cursos sobre o tema e o Paulo Silveira e eu decimnos que valia a pena realizar mais uma rodada dos cursos. Eu continuo usando Domain-Driven Design em meus projetos e textos, mas o assunto já está meio batido e mastigado.

Na minha opinião, DDD deveria ser parte de um curso maior sobre design em geral, um workshop específico tem relevância quando o assunto é novidade mas perde o apelo quando a técnica começa a ser utilizada por mais gente. Tenho lido mais sobre outras coisas e, se tudo der certo, vamos ver se em 2010 eu consigo aposentar o workshop de DDD e partir para estas novas coisas.

Bom, por enquanto é isso. Nos vemos semana que vem.

Refletindo sobre Tendências

Friday, July 10th, 2009

Recentemente muita gente tem me procurado nos instant messengers da vida para perguntar sobre tendências. Existe uma idéia no Brasil de que quem está de for a “traz as novidades”. Isso podia ser verdade antes da Internet mas agora as coisas se espalham com tanta velocidade que em muitos aspectos o Brasil está muito na frente da Austrália.

Mas existe o outro lado que é o trabalho na ThoughtWorks. Os projetos que nós enfrentamos geralmente começam da mesma maneira que os que qualquer consultoria, de três letrinhas ou três pessoas, enfrenta. O diferencial que faz ser um lugar interessante para se trabalhar é o que acontece durante o projeto.

O que segue neste post é uma amarrado de impressões pessoais sobre os últimos doze meses, tanto sobre a Austrália quanto o que sei de outros escritórios. Se ele não for coeso ou fácil de ler eu peço desculpas mas encare como um braindump.

Os projetos para bancos e empresas do mercado financeiro em geral continuam bem parecidos. Em 2007 houve uma euforia em torno da bolha econômica e muitos projetos megalomaníacos –e, por conseqüência, extremamente interessantes do ponto de vista técnico- apareceram mas a crise os tirou do baralho nos tempos recentes. Os bancos estão gastando menos e buscando fazer mais dinheiro reutilizando a estrutura existente. A maioria dos projetos que eu tenho conhecimento dentro de bancos é para estender uma determinada oferta para novos clientes ou é para migrar de uma plataforma legada para algo menos dispendioso.

O interessante sobre o “legado dispendioso”, dentro e fora de bancos, é que muitas vezes ele se trata de coisinhas como WebSphere, Aqualogic, Biztalk, Tibco e produtos parecidos. Apos gastar rios de dinheiro implantando estes e não ver nenhum centavo de retorno real muitos dos grandes estão migrando para plataformas mais eficientes, quase sempre baseadas em software livre. Hoje em dia são comuns projetos de migração de Websphere para Jetty ou de BizTalk para serviços RESTful usando IIS, JSON e ASP.Net MVC, por exemplo.

Na parte de aplicações para Internet, onde geralmente eu me envolvo mais, as coisas também têm mudado bastante. Basicamente os projetos têm se dividido em startups e legado. As startups aparecem com um problema e algum montante de dinheiro. A plataforma mais utilizada para atender estes cenários é Ruby on Rails, geralmente fazendo deployment em algum serviço de Cloud Computing.

Cloud Computing é um tópico extremamente relevante tanto para ThoughtWorks quanto nos nossos clientes. Uma das coisas interessantes que fizemos no início do ano foi trabalhar junto com o Google no lançamento da AppEngine em Java (e outras linguagens).

As empresas com legado de Internet são sempre interessantes. Geralmente elas são algum grande prestador de serviço na área de mídia e possuem um ou mais websites antigos que têm aquela arquitetura manjada de rodar em um Weblogic ou Tomcat com um Apache de front-end. O problema é que hoje em dia o numero de usuários é muito superior e a velocidade com que funcionalidades têm que ser adicionadas e alteradas é muito maior. Após entender que os Googles e Facebooks da vida não usam Java EE e não pagam licença para a IBM as empresas estão desesperadas para atingir o mesmo nível de eficiência.

O que temos feito nesta área é utilizar a já citada Cloud Computing para realizar tarefas que não precisam ser executadas dentro do firewall (de crawling até rodar teste de carga), refatorar aplicações grandes para atingir escalabilidade horizontal e simplificar processos de deployment e gerenciamento de recursos.

Na área mais de programação em si as coisas não têm sido lá muito excitantes. As plataformas em específico não têm nenhuma novidade marcante mas a programação poliglota é uma realidade. Até hoje todos os projetos que tive alguma participação dentro da ThoughtWorks utilizavam mais de uma linguagem de programação (já descontando Bash e JavaScript).

Uma surpresa agradável foi a que tive no meu projeto atual, em que voltei a programar em .Net após 3 anos afastado. A maioria das coisas que eu realmente não gostava sobre C# e seu ecossistema foram removidos (exceto Windows e Visual Studio, duas peças que eu considero de qualidade inferior). A Microsoft continua enfiando frameworks e ferramentas terríveis pela guela dos seus clientes (MSBuild? TFS? WCF? WTF?!?) mas no geral as coisas estão bem melhores.

Em termos de livros sobre programação eu tenho me focado quase que exclusivamente nos conceitos presentes em linguagens e paradigmas de programação. Esta é a lista de livros relacionados que eu li desde que cheguei aqui:



Esta é a fila dos que faltam:


(fora os que ainda estão no meu carrinho de compras na Amazon. Livro na Austrália é ridiculamente caro)

Na parte de gerenciamento de projetos e metodologias as coisas estão engraçadas. Tem horas que a euforia anima, tem hora que dá náusea. Eu acho que o Bellware resumiu muito bem:

early agile adopters were looking for a way to do things better. later adopters are just trying to do agile, thus the failures

Eu vim para a ThoughtWorks para ver como é que quem introduz métodos ágeis há anos trabalha. Nos últimos meses eu trabalhei com pessoas que fazem isto há mais de dez anos e em empresas que adotaram agile antes de eu saber que ele existia. O que eu aprendi neste período inicial é exatamente o descrito acima: quando seu objetivo é ser ágil você falha, quando seu objetivo é sempre melhorar você tem chances de sucesso.

Todos os projetos que participei foram bem sucedidos? Depende de para quem você pergunta. Mesmo os clientes mais difíceis que tive acabaram ficando satisfeitos no final mas muitos projetos que participei (e o número de projetos é bem maior que o número de clientes) foram executados de uma maneira que o time não ficou satisfeito. Eu acho que neste caso é perspectiva. Como a maioria dos projetos são um fracasso colossal basta ter algum nível de sucesso que o projeto vira referência. O time, em compensação, tem um critério de sucesso muito mais alto e não considera o projeto como bem-sucedido.

É claro que no fim das contas o que vale mais é a opinião do cliente –tanto porque o problema dele foi solucionado bem como porque é ele quem paga a conta no final- mas eu já vi diversos problemas decorrentes deste tipo de coisa. De builds que começaram em 10 minutos e terminaram em duas horas de duração até um time que perde 50% do seu tempo corrigindo defeitos por falta de uma suíte de testes decente. Os problemas podem não ser grandes para aquele projeto em específico mas não prestar atenção há eles é mortal em médio prazo.

Minha conclusão é que a indústria está num estado melhor do que há alguns anos atrás. Tecnicamente estamos entrando em uma espécie de renascimento e isso promete render muito material para posts aqui. Em termos de gerencia de projetos e processos as pessoas estão finalmente se convencendo que tudo tem limite, até ineficiência.

Domain-Driven Design & Agile: Fechando Malas

Wednesday, October 8th, 2008

Como falei algumas dezenas de vezes estou no fim de um projeto, na verdade na minha última semana neste instante. Foi um projeto muito interessante onde pudemos aplicar diversas técnicas como Domain-Specific Languages para testes e promoção de testes de aceitação. Também foi o primeiro projeto Java sem container que participei desde 2006, apenas PicoContainer, Hibernate, JMX e um cliente JMS -sem mesmo interface de usuário.

Outro ponto interessante sobre este projeto é que foi uma reescrita de um sistema com o qual estive envolvido antes. O cliente está passando por um programa que compreende diversos projetos e muitas fases. Há alguns meses nós fomos chamados para entregar, em algumas poucas semanas, uma versão deste sistema. Na nova fase do projeto eles resolveram investir mais na qualidade deste e tivemos uns bons 3 meses para reescrever tudo. Não só o sistema foi completamente reescrito bem como teve um time diferente (no anterior erámos eu e um colega ThoughtWorker, no atual somos 5 pares entre TWers, empregados do cliente e outros terceirizados).

O problema agora é a pressa. Não, o projeto não está com pressa, nossa entrega é em uma semana e faltam poucos cartões na parede. Eu que estou. Estou saindo deste projeto com muita coisa que eu queria fazer ainda meio-acabada e nesta última semana estou me dedicando basicamente a criar tracing bullets para o desenvolvimento futuro já que quem toma conta do sistema a partir da entrega de 15/10 é o cliente. Não é fácil com tão pouco tempo.

E esta lenga-lenga foi um mea-culpa para maiores informações sobre minha viagem ao Brasil. O press-release ficou assim:

Dia 23 e 24 de outubro ocorre em São Paulo o primeiro grande evento de Agile do Brasil:
http://www.falandoEmAgile.com.br/

Ouça as histórias de empresas que tem obtido sucesso com Scrum, entenda como estas práticas podem ser implantadas em ambientes tradicionais de projetos, veja o que a indústria tem falado e feito com Agile e descubra quais serão os próximos passos a serem dados nesse mundo. Conta com o palestrante internacional David Anderson, reconhecido líder na comunidade Ágil e autor do livro “Agile Management for Software Engineering”, e com o primeiro Certified Scrum Trainer da Scrum Alliance da América Latina, Alexandre Magno. De tópicos de Scrum e CMMI até estudos de caso com Agile na Austália, Inglaterra, Estados Unidos e Brasil.

Ocorrerão mais outros eventos próximos a essas datas:

O Zen of Agile, nos dias 21 e 22, um workshop com David Anderson:
http://www.heptagon.com.br/ws-zen-agile-mgmt

O Certified ScrumMaster, dias 27 e 28 de outubro:
http://www.caelum.com.br/treinamentos/csm-certified-scrum-master/

E por três vezes Phillip Calçado, conhecido aqui no GUJ, ministrará um workshop de Domain Driven Design de 8 horas, dia 21 de outubro no Rio de Janeiro, e dias 27 e 28 em São Paulo:
http://www.caelum.com.br/treinamentos/ws-46-domain-driven-design/
http://blog.fragmental.com.br/2008/09/01/brazilian…em-agile-domain-driven-design/

Está sendo divertido montar este workshop. É algo estranho porque é maior que uma palestra e menor que um curso -ao mesmo tempo é tempo demais e tempo de menos. Eu quero começar desmistificando alguns conceitos sobre objetos, trabalhando a idéia das decisões em três níveis e só depois entrar em Domain-Driven Design. É impressionante como fica mais claro falar sobre DDD depois de quebrar mitos, numa palestra nunca se tem tempo de fazer isso.

Como falei antes, para maiores informações basta ligar para a Caelum do Rio ou São Paulo.

E com a confirmação das datas eu muito provavelmente vou estar também no último dia do Rails Summit.

Brazilian Tour 2008: Falando em Agile, Domain-Driven Design

Monday, September 1st, 2008

Outubro vai ser um mês bem interessante. Vou entregar um dos meus projetos mais importantes até agora (pelo menos é o que nossas previsões dizem) e vou passar 15 dias entre férias e eventos no Brasil.

O motivo principal é para realizar uma apresentação no Falando em Agile 2008, mais um evento da Caelum. As inscrições estão abertas e inscrevendo-se com antecedência você consegue desconto.

Minha palestra vai ser sobre um tema que venho desenvolvendo há algum tempo: como adoções ágeis que tinham tudo para dar certo afundam. Antes de entrar para a ThoughtWorks eu já tinha vivido esta situação pelo menos duas vezes, nestes nove meses trabalhando numa grande consultoria especializada eu já vi umas três. Todas tinham um grupo de sintomas bem parecidos o quais estou tentando estruturar. Não é lá muito fácil mas acho que o resultado tende a ser bom. Se você acha que Vovô viu a uva, a web somos nozes, arquitetura BOLOVO e amigos foram piadas infames e de mau-gosto mal podem esperar pela temática desta apresentação…

Uma das coisas mais interessantes sobre o FalandoEmAgile 2008 para mim vai ser a presença do Danilo Bardusco na grade. O Danilo foi meu gerente na Globo.com antes de assumir tudo-menos-webmedia, quando passei a responder diretamente ao Antônio Carlos. Naquele momento a empresa viva diversas histórias tristes com métodos baseados em Waterfall, micro-management e consultorias CMMI 5; apesar dele não acreditar que aquilo ia dar certo no início foi sua perseverança e abertura à inovação que possibilitou aquele trabalho inicial que hoje, graças ao trabalho de todos, é referencia. O grande defeito dele é aquela mania infeliz de usar Vi quando todo mundo sabe que emacs é o único editor de texto que deveria ser utilizado. Mas eu perdôo.

Como falei, são 15 dias no Brasil. Eu ainda não sei as datas do que vou fazer mas devo ter algumas outras apresentações de palestras no Rio (certamente no RioJUG) e em São Paulo.

Como eu já estava vindo para o Brasil, acabei fechando com a Caelum uma série de oficinas em Domain-Driven Design. A idéia é cobrir os principais aspectos desta filosofia de design de uma maneira descontraída mas substancial. O primeiro post que menciona Domain-Driven Design neste blog é de 2005, e foi importado do meu antigo blog no blogger.com. Nesta época quase ninguém havia ouvido falar do conceito. Hoje ainda é algo relativamente obscuro mas um pouco mais popular. Claro que com a popularidade vem os problemas. Muita gente no GUJ, em blogs e outros fóruns está simplesmente associando Domain-Driven Design com um bom design Orientado a Objetos, ou pior ainda: com qualquer design OO.

Ao contrario do recente mito popular, Domain-Driven Design não é “voltar para Orientação a Objetos”. Orientação a Objetos foi criada como uma maneira de gerenciar dependências e criar unidades coesas e atômicas de código, não necessariamente uma forma de modelar uma Camada de Negócios. O que Domain-Driven-Design traz de volta é a possibilidade de utilizar as vantagens da Orientação a Objetos para criamos um modelo que reflita o mundo real de maneira mais íntima. Você não precisa sequer de objetos para aplicar o coração de Domain-Driven Design, ou mesmo seus Patterns.

A parte do “substancial” que falei acima é exatamente esta: não misturar Orientação a Objetos com Domain-Driven Design e sim trabalhar a relação entre eles. A parte “descontraída” é na forma de passar este conhecimento. Após alguns anos ministrando treinamentos eu não tenho a fórmula ideal para passar este tipo de conteúdo (altamente abstrato e que requer conhecimento posterior) mas eu já aprendi por tentativa e erro diversas formas em que isso não dá certo –pelo menos não comigo. Duas delas são: aulas expositivas e laboratórios. Se você não entende porque aulas expositivas não servem para este tipo de coisa pense sobre todo o conteúdo que é quase que literalmente jogado em cima de alguém numa faculdade e quanto dele é entendido (e entender não é tirar 10 na prova). O problema de laboratórios é que sempre perde-se tempo com a máquina, ou a linguagem (este não é um workshop Java ou Ruby ou C#, é um workshop sobre objetos).

Eu não tenho as datas nem preços (já encheu o saco da Caelum hoje?) mas vamos ter sessões em outubro no Rio e São Paulo, a preços acessíveis.

Domain-Driven Design é Simples: Basta Chamar DAOs de Repositórios

Thursday, May 22nd, 2008

Um fenômeno notado no Oriente e no Ocidente é a notável incapacidade de se entender o que raios é Domain-Driven Design. Na minha opinião isso é causado elo fato de que para chegar num nível onde DDD te ajuda você já precisa ter uma base formada e essa base não é comum. Eu vejo muitas pessoas tentando entender a solução quando na verdade elas deviam estar tentando chegar ao problema primeiro.

Uma das conseqüências deste comportamento é a síndrome do Padrão-de-Prata. Todo mundo sabe que Não existe bala de prata mas, hei, ninguém falou nada sobre padrões (ou frameworks, ou plataformas…) então, buscando respostas fáceis é comum se associar Domain-Driven Design aos padrões Entity, Repository, Value Object e amigos.

O que parece bem difícil de entender é que o ponto todo não é usar os padrões e sim porque você os usa. As técnicas dos padrões em si é muito antiga e o livro não traz nada de novo exceto sobre como utiliza-los para atingir o Domain-Driven Design. O que qualquer tópico no GUJ sobre o assunto (e mesmo na lista sobre Domain-Driven Design) não parece entender é que os padrões são um meio e não um fim.

Eu já repeti algumas vezes que você pode utilizar todos os padrões do Eric Evans e ainda assim não usar DDD. Nos últimos meses eu vivi um exemplo claro.

O cliente em questão é uma empresa de comunicação. Ela produz algo que você pode simplificar como um jornal de classificados. Os jornais em si são gerenciados e impressos por um sistema antigo e uma equipe de mais de 30 pessoas foi destacada para criar a versão online deste.

Como o sistema é antigo ele não oferece qualquer interface para conexão, logo a solução encontrada foi acessar o banco de dados diretamente. Como os dados continuam sendo inseridos pelo sistema antigo (e este não muda desde 1998) não existe muito problema nisso.

O projeto possui um time excelente, um dos grupos de pessoas mais capacitadas com quem já trabalhei, mas ainda assim não conseguiam andar. A velocidade da entrega das histórias estava bem abaixo do esperado e o nível de retrabalho era ridiculamente grande, mesmo com clientes on-site. Apos verificar que se a deadline não fosse cumprida eles teriam corte no orçamento chamaram consultores para avaliar a situação.

A primeira coisa que um consultor pensa quando chega num lugar desse é que eles não estão seguindo um processo ágil de verdade. É extremamente comum entrar numa empresa “Agile de carteirinha”e ver um processo que na verdade é composto por mini-waterfalls, tão comum que a solução default é mudar o processo. Não era o caso. O processo era legitimamente ágil, da análise de negócios à homologação, e a equipe, como disse, era excelente.

Apos alguns dias fazendo pair programming percebi uma coisa errada com o vocabulário. Era extremamente difícil entender conceitos simples da aplicação e cada reunião que se ia o vocabulário era diferente. Daí vamos analisar o caso melhor.

O banco de dados em questão, como era de se esperar numa aplicação legada, trazia um bando de regras de negocio embutidas em flags absurdos. O time fez um fabuloso trabalho criando um mecanismo que transformava dados do domínio antigo para o novo, formando um excelente Context Map.

Dentro do domínio o código era extremamente enxuto, fazendo uso de JPA e Spring para deixar o Domain Model apenas com regras de negocio. Eles usam Repositories como interfaces para DAOs que implementam a lógica JPA de maneira bem interessante.

Ainda assim a velocidade era ridícula. 5 pares e apenas 4 pontos por iteração(semanal). Após verificar que o problema não era nem o processo nem o código em si só restava continuar pareando para tentar ver o que estava acontecendo.

Um dia, após reescrever a mesma funcionalidade duas ou três vezes, meu par e eu saímos para um café na Starbucks. Enquanto conversávamos eu perguntei:

- Mas quando é que vocês vão começar a outra parte do sistema?
- Outra parte?
- Sim, a parte que substitui o legado…
- Ah. Não, não vamos.
- Não?
- Quer dizer, vamos sim mas ele não vai ficar muito diferente, na verdade para nós do sistema web a única diferença é que eles vão disponibilizar um web service ao invés do banco de dados…
- Mas vocês não vão mudar aqueles conceitos legados para o modelo novo?!?
- Conceitos legados? Aqueles não são conceitos legados, são os conceitos que nossa indústria usa. Se você parar de usar aqueles termos seus clientes não vão entender o que está falando…

E aí eu entendi o problema da comunicação. Na retrospectiva eu levantei um ponto e conversamos sobre o problema.

A coisa era bem simples, em verdade. Os usuários internos do sistema são vendedores. Quando você vende um anuncio você fala em estilos e estes estilos são padronizados nacionalmente. O sistema antigo, por pior que seja, tem os estilos e os outros conceitos editoriais modelados mas nós não tínhamos isso no sistema web. O nosso domínio, por mais bonito e bem-feitinho, foi criado pensando na melhor forma de disponibilizar dados na Internet e por isso o nosso modelo não falava a língua do usuário. Os usuários falavam os conceitos do modelo antigo e para entender o que eles diziam nós tínhamos que fazer todo o mapeamento para o que aquilo representava em código.

Com apenas algumas iterações para um grande release não há a menor possibilidade de mudar todo o domínio. A solução vai ser implementar as mudanças de maneira incremental, toda vez que código novo é escrito ou código antigo refatorado caminha-se para o novo modelo, que é algo parecido com o abaixo.

Este foi um exemplo real do que não é Domain-Driven Design. Todos os desenvolvedores desta empresa possuíam o livro do Evans nas suas baias, não existia BO ou VO no sistema e as Camadas eram bem definidas. Ainda assim a linguagem do código não era a linguagem do usuário e sem isso você pode até ter um modelo Orientado a Objetos de alta qualidade mas não tem Domain-Driven Design.

Entrevista sobre Domain-Specific Languages

Tuesday, January 29th, 2008

O Laércio Queiroz me entrevistou sobre DSLs. O resultado você vê no blog dele.

Expressividade no Código

Friday, December 28th, 2007

Um post no GUJ mais uma vez rende uma resposta maior do que se supunha. A thread em si é bastante útil mas existe muito ruído então vou tentar sumarizar:

Vocês pegam códigos que te faz passar horas e horas tentando entender o que está sendo feito? Valores que você nem imagina de onde estão vindo?

Eu sou muito ruim ou isso é normal?

E logo surge alguém sugerindo que deveria haver documentação. Existem casos onde documentação, seja JavaDoc, especificação funcional ou etc. é fundamental mas neste caso é diferente. JavaDoc, especificação textual e etc. devem ser uma fonte importante quando que está interessado nessa informação não vai lero código, é como reutilizar uma biblioteca ou um framework. Ninguém quer abrir o Spring para entender como utilizá-lo, precisamos de documentação para isso.

Um cenário completamente diferente é quando você recebe de presente um código já existente para dar manutenção. Neste caso o código tem que fazer sentido, tem que dizer algo. Tem que ser expressivo, mostrar suas intenções claramente.

NOTA: O trecho abaixo foi escrito direto no editor de texto, sem ajuda de compilador ou IDE. Por favor me corrijam.

Qualquer programador meia-boca sabe sua linguagem. Sabe o domínio dela. Veja o trecho abaixo:

abstract class A{
 public abstract int d(){
 }
}

class B extends A{

 int z= 0;
 int x=-1;

 public B(int z, int x){
  this.z=z;
  this.x=x;
 }

 public int d(){
   if(z==15) return x + x* 0.15;
   esle return x;
 }

}

Você entendeu muito bem, tenho certeza, que A é uma classe abstrata implementada por B. Que B tem um construtor que recebe dois inteiros, os armazena e usa numa computação simples com uma ramificação abaixo. Ótimo.

Imagine que você recebeu um email do seu usuário dizendo: “Precisamos fazer com que clientes do sexo feminino que comprem mais de R$1000,00 ganhem 10% de desconto.”. Tente implementar isso no código acima enquanto eu vou almoçar.

E aí, terminou? Sim, sim, claro que é impossível sem saber d que se trata. Então depois de procurar bastante você encontra no diretório onde fica a documentação do projeto um arquivo que pode te ajudar a entender. Após umas cinquenta páginas de diagramas de alto nível inúteis explicando tudo que acontece no container web você chega a uma descrição de algo como:

A classe A tem a lógica abstrata de uma venda. As vendas são sempre feitas de acordo com critérios específicos por isso existem classes que implementam vendas específicas. No momento (01/10/2003) só existe uma implementação, na classe B, que é a venda para uma pessoa física.

A primeira coisa que você pensa é: se desde 2003 ninguém precisou de outra implementação para que essa maldita classe abstrata? Mas ants de mexer no código precisamos entendê-lo, então vamos em frente.

O méodo e questão recebe três argumentos: a quantdade em reais vendida, o sexo da pessoa (segundo código vindo do mainframe na tabela ETXS32) e se a compra é casada ou não (um booleano).

De acordo com o caso de uso UC171 o sexo do comprador é utilizado para aplicar descontos.

TABELA ETXS32
15 -> masculino
22 -> feminino

Se a compra for casada o processamento é feito delegando para outra classe, mantendo o padrão Strategy, Composite e Adapter do Decorator. Note que o Chain of Responsibility do Bridge é usado com Visitors para passar as instâncias de Flyweight pelos Interpreters[...]

Após a sequência de buzzwords de padrões é bom parar. Acho que a informação necessária já está aí em cima e olha que não se passaram nem 4 horas de procura! Vamos lá: recebemos o valor, o sexo segundo um código numérico sem lóica que vêm de outro sistema. Também é passado um boolean.. cadê o boolean?

Procurando no histórico deste arquivo no CVS (poxa vida, eles ainda usam CVS!) você vê que no meio de 2005 alguém tirou o boolean de lá com um comentário ‘Removido compra casada. Ninguém usa isso e ninguém entende isso. Ninuém vai sentir falta’. Acho que a pessoa estava correta mas ela esqueceu que existem uns 300 documentos que precisam ser revistos porque todos fazem referência a esta tal venda casada, do caso de uso, diagrama de domínio até diagrama de deployment. Cada mudança simples implica em editar 300 documentos… provavelmente mais tempo atualizando a tal documentação que o código… dá pra culpar o desenvolvedor?

Bom, agora você entende o que o código faz ao menos. Ele está aplicando um desconto de 15% para homens, você não conseguiu achar isso no caso de uso mas se ninguém está reclamando em produção é porque deve ser assim mesmo. Amanhã (afinal, você perdeu o dia inteiro hoje na ‘documentação’ do sistema) você faz a mudança.

Novo dia e você está pronto para alterar este código. Hmm… alterar pode ser muito rápido e sujo ou devagar e bem feito. Como disse o Uncle Bob recentemente sujo nunca é rápido então você opta pelo caminho com mais qualidade (e mais ético).

Como desenvolvedores profissionais escrevem testes (e gerar você deve começar por aí. Você sabe muito pouco sobre este sistema e o teste vai te dar alguma garantia que a menos esta pequena parta que está mexendo vai continuar funcionando após suas modificações. Vamos lá:

class TestVenda extends TestCase{
 public void testDeveAplicarDescontoSeSexoDoCompradorForMasculino(){
  B vendaParaUmHomem = new B(15, 100);
  assertEquals("Valor final sofreu 15% de desconto", 85, vndaParaUmHomem.d());
 }

 public void testDeveNaoAplicarQualquerDescontoSeVendaNaoCaiEmNenhumaPromocao(){
  B vendaParaUmHomem = new B(9999, 1);
  assertEquals("Valor final intacto", 1, vndaParaUmHomem.d());
 }
}

Os testes executam. Agora vamos alterar um pouco esta classe, pensando no pobre coitado que for mexer nela após você. Vamos começar agregando nomes mais expressivos:

abstract class VendaAbstrata{
 public abstract int vender(){
 }
}

class Venda extends VendaAbstrata{
 static final int NAO_INFORMADO = -1;
 static final int MASCULINO = 15;
 static final int FEMININO = 22;

 int sexoDoComprador= NAO_INFORMADO;
 int valorDaCompra=-1;

 public B(int sexoDoComprador, int valorDaCompra){
  this.sexoDoComprador=sexoDoComprador;
  this.valorDaCompra=valorDaCompra;
 }

 public int vender(){
   if(sexoDoComprador==MASCULINO) return valorDaCompra - valorDaCompra* 0.15;
   esle return valorDaCompra;
 }

}

Já está bem melhor, não? Compare com a primeira versão do código Os testes passam? Então é hora de commitar (eu acho esse neologismo horrível mas alguém sugere algo melhor?).

Vamos para o segundo round: pequeno refactoring. Já é possível fazer a alteração neste código mas anda temos tempo para deixá-lo um pouquinho mais legível, mais claro, mais expressivo. Vamos alterar:

abstract class VendaAbstrata{
 public abstract int vender(){
 }
}

class Venda extends VendaAbstrata{
 static final int NAO_INFORMADO = -1;
 static final int MASCULINO = 15;
 static final int FEMININO = 22;

 int sexoDoComprador= NAO_INFORMADO;
 int valorDaCompra=-1;

 public B(int sexoDoComprador, int valorDaCompra){
  this.sexoDoComprador=sexoDoComprador;
  this.valorDaCompra=valorDaCompra;
 }

 public int vender(){
   int valorFinalDaCompra = aplicarDescontosSobreValorDaCompra();

   return valorFinalDaCompra;

 public int aplicarDescontosSobreValorDaCompra(){

  int valorComDesconto= valorDaCompra;

  if(sexoDoComprador==MASCULINO)
   valorComDesconto = descontarPorcentagem(15, valorDaCompra);

  return valorComDesconto;
 }

 public int descontarPorcentagem(int porcentagem, int valorOriginal){
  return valorOriginal * (porcentagem / 100.0);
 }

}

Agora que tal esta versão do código + teste unitário contra a versão antiga + trezentos documentos e especificações? A implementação da regra nova ficou fácil? Acho que sim, tanto que deixo como exercício ao leitor, bem como algumas dezenas de refactorings que vão deixar o código acima decente.

A resposta curta para a thread do GUJ é: geralmente o problema não é seu mas de quem escreveu o código.

Any fool can write code that a computer can understand. Good programmers write code that humans can understand.

-Martin Fowler, “Refactoring: Improving the Design of Existing Code “

Arquiteturas Simples Duram Mais

Wednesday, October 24th, 2007

Um amigo outro dia me perguntou que tipo de arquitetura eu usaria num caso bem peculiar. Basicamente ele foi encarregado de definir a arquitetura corporativa de um grande banco, ou seja: definir hoje a forma como aplicações serão construídas pelas próximas décadas. Basicamente ele vai se ro cara que vai ser xingado por algumas centenas de programadores nos próximos tempos, não importa que arquitetura escolha.

Há poucos dias atrás falamos aqui sobre arquiteturas de referência e seu efeito danoso. Geralmente quando alguém tem à frente um desafio desse ele logo pensa em um modelinho que mostra obriga o uso de uma meia dúzia de frameworks e padrões (clássico moderno: Struts/JSF e JPA, clássico vintage: Struts 1.1 e EJB/DAO). Para melhorar ainda é incorporado um conjunto de classes “utilitárias” feitas com práticas que talvez tenham servido para um projetinho piloto mas hoje em dia só atrapalham.

Ainda assim uma arquitetura corporativa é algo interessante. Quando empresas grandes não possuem uma macro-arquitetura acabam crescendo de maneira desordenada e criando dezenas de aplicações redundantes e gambiarras de integração entre sistemas. Note no entanto que uma arquitetura corporativa não é uma arquitetura de referência, a arquitetura corporativa não fala sobre como implementar aplicações mas sim provê guias sobre como integrá-las, define as relações previstas em no ecossistema que é uma grande empresa.

Quais são as melhores macro-arquiteturas que você conhece? Eu consigo pensar em algumas: Apache, UNIX, World Wide Web… Nestes ecossistemas aplicações novas surgem, são alteradas e morrem todos os dias há décadas, um sistema criado com a tecnologia mais recente de 2007 vai rodar tranqüilamente neste ambiente. Por quê?

Porque estas arquiteturas se baseiam em primitivas e contratos, não em especificações rígidas. Criar um módulo para o Apache , um programa para rodar em UNIX ou uma site é basicamente criar um programa de computador em uma das plataformas suportadas que obedeça a um contrato.

Uma boa arquitetura corporativa vai definir algumas políticas e contratos para a aplicação se relacionar com o meio-ambiente e só isso. No caso do banco, poderíamos definir que uma aplicação deve disponibilizar via uma interface POX/REST seus WebServices, que ela deve utilizar a API do Mogile FS para guardar dados em disco, que cache deve ser feito utilizando a API do memcached.

E se o arquiteto quiser sair do padrão? Ótimo, saia, mas ele deve oferecer compatibilidade com o ambiente.

E se eu já tiver comprado um sistema que faz WebServices via SOAP? Eu preciso criar um meio de disponibilizar estes serviços via POX/REST também. Pode ser uma adaptador simples, um ESB, o que quer que seja. É como quando você compra um equipamento eletrônico com tomada americana, você não vai mudar uma tomada na sua casa para o padrão exótico, vai é comprar o adaptador necessário para plugar ele nas tomadas do seu ambiente.

Mas e se não precisarmos de filesystem distribuído? E se já estivermos utilizando uma solução de cache que faz mais sentido nesta aplicação?

Ótimo, use. O uso de filesystem X, cache Y, banco de dados Z deve ser um guia. Toda vez que alguém precisar de uma solução de cache, filesystem, etc. ele olha o guia da empresa, se não servir ele usa algo que sirva. O que importa é que o uso fique encapsulado no sistema. Imagine que ao invés do Oracle 10g eu resolva usar um MySQL na minha aplicação. Está ótimo mas eu devo manter essa peculiaridade interna à minha aplicação. Os outros sistemas que vierem a se comunicar com o meu não devem precisar saber sobre a existência deste banco, eu não posso usar este banco para comunicação entre aplicações (o que já é uma coisa péssima para se fazer de qualquer forma).

O que importa é:

  1. O arquiteto tem liberdade para resolver seu problema da maneira mais adequada
  2. O novo sistema é compatível com o meio-ambiente

Para ser um bom arquiteto não é necessário ter tanta experiência assim, basta saber olhar os casos de sucesso e aproveitar o que funciona. Geralmente as técnicas utilizadas nestas arquiteturas são também catalogadas como Padrões Arquiteturais em livros. Um bom arquiteto tem que ser um ávido leitor de livros e de código.

Conexão Java 2007

Tuesday, October 23rd, 2007

Mais um ano vai, outro ano vem e o Conexão Java está aí. Este é certamente o evento mais descolado da comunidade Java do Brasil.

O CJ é um grande encontro entre as pessoas que participam em fóruns como o GUJ, o PortalJava e o RioJUG. O foco do evento são os mini-cursos que agem na formação de novos profissionais. Bem, formação não exatamente, ninguém sai de um curso de meioa dúzia de horas especialista em nada mas é uma boa oportunidade de ter contato mão-na-massa com algumas tecnologias e técnicas.

Este ano a estrela do evento é ninguém menos que Carlos Villela. Radicado em Londres pela ThoughtWorks há… bem, há alguns anos… o cv vem falar de algo bem atual: o declínio dos arquitetos monoglotas.

Também teremos algo um pouco diferente. Possivelmente deve haver um repeteco da minha palestra sobre arquitetura do JustJava 2007 (infelizmente sem o Paulo que vai estar de férias) mas enquanto isso é confirmado ficamos com mais uma atração: Oficina do Arquiteto.

Essa é uma idéia meio maluca que acabamos de fechar, vai funcionar mais ou menos assim: alguém traz uma arquitetura -seja de um projeto existente, livre ou de uma empresa, ou desenhado na hora- e nós debatemos esta. Na conversa vão sobrar padrões arquiteturais, guidelines e uma boa dose de bate-papo sobre o que nós, arquitetos, estamos fazendo por aí. Se você já tiver alguma idéia me adiante por email para organizar melhor as coisas, eu vou preparar algumas arquiteturas clássicas para usarmos quando não houver nenhuma na roda. A idéia é bem simples: debate, informação e diversão.