Só para avisar que a entrevista que o pessoal da Infoq.com.br gravou durante o Agile Brazil está online.
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Rapidinha: Entrevista no InfoQ
Wednesday, October 6th, 2010Chefes e Muros
Sunday, September 5th, 2010A edição de Novembro da Harvard Business Review traz um artigo muito interessante chamado “The Boss as Human Shield”, que se baseia no novo livro de Bob Sutton, “Good boss, bad boss”. Considerando que Sutton é o autor de No Asshole Rule eu estou bem ansioso para ler seu novo livro.
O artigo me fez lembrar sobre minhas experiências gerenciando times. Eu comecei em empresas pequenas. Nestes lugares minhas responsabilidades incluíam gerenciar pequenos times. Após um hiato trabalhando para empresas grandes eu acabei voltando a “ter meu time ” na Globo.com. Hoje em dia boa parte do que eu faço é gerenciar equipes, incluindo não apenas desenvolvedores mas todas as competências relacionadas ao desenvolvimento de software.
E uma das coisas que eu aprendi é exatamente o que este artigo diz. Para mim, a primeira obrigação de um líder de equipe —ou chefe, ou algo do tipo—é formar uma excelente equipe. A segunda obrigação é deixar este povo trabalhar em paz, sem interrupções desnecessárias.
Quando comecei na Globo.com desenvolvedores no meu time estavam acostumados a comparecer a diversas reuniões por semana. Eram reuniões internas da equipe, com outros departamentos… Naquela época nosso time ficava situado num prédio diferente do resto da empresa, o que fazia com que para cada reunião houvesse um gasto extra de uns 30/40 minutos em deslocamento.
Mudar cultura é algo sempre complicado e eu falhei diversas vezes em conseguir convencer as pessoas de que havia algo muito errado nisso. Existem momentos, entretanto, onde você pode pedir e deve carta branca. No caso do antigo time, esta ocasião foi o lançamento do GloboVideos 4.2, que é basicamente a versão que se encontra no ar ainda hoje, mais de três anos depois daquele projeto.
O time havia passado maus bocados no lançamento do GloboRádio, nosso projeto anterior. Por diversos motivos nós trabalhamos todos os fins-de-semana por um mês e meio. Para o novo projeto eu pedi à gerencia carta branca para tentar algumas coisas diferentes e deixei claro que não me comprometeria com o prazo se tivesse que trabalhar com as limitações do projeto anterior.
O pedido foi aceito e uma das mudanças que implantamos foi uma metodologia mais ágil (a primeira vez que a empresa viu um Story Wall na vida foi a cartolina improvisada que colamos no nosso rack de servidores de desenvolvimento). Uma outra foi ser mais seletivo com reuniões, especialmente reuniões que exigiam o time todo.
Nas primeiras duas semanas do projeto eu pareei com o Tiago Motta desenvolvendo o embrião do framework de widgets que desenvolvemos para o site (que eventualmente virou caso de estudo). Depois de definido um bom rascunho do framework e da nossa API de WebServices eu , praticamente, passei a atuar como porteiro para o time.
A cultura que implantamos nunca foi formalmente definida, mas alguns pontos estavam em nossas cabeças:
- Nada é segredo, a menos que seja: Ninguém estava proibido de ir a reuniões. Todas as reuniões eram abertas ao time e eu fazia o máximo para explicar ao time o que tinha sido discutido e os impactos.
- Liderar é basicamente coordenar: Apesar de ser o responsável técnico pelo que era produzido pelo time eu evitava ao máximo tomar qualquer decisão durante as reuniões. Geralmente eu sabia a pauta com antecedência e discutia com o time antes de falar com os outros grupos. Quando eu sabia que teríamos que decidir algo durante a reunião eu trazia o especialista naquela parte comigo.
O grande problema para mim em seguir esta estratégia foi como me manter por dentro da parte técnica. Por gastar tanto tempo em reuniões, quase sempre infrutíferas, eu tinha pouquíssimo tempo para chegar na minha mesa, atualizar meu computador com o código-fonte e dar uma olhada nos commits do dia. Eu tive que investir muito tempo extra para, geralmente em casa, entender onde estávamos e ajudar as pessoas com a visão de para onde queríamos ir. Se pensarmos que este projeto introduziu diversas tecnologias novas na empresa (Memcached, Server-side JavaScript, Widgets, REST…) isso era uma preocupação constante na minha cabeça.
Para o time na era fácil acumular as coisas que queriam conversar comigo para discussão em lotes. Por sorte nós conseguimos montar um time fabuloso antes do projeto iniciar; as pessoas conseguiam, de fato, trabalhar e decidir muita coisa em conjunto e compartilhavam a mesma visão para o produto e a arquitetura.
Essa experiência moldou a forma com que lido com meus times. No início de um desenvolvimento (ou no início do processo de refactoring, caso o trabalho que esteja fazendo seja a recuperação de um projeto que está indo mal) eu passo a maioria do tempo escrevendo código e lidando com problemas técnicos. Depois de algum tempo, talvez uma ou duas iterações, eu passo a dedicar a maior parte do tempo à não deixar desenvolvedores (e testadores, e analistas, e etc.) desperdiçarem o deles em coisas sem valor real.
Isto é central à maneira como eu vejo liderança em times de desenvolvimento. O primeiro problema que, como líder, me preocupo é o ciclo de feedback imediato, as coisas que fazem com que o desenvolvedor perca tempo para escrever código. Com este problema remediado –geralmente seguindo uma destas estratégias– eu passo a focar mais no próximo ciclo de feedback, e no próximo… Estes ciclos foram melhor explicados
na minha apresentação do Caelum Day 2009.
É duro para alguém que gosta do que faz pensar que liderar uma equipe de desenvolvedores significa ter pouco tempo para escrever código mas, no final, o que você precisa ter na cabeça é que é há muito mais valor em capacitar o seu time do que em qualquer peça de código que você consiga escrever sozinho.
AgileBrazil 2010
Wednesday, June 30th, 2010Semana passada estive em Porto Alegre para o AgileBrazil 2010. Logo ao chegar em Porto Alegre, na quarta-feira, fui passar o dia com meus colegas e amigos da ThoughtWorks Brazil.
Numa das atividades que realizamos periodicamente na TW, o Lunch’n’Learn, o Danilo Sato nos contou um pouco sobre como foi a experiência de desenvolver o (excelente) sistema de avaliação de propostas para a conferencia.
Durante o evento eu fiquei basicamente o tempo todo no stand da ThoughtWorks. Foi muito bom poder conversar com as pessoas e entender como as estão experimentando e trabalhando com métodos ágeis pelo Brasil afora.

A impressão geral é de que existe muita energia em torno das abordagens, mas o mercado ainda patina muito. A diferença maior entre o que vejo no Brasil e por outros lugares do mundo é que no Brasil não existe um numero suficiente de pessoas experientes com estas metodologias para atender à demanda nacional e, devido à carência de pessoas que falam inglês no país, não é fácil trazer pessoas de fora.
Infelizmente isso acaba ajudando a proliferação de charlatões cuja única credencial é um saco de certificações vazias. Muita gente afirmando que possui x mil anos de experiência em projetos ágeis, mas que esquecem de informar à clientela que 90% destas horas são dando treinamentozinhos onde bolinhas de tênis são jogadas por aí e apenas 10%, se isso, entregando sistemas. Bom, tomara que isso seja apenas uma fase.
Sobre apresentações, uma coisa que me deixou chateado no evento foi o fato de que tive duas propostas rejeitadas. O que me irritou foi o fato de que não foram rejeitadas pelo seu conteúdo mas apenas porque:
Infelizmente, pela regra de apenas uma sessão por autor, essa palestra
foi rejeitada.
A sessão que foi aceita não era exatamente uma proposta minha. O Rodrigo Yoshima havia me pedido para fazer uma participação em seu workshop sobre modelagem ágil e meu nome entrou como segundo autor neste.
O workshop em si foi bem legal. A demanda foi absurda, provavelmente mais de 3x o numero de lugares disponíveis. O Rodrigo conduziu sua atividade típica de modelagem e, ao final, eu fiz uma mini-palestra sobre como funciona modelagem ágil na maioria dos projetos na ThoughtWorks.
Mas este foi o meu único probleminha. De resto tudo foi excelente, certamente um dos melhores eventos que existem por aí.
Minhas Propostas para a Agile Brazil 2010
Saturday, February 27th, 2010Acabo de submeter algumas atividades para o Agile Brazil 2010, evento que se realizará em Junho em Porto Alegre. Pelo que entendi, as propostas serão avaliadas pelo comitê organizador do evento.
As propostas estão disponíveis no site e o público pode fazer comentários. Minhas submissões:
Líder Técnico - O Ex-Arquiteto virou Faz-Tudo!
Ele era o centro das atenções. Nenhuma classe era criada sem a sua aprovação. Nenhuma biblioteca era introduzida sem que ele homologasse. Nada entrava ou saía sem a sua verificação. Seus diagramas formavam o livro sagrado do sistema, se o sistema não reflete o diagrama então os desenvolvedores devem ser punidos, obviamente eles não entender seu Grande Plano para Tudo™.
E daí veio este tal de agile. Não apenas introduziu práticas de qualidade duvidosa (duas pessoas, um computador? Sério?) mas também quer eliminar seu papel de visionário. Como um time poderia funcionar sem a visão inpiradora? Como um mero desenvolvedor pode decidir o que é melhor para um projeto onde são investidos milhões?
Pior ainda, o que o líder faz agora que não existem mais diagramas para desenhar?
Arrumando a Casa Após a Festa: Saindo do Pseudo-Agile
Tudo parecia muito simples. Os cartões vão na parede, os times se auto-gerenciam, o tal do Product Owner escreve nos cartões, o time faz retrospectiva… Tantos casos de sucesso por aí, tantos sorrisos e tapinhas nas costas…
Por que está dando tão errado aqui? Por que está fazendo da minha vida um inferno? Por que meu time não está aumentou a produtividade? Por que meus produtos continuam sendo uma porcaria? Por que parece que ninguém sabe o que está acontecendo?
Este é o saco de dúvidas que tenho encontrado por aí.
A maioria vai achar que basta seguirmos os 12 passos do programa e, eventualmente, as coisas vão entrar nos eixos. A maioria acha que basta demitir os gerentes de projeto e colocar coisas coloridas na parede. A maioria acha que basta escrever testes e seu código vai ter qualidade. A maioria acha que basta quebrar casos de uso em histórias e você terá melhor comunicação.
A maioria vai falhar miseravelmente.
Nos últimos anos tenho gasto uma boa parte do meu tempo tentando fazer clientes entender que não importa a cor do cartão na parede, não importa a sua plataforma de desenvolvimento, não importa se você usa cruise ou hudson, não importa se retrospectivas são quinzenais ou mensais… a única coisa que importa nesses tais métodos ágeis é termos ciclos de feedback curto.
Nesta sessão vamos conversar sobre alguns cenários, todos baseados em projetos reais, e no que pode ser feito para tirar o pseudo do seu agile.
E, além das duas palestras, o Rodrigo Yoshima me convidou para ajudá-lo no seu workshop de modelagem:
Reconheça! Você não sabe modelar! Iniciando Projetos Ágeis
Neste workshop prático vamos simular o planejamento inicial de um projeto ágil utilizando as mais variadas técnicas de modelagem como Domain-Driven Design, CRC Cards, User Stories, Paper Prototyping e Brainstorming.
Ajude o cliente a compreender melhor o problema, melhorando seu planejamento e auxiliando as suas estimativas. Um bom modelo ou protótipo serve como uma simplificação de algo complexo, uma abstração útil para o desenvolvimento do projeto. Em projetos ágeis a modelagem está presente, porém, ao invés de uma modelagem solitária numa ferramenta UML, equipes ágeis inovam em colaboração, usando artefatos simples numa dinâmica divertida.
Domain-Driven Bolovo, Passando Conhecimento e etc.
Monday, January 18th, 2010Segue uma seqüência aleatória quase coesa de pensamentos que me vieram a cabeça enquanto esperava meu vôo para Salvador.
Paulo Silveira surgiu com o termo BOLOVO, usado para indicar uma arquitetura baseada em VOs e BOs, enquanto preparávamos os slides para nossa apresentação em conjunto no JustJava em 2007.
O artigo original sobre BOs e VOs fala basicamente sobre como a arquitetura proposta por EJBs na especificação antiga (2.x) prejudicou o entendimento da comunidade em geral sobre como criar a aquitetura de uma aplicação.
Três anos se passaram mas o artigo ainda recebe um numero de acessos razoável –e eu vivo prometendo que vou atualizá-lo. A última vez que tive que escrever um EJB 2.x foi em 2007, desde então –talvez por sorte- nunca mais entrei em um projeto que usasse estas aberrações. Muitos programadores de hoje em dia começaram suas carreiras na época que EJB já estava morrendo e nunca tiveram o desprazer de lidar com esta porcaria. É de se esperar que estas pessoas, tendo estado sempre cercado por IoC, DDD e técnicas bem razoáveis, iria olhar para um artigo como o que escrevi da mesma forma que eu olho para um livro de linguagem de máquina para Apple II –interessante no contexto histórico mas quase que apenas uma curiosidade.
Vira e mexe, entretanto, eu sou lembrado do porque o artigo ainda recebe tantas visitas todo dia. Os programadores mais novos podem não ter sido influenciados pelos problemas dos EJBs mas ele ainda foram ensinados à programar de uma só maneira: código procedural.
Quando estava preparando a primeira iteração do workshop de Domain-Driven Design que faço em parceria com a Caelum eu escrevi um texto para explicitar meu raciocínio sobre como Domain-Driven Design se difere de Orientação a Objetos. No workshop em si eu dediquei boa parte da manhã falando sobre este tema.
E por quê? Porque da mesma maneira que as pessoas utilizavam os conceitos de EJB completamente fora de contexto o mesmo está acontecendo com Domain-Driven Design. É bem comum, em uma conferencia ou algo do tipo, alguém vir conversar comigo sobre como a empresa dele está eliminando todos os BOs e VOs. No meio da conversa a pessoa começa a me explicar a arquitetura e eu vejo que praticamente o que eles fizeram foi renomear UsuarioBO para UsuarioService e UsuarioVO para Usuario. Repositórios, então… estes são tão mal utilizados que deram origem à vários textos aqui:
- http://philcalcado.com/2007/03/01/voce-pergunta-001-daos-e-repositorios/
- http://philcalcado.com/2007/06/05/dao-e-repository/
- http://philcalcado.com/2008/05/22/domain-driven-design-e-simples/
- http://philcalcado.com/2008/04/25/repeat-after-me-repositories-arent-daos/
- http://philcalcado.com/2007/11/29/repositories-misunderstandings/
- http://philcalcado.com/2007/09/05/rounded-tip-scissors/
Independente do uso de DDD e seus padrões ou não eu realmente esperaria que, em 2010, as pessoas já houvessem entendido como objetos deveriam ser criados. A quantidade de material disponível gratuitamente na Internet e em múltiplos idiomas é ridiculamente grande.
Me levou muito tempo para entender que não importa a quantidade de material disponível. Em minha experiência, a maneira mais eficiente de introduzir estes conceitos é programação em par. Quando um cliente me chama para introduzir estes conceitos em seu time eu sempre tenho que tentar explicar porque isso não pode ser apenas um treinamento. Ë difícil de entender porque eu posso treinar alguém em algo complexo como uma linguagem de programação mas não em uma técnica com mais de 40 anos que exige como pré-requisito nada mais que conceitos lógicos básicos. Eu, pessoalmente, não faço a menor idéia do porque as coisas são assim, só sei que o são.
Normalmente eu começo o trabalho com uma apresentação rápida, apenas para tentar fazer as pessoas entenderem o que diabos eu vou tentar fazer. Um exemplo de uma destas apresentações:
E logo depois começamos a parear. O ideal é termos pelo menos 1 coach para cada dois pares, mas nem sempre este número é viável. Quando a quantidade de pessoas exceed muito a quantidade de coachs a melhor solução parece ser pareamento promíscuo, mudando os pares em intervalos bem curtos de tempo.
Nestes últimos anos eu tive diversas oportunidades de reencontrar clientes e parceiros depois da conclusão do projeto ou treinamento. Na minha experiência os times que tiveram apenas treinamento retêm apenas uma ou outra coisa do todo, eles entendem o todo mas não conseguem aplicar na prática –e aí mora o perigo do Domain-Driven BOLOVO. Os times onde utilizei coaching como meio de transmissão de conhecimento tendem a ser o contrario: eles usam as técnicas no dia-a-dia mas não entendem o todo. Ao não entender o todo eles não conseguem evoluir alem do que o que lhes foi passado durante aquele período.
É de se esperar que o primeiro grupo seja mais valioso para um empregador. Na prática, entretanto, não parece ser o caso. Um treinamento, um livro, etc. podem curar a deficiência do segundo grupo e tendem a ser bem mais baratos e eficientes que gastar dinheiro com um consultor que cobra por hora. O grande benefício que o consultor vai te trazer é que ele sabe –ou deveria- como utilizar aqueles conceitos na prática. O melhor uso do consultor neste caso é trabalhar com o time no dia-a-dia e realizar pequenas sessões de treinamento –no meu caso geralmente isso significa 20 minutos por semana- conforme necessário.
Sem Surpresas no Showcase!
Thursday, December 3rd, 2009Existem muitas coisas que só se aprender na prática, depois de apanhar muito. Uma das coisas que eu –creio que- aprendi desta forma é como lidar com um showcase (ou Sprint Review, se você insiste).
Um showcase acontece geralmente no último dia de uma iteração. Ele serve para que o time apresente aos interessados –usuários, patrocinadores, pessoas não diretamente envolvidas no projeto, etc.- o que foi feito nesta iteração.
Eu costuma lidar como showcases como o momento onde o time e o usuário interagiam, onde o usuário via o produto final como um todo, dava feedback para o time e aprovava ou rejeitava histórias.
Péssima idéia. Todos os pontos acima são extremamente importantes mas eles não devem acontecer durante o showcase e sim durante toda a iteração.
O maior problema ao utilizar o showcase como único/principal ponto de interação é que você acaba tendo um big-bang feedback. Ao invés de colher feedback iterativamente no decorrer do período, de uma maneira que o time possa agir para consertar possíveis problemas, você recebe feedback em lote sobre tudo que foi feito naquela iteração de uma só vez. Não só isso pode significar excesso de informação bem como certamente vai frustrar o time e, principalmente, o usuário já que quando o feedback chega já é o fim da iteração e tarde demais para agir. Fica para a próxima.
E um problema parecido é o planejamento em big-bang, coisa que muita gente faz no seu Iteration Planning Meeting (IPM, ou Sprint Planning I & II se você realmente vai continuar insistindo). Em muitas equipes que conheço este é basicamente o único momento onde se planeja e prioriza uma iteração.
Combinando os dois problemas você tem um cenário extremamente frustrante: o usuário faz um grande planejamento, sai por duas semanas e volta para ver se seu plano foi cumprido. Se o time não conseguiu fazer tudo que ali estava definido o usuário fica frustrado e começa a desconfiar de tudo e de todos. Este tipo de situação é péssimo para qualquer tipo de empresa mas para nós, consultores, ele é simplesmente inaceitável.
O que eu aprendi com os mais experientes gerentes de projetos que já trabalhei é que em um showcase não podem haver surpresas. O cliente deve dar feedback sobre cada história e acontecimento individualmente, e durante a iteração. Na minha palestra no Rio mês passado eu falei brevemente sobre o “modelo do sanduíche”, melhor explicado aqui. Esta é a melhor maneira que eu conheço para ter certeza de que não haverão surpresas durante o desenvolvimento: para cada história -individualmente!- o usuário planeja junto com o time o que vai ser feito e depois verifica e aprova ou rejeita o resultado.
É claro que isto funciona melhor quando o cliente está presente o tempo todo, mas isto não é estritamente necessário. Se você possui um cliente fisicamente distante pode procurar outras maneiras de receber feedback frequente, coisas simples como fazer deploy constante para um servidor e mandar um email para o usuário pedindo para ele testar uma nova história neste ambiente. Só tenha certeza que seu usuário viu, aprovou e está ciente dos possíveis problemas e eventuais workarounds antes do showcase. É melhor isso do que criar um banho de sangue quinzenal.
Um showcase deve ter foco em mostrar para todas as partes interessadas o progresso feito, nunca em aprovar ou rejeitar histórias. Re-lembre a todos de onde viemos, onde estamos e para onde vamos. É claro que num projeto sadio sempre vai haver feedback vindo de múltiplas partes durante esta sessão, e isto é bom, mas um showcase não deve ter foco em receber feedback mas sim mostrar a evolução do projeto.
Existe todo um movimento de pessoas que prega que iterações são ruins. Um dos argumentos utilizados por esta escola de pensamento é exatamente de que o feedback em uma iteração tende a ficar apenas nos intervalos, não sendo frequente o suficiente. As pessoas vão para um modelo sem iterações e dizem que estão “livres da cerimônia” e que agora feedback e valor fluem o tempo todo. Bom, talvez o problema não seja com iterações em si mas sim na maneira como você as modela…
Preparações e Desculpas Esfarrapadas
Monday, October 26th, 2009Para variar, a desculpa para não ter escrito mais frequentemente é a preparação requerida para a viagem ao Brasil. Eu sei que é uma desculpa esfarrapada mas infelizmente esta etapa envolve mais do que fechar malas e comprar canguru de pelúcia para as sobrinhas, meus últimos dois projetos requereram muita atenção e neste exato momento eu estou finalizando os últimos detalhes de um deles.
Isso fez com que meus planos se alterassem um pouco. Infelizmente não vou ter tanto tempo quanto gostaria para encontrar pessoas, especialmente fora do Rio. Ainda vou em alguns lugares mas nada perto do que tinha em mente antes.
Sobre o evento, acho difícil haver alguém que ainda não tenha esbarrado com um dos banners ou coisa parecida sobre o Caelum Day. A programação está bem interessante e promete ser um dia útil e divertido.
Minha apresentação vai focar no que eu mais tenho feito nestes últimos dois anos: fazer com que times de desenvolvimento saiam do marasmo e comecem a entregar. Não me venha com essa história de “minha metodologia não deixa”, “meu chefe é mau”, etc., todo lugar tem problemas e as coisas dependem de você. A apresentação possui dicas e fundamentos técnicos mas sem vontade nada vai pra frente.
E para, refletir de maneira bem realista o clima da indústria de desenvolvimento de software, este ano eu escolhi mais uma vez filmes de terror para servir de pano de fundo (e comic relief). Ao contrário do ano passado, entretanto, eu escolhi um filme em específico. O primeiro comentário quem acertar o filme baseado na capa da apresentação abaixo ganha… algo… que eu ainda vou decidir:
As inscrições ainda estão abertas aqui.
Para o workshop de Domain-Driven Design não há mais vagas –mas existe uma lista de espera.
Algumas pessoas ficaram curiosas porque escrevi no meu blog em inglês que acho o assunto (DDD) tedioso. Existe uma enorme demanda de cursos sobre o tema e o Paulo Silveira e eu decimnos que valia a pena realizar mais uma rodada dos cursos. Eu continuo usando Domain-Driven Design em meus projetos e textos, mas o assunto já está meio batido e mastigado.
Na minha opinião, DDD deveria ser parte de um curso maior sobre design em geral, um workshop específico tem relevância quando o assunto é novidade mas perde o apelo quando a técnica começa a ser utilizada por mais gente. Tenho lido mais sobre outras coisas e, se tudo der certo, vamos ver se em 2010 eu consigo aposentar o workshop de DDD e partir para estas novas coisas.
Bom, por enquanto é isso. Nos vemos semana que vem.
Projeto Brazil 2009 - Preenchendo Lacunas
Wednesday, July 22nd, 2009Bom, com a passagem na mão e devidamente autorizado pelas autoridades competentes eu posso publicar aqui que este ano, mais uma vez, eu vou passar alguns dias no Brasil em uma clássica e manjada parceria com a Caelum.
O plano original é emendar tudo com o lançamento do livro -que eu, relapso que só, ainda não mencionei neste blog- mas este plano pode mudar. De qualquer maneira o esquema básico é o mesmo do ano passado: uma conferência e alguns workshops. Ainda não posso falar sobre nenhum deles porque nada foi decidido mas assim que eu tiver definições eu posto aqui.
Mas meu objetivo com este post é me colocar à disposição. A viagem deste ano é totalmente a trabalho -tirando alguns dias para a família e os amigos, claro- e eu pretendo visitar o maior número de grupos de usuários, empresas e comunidades de desenvolvimento de software que eu conseguir. Faz dois anos que estou na Austrália e apesar de meu contato diário com a comunidade brasileira uma coisa é falar de longe e outra é ver de perto.
Eu tenho algumas visitas já marcadas e, infelizmente, não muito tempo disponível então vou ter que priorizar as coisas. A minha idéia original é chegar no grupo de usuários/empresa/etc., fazer uma apresentação de uns 30 minutos e depois passar algum tempo pareando com as pessoas e atualizando minhas percepções sobre o mercado brasileiro em geral. Eu chego dia 31/10 e volto dia 15/11, estarei, a princípio, no Rio durante toda a viagem mas topo viagems próximas.
Topa? Me manda um email. Não sabe meu email? Se vira.
Mingle Day - Rio e São Paulo
Tuesday, June 23rd, 2009Como este blog já anunciou este ano será cheio de eventos da ThoughtWorks no Brasil.
Uma coisa a se notar sobre a ThoughtWorks é que somos uma empresa de consultoria mas com uma divisão de produtos. Como a eventual vinda da ThoughtWorks para o Brasil significa a vinda das duas partes é bom que também apresentemos ao mercado brasileiro os softwares que produzimos.
O software mais popular da suite é o Mingle, um sistema de gerenciamento de projetos com muitas características interessantes. Ele foi construído baseado na experiência da empresa prestando consultoria, entende bem que cada processo é diferente e que modelos engessados não funcionam bem. Também possui uma interface rica que aliada com alguns recursos de hardware se torna uma ferramenta extremamente útil quando um Kanban eletrônico é necessário. Por fim é provavelmente o mais famoso caso de uso do JRuby on Rails -o Mingle usa componentes escritos em Java aliados aos recursos do Rails.
Se você quer conhecer mais sobre o produto tem duas oportunidades. Abaixo os convites.
Rio de Janeiro
Hi,
ThoughtWorks is sponsoring Agile Brazil 2009, the first major conference on Agile methodologies to be held in Rio de Janeiro, Brazil. In this extensive, one-day event, various practitioners and speakers will conduct sessions on a range of well-known Agile methodologies and practices such as Lean, Scrum, XP, User Stories, Continuous Integration, Release management and Test Driven Development.
Date and Venue:
June 27, 2009, 8:30am - 6:00pm.
Salao A (Padre Anchieta hall)
PUC-Rio, Gavea, Rio de Janeiro, Brazil.
Registration Information
Registration: R$ 200,00.
Register for Agile Brazil 2009Mingle User Group Meeting in Rio de Janeiro
We have organized a free follow-on event for agile enthusiasts. We invite you to the Rio Mingle User Group (MUG) Meeting, an exclusive meet for Mingle users in Brazil, to discuss and share their experience with Mingle. Adam Monago, our product expert along with other Agile experts will take you through Mingle and its features and provide you tips and tricks on how to better use Mingle for project management and collaboration. After the talk you can interact with the attendees over food and drinks.
Date: 1- July-2009
Time: 17:30 - 19:00
Venue: PUC-Rio, Rua Marques de Sao Vicente 225 - Predio Padre Leonel Franca - 13 andar - Gavea, Rio de Janeiro, BrazilTo confirm your participation for the Mingle User Group, simply reply to this email: Studios-Brazil@thoughtworks.com?
Regards,
ThoughtWorks Studios
Studios-Brazil@thoughtworks.com
São Paulo
A Aspercom e a ThoughtWorks convidam você para o Encontro Agile / Mingle User Group Meeting. Este será um evento gratuito em São Paulo com mini-palestras, discussões e muito bate-papo.
Data: 30 de junho de 2009 às 19:00hs / Local: Av. Paulista
Facilitadores:
Paulo Caroli, Adam Monago (ThoughtWorks)
Rodrigo Yoshima, José Paulo PapoMingle User Group Meeting
O encontro do Mingle User Group (MUG) do Brasil é uma oportunidade para conhecer, discutir e compartilhar experiências com o Mingle. Adam Monago, um especialista no produto juntamente com outros Agilistas experientes, demonstrarão o Mingle provendo dicas e truques em como usar o produto para gerenciamento de projetos e colaboração.
Local, agenda, inscrições e outras informações acesse: http://blog.aspercom.com.br/2009/06/22/evento-agile-mingle/
Rodrigo Yoshima
ASPERCOMPaulo Caroli
ThoughtWorks
Agile Brazil 2009
Sunday, May 24th, 2009Caso você ainda não saiba a ThoughtWorks está patrocinando um evento em Junho, no Rio de Janeiro: Agile Brazil 2009.
Além de palestrantes locais o evento vai contar com três ThoughtWokers: Jason Yip, Paulo Caroli e Adam Monago. O Jason é um dos mestre jedis em lean software development que temos na TW. O Paulo é brasileiro e trabalha oficialmente na TW US mas está em uma temporada na Índia. O Adam é gerente de produtos do Mingle.
Eu tenho conversado bastante com o Jason para explicar mais sobre o cenário de desenvolvimento de software no Brasil -que é bem diferente de qualquer outro país que eu conheça. Conhecendo a peça eu tenho certeza que a palestra vai ser uma excelente oportunidade para quebrarmos alguns mitos sobre lean que estão sendo introduzidos na cultura brasileira -como os de que contar “bugs por linhas de código” é uma métrica razoável para justificar uma prática ou metodologia.
Uma coisa boa é que ele está muito entusiasmado em fazer visitas à empresas interessantes. Eu entrei em contato com alguns lugares que considero bons candidatos mas se você tem alguma história interessante para contar e gostaria de recebê-lo por um dia me mande um e-mail que eu coloco vocês em contato. Note que ele vai estar no Rio e que você precisaria de alguma espécie de intérprete Inglês-Português.
Infelizmente eu não vou poder ir ao Brasil neste início de ano já que estou começando um projeto complicado na próxima semana que deve durar até Julho. Existe uma grande possibilidade de ir no segundo semestre, vamos ver se ela se realiza.


