Archive for the ‘programando’ Category

Usando Netbeans Para Editar Código Ruby? Ainda não…

Sunday, December 9th, 2007

Essa semana no trabalho resolvemos (meu par e eu) ceder aos outros 3 pares que trabalham conosco (a rotação de pares infelizmente é baixa por alguns critérios internos) e tentar usar o Netbeans para editar Ruby (ninguém na equipe ou na empresa sonha em usar esta ferramenta para Java). Eu já havia conversado com um pessoal no escritório da TW sobre isso e me pareceu bom dar uma chance.

O Eclipse RDT era nossa ferramenta mas desde que a Aptana “comprou” (usando o antigo vocabulário do Marc Fleury, que Zahl o tenha) o projeto usá-lo é um problema só. Ninguém morre de usar mas dá raiva.

Então vamos lá. Um download gigantesco (normal para as IDEs inchadas de hoje em dia…) e temos o bicho rodando. A versão mais recente, claro. Ops, JVM capotou na primeira tentativa, vamos tentar de novo. Ok, funcionou.

Quase uma semana usando a ferramenta eu posso dizer que o editor para Ruby está muito melhor que qualquer versão do RDT. O code complete, syntax highlight, tudo muito bem. Aí você começa a ter os problemas quando sai do editor (afinal, uma IDE é um ambiente integrado, certo?). A integração com SVN é uma piada, é m parto fazer checkouts e commitar coisas. Os diffs e logs são bem burrinhos. A navegação entre abas e entre arquivos é custosa e muitas vezes não funciona (me parece que você só consegue transitar entre os X últimos arquivos que mexeu). Criar uma source folder para Ruby? Isso não faz sentido. Em Ruby geralmente tudo é código-fonte, da sua task rake até a configuração do banco de dados. Os atalhos de teclado são razoáveis, você só precisa se dar conta que está numa espécie de mundo bizarro do Eclipse, os atalhos são a mesma coisa só que com ALT em vez de CTRL ou coisa assim (para quem fez a migração pra Mac isso não é novidade).

Minha conclusão final é que o editor do Netbeans para Ruby (ao contrário de para Java) é infinitamente superior ao do Eclipse RDT. O problema é que não só o editor faz a IDE, se for para não er o ambiente integrado eu prefiro usar emacs. Acho que dados os pontos fracos de cada um tanto faz ficar com Eclipse ou Netbeans. Eu não ficaria com nenhum.

No Mac eu uso o maravilhoso Textmate. No Windows e Linux eu passei algumas semanas brincando com o OpenKomodo e ele é muito bom, traz os benefícios do Textmate para o ‘PC’ (hoje em dia tudo é PC mas vocês entenderam…)

Modelo de Negócios e Tecnologia

Sunday, December 2nd, 2007

Há alguns anos eu trabalhava para uma grande empresa que cria produtos em um nicho muito específico. Dá última vez que eu vi alguém fazer uma estatística 90% dos produtos eram em C, 5% em C++ (”muito lenta”) e o restante em PERL, Python e Java.

A coisa que eu mais gostava sobre essa empresa era como o modelo de negócios deles era movido por inovação. Quando alguém tinha uma boa idéia ele era convidado a montar um protótipo em laboratório que seria oferecido à clientes. Haviam muitos ganhos para os bem-sucedidos, meu chefe, diretor regional de tecnologia, subiu ao seu cargo após duas idéias convertidas em produto (além de ganhar uma boa grana).

No entanto, apesar da inovação presente nos novos produtos lançados simplesmente não havia inovação técnica. Não importa o software, tudo era feito em C. Eu fui contratado para um novo time que cuidava das alicações Java. Estas aplicações só foram criadas porque os clientes exigiam interfaces web e RMI para os produtos da empresa e porque contratar programadores C sempre foi um problema. Mesmo trabalhando basicamente com Java (e naquela época o sonho de todo mundo era arrumar um emprego “100% Java, nada de PHP ou VB”) boa parte do meu trabalho era escrever e testar interfaces em C que se comunicavam com o sistema “de verdade” (o feito em C).

Certa vez me mandaram por 10 dias, que viraram 20, numa viagem de trabalho. O lugar não era muito amigável com turistas então passei boa parte do tempo no quarto de hotel tentando entender a televisão. Como não tinha Internet liberada eu passava no dia baixando PDs e páginas completas para ler à noite e nos fins-de-semana. Com o tempo pensei: e se eu reconstruisse o sistema em Java? Obviamente que não consegui reproduzir o sistema todo dado o tempo mas se o sistema antigo tinha 5% em Java eu consegui que fosse unas bons 30%. Chegue no escritório doido para mostrar ao meu chefe.

Obviamente foi um banho de água fria. A pessoa ficou feliz por eu me interessar pelos projetos internos e disse que iria ver o sistema, um dia. Esse dia nunca chegou. Após alguns meses eu pedi demissão da empresa.

Dia desses estava falando com um amigo que ainda trabalha lá e soube que 50% dos clientes foram embora. Na época que eu trabalhava nessa empresa ela tinha quase que o monopólio de um dado tipo de sistema, com tempo concorrentes foram surgindo. O sistema da empresa era claramente superior aos outros mas era muito menos flexível. Ele era muito bom no que fazia mas quando precisávamos que ele fizesse a coisa um pouquinho diferente o projeto durava meses. Os concorrentes chegaram com linguagens como C++ e Java e apesar de não terem um produto com 10 anos de bons serviços prestados eles conseguiam mudar rapidamente.

Há dez anos a escolha por utilizar C e IPC de UNIX na mãozona era certa. Nenhuma plataforma da época oferecia o desempenho aceitável. Infelizmente as pessoas acabam construindo as piores coisas do mundo com desculpa de performance e o sistema era completamente monolítico e depende tanto do SO que mudar de uma versão minor para a outra leva um ano com um time de 3 pessoas completamente dedicados.

Se esta empresa acompanhasse os movimentos da indústria veria que existiam plataformas que já ofereceriam performance aceitável (eu já trabalhei em sistemas Java mais eficientes que aquele em ouros lugares) e que iriam oferecer a flexibilidade necessária. Infelizmente só repararam isso quando a concorrência invadiu o mercado.

A empresa continua com produtos ótimos em suas idéias mas ninguém consegue esperar 2 anos para colocar algo no ar. As coisas mudaram e escolher a tecnologia certa para cada caso é cada vez mais o qe define sucesso ou fracasso de um projeto. Ou de uma empresa.

Programadores Profissionais Escrevem Testes, Ponto Final.

Wednesday, October 31st, 2007

O tópico já tem oito páginas. Acho que chega à 10. Por mais que minha mão coce para comentar lá eu não vou, simplesmente porque já tive problemas demais com o pessoal do Mentawai.

De qualquer forma sempre me preocupa a possibilidade de algum desenvolvedor ler o tópico e pensar “Poxa, se esses caras que fazem todos estes frameworks não usam testes por que eu vou usar?”.

Desenvolvedores profissionais escrevem testes. Simples assim.

Uma pessoa que não ganha milhões de dólares mas escreveu uma das obras mais clássicas deste ramo deixa bem claro em sua primeira aula que programar é gerenciar complexidade. Nós precisamos gerenciar complexidade o tempo todo, por isso criamos funções, objetos e tudo mais. Não adianta, mesmo Einstein teve que provar que suas fórmulas e execuções estavam corretas, que poderiam ser verificadas. Na faculdade aprende-se isso desde as cadeiras básicas (e o fato de ser esquecido como “coisa teórica inútil” me faz novamente perguntar sobre o valor do ensino formal).

Existe uma grande diferença entre fazer Test-Driven Development e testar. TDD é sobre modelagem de objetos e especificações, não sobre testes (tanto que Behaviour Driven Development está se consolidando como algo mais eficiente que TDD) apesar de que no final você acaba ganhando uma suíte de testes de graça.

É muito difícil achar um projeto open-source relevante que não tenha testes. Na verdade os projetos decentes só aceitam um relatório de bug ou um patch se vier acompanhando por um caso de testes. Imagine uma aplicação feita colaborativamente por diversas pessoas, como saber que o que eu acabei de fazer commit não vai quebrar o que você modificou ontem? Boas práticas de orientação a Objetos? Não se iludam, OO não foi feita para este tipo de verificação! Com boas práticas você consegue minimizar o impacto de mudanças diminuindo dependências mas você não vai ter certeza disso.

Eu sinceramente não sei que técnica é essa que faz programação defensiva evitar testes. Eu já li bastante sobre Orientação a Objetos e programação defensiva e não vi nada deste tipo, pelo menos não vindo de uma fonte com um mínimo de credibilidade. Um exemplo simples, imagine que o framework web imaginário Pagai possui um código parecido com este:


Acao acaoSendoExecutada = controladorPrincipal.acao(requisicao.acaoDesejada());

Simples, não? Agora imaginemos que o código do método acao(String) seja algo assim:


public Acao acao(String pathInvocado){
//verifica se acao possui o formato desejado, deve ter uma barra e deve ter dois itens separados por barra apenas
if((pathInvocado.indexOf("/") == -1) || (pathInvocado.split("/").size < 2)) throw new IllegalArgumentException("Path invocado ["+pathInvocado+"] nao possui o formato adequado (consulte a documentacao XYZ)");
//lógica...
}

Isso é programação defensiva: eu não estou aceitando o que me passam, eu verifico se é o que deveria e se for eu continuo, se não eu paro ali mesmo e deixo alguém tomar conta do problema, seja a classe em questão ou alguma outra mais acima.

Imagine que eu por engano commitei um código que utilize “” em vez de “/” nesta requisição. Se for numa parte central do código é bem possível que uns testezinhos peguem mas imagine que é utilizado apenas em um caso específico e que, por um acaso, eu baseei meu sistema de controle de jatinhos particulares 9meu chefe tem muitos jatinhos) nele. Quando eu fiz o comit não alertou. Quando eu fiz o build não alertou. Quando eu fiz meus testezinhos não alertou. Quando foi para a produção eu tive erro.

Ok, acontece. Programadores de qualquer tipo cometem erros. Eu vejo o problema muito rapidamente e o corrijo, temos uma versão beta em 15 minutos no ar, fantástico. Aí daqui há um mês outro programador comete o mesmo erro. Quando fizer o build não vai alertar. Quando fizer seus testezinhos não vai alertar. Quando for para a produção… Isso não é profissionalismo.

O que eu preciso é de uma suite de testes, unitários e de integração, que me digam que o sistema está incorreto já no processo de build, sem lançar jars beta, alfa ou gama.

Mas se tem um argumento nessa história toda que realmente me irrita é quando as pessoas dizem que “num mundo capitalizado não há tempo para testes” ou que “o cliente não quer saber como é feito, ele quer que funcione”. O cliente realmente não quer saber como funciona, ele quer que funcione. Mas ele também não vai querer saber que você alterou uma classe que usava barra para barra invertida e tudo parou de funcionar, ele quer que o problema não aconteça e se acontecer que seja corrigido rapidamente. Se seu sistema não tem qualidade -e testes fazem parte de qualidade- você não consegue isso. TI gasta fortuna das empresas reescrevendo sistemas simplesmente porque não foram feitos por profissionais, e profissionais se preocupam com a qualidade do que fazem. E isso inclui testes.


Não seja um amador.

Arquiteturas Simples Duram Mais

Wednesday, October 24th, 2007

Um amigo outro dia me perguntou que tipo de arquitetura eu usaria num caso bem peculiar. Basicamente ele foi encarregado de definir a arquitetura corporativa de um grande banco, ou seja: definir hoje a forma como aplicações serão construídas pelas próximas décadas. Basicamente ele vai se ro cara que vai ser xingado por algumas centenas de programadores nos próximos tempos, não importa que arquitetura escolha.

Há poucos dias atrás falamos aqui sobre arquiteturas de referência e seu efeito danoso. Geralmente quando alguém tem à frente um desafio desse ele logo pensa em um modelinho que mostra obriga o uso de uma meia dúzia de frameworks e padrões (clássico moderno: Struts/JSF e JPA, clássico vintage: Struts 1.1 e EJB/DAO). Para melhorar ainda é incorporado um conjunto de classes “utilitárias” feitas com práticas que talvez tenham servido para um projetinho piloto mas hoje em dia só atrapalham.

Ainda assim uma arquitetura corporativa é algo interessante. Quando empresas grandes não possuem uma macro-arquitetura acabam crescendo de maneira desordenada e criando dezenas de aplicações redundantes e gambiarras de integração entre sistemas. Note no entanto que uma arquitetura corporativa não é uma arquitetura de referência, a arquitetura corporativa não fala sobre como implementar aplicações mas sim provê guias sobre como integrá-las, define as relações previstas em no ecossistema que é uma grande empresa.

Quais são as melhores macro-arquiteturas que você conhece? Eu consigo pensar em algumas: Apache, UNIX, World Wide Web… Nestes ecossistemas aplicações novas surgem, são alteradas e morrem todos os dias há décadas, um sistema criado com a tecnologia mais recente de 2007 vai rodar tranqüilamente neste ambiente. Por quê?

Porque estas arquiteturas se baseiam em primitivas e contratos, não em especificações rígidas. Criar um módulo para o Apache , um programa para rodar em UNIX ou uma site é basicamente criar um programa de computador em uma das plataformas suportadas que obedeça a um contrato.

Uma boa arquitetura corporativa vai definir algumas políticas e contratos para a aplicação se relacionar com o meio-ambiente e só isso. No caso do banco, poderíamos definir que uma aplicação deve disponibilizar via uma interface POX/REST seus WebServices, que ela deve utilizar a API do Mogile FS para guardar dados em disco, que cache deve ser feito utilizando a API do memcached.

E se o arquiteto quiser sair do padrão? Ótimo, saia, mas ele deve oferecer compatibilidade com o ambiente.

E se eu já tiver comprado um sistema que faz WebServices via SOAP? Eu preciso criar um meio de disponibilizar estes serviços via POX/REST também. Pode ser uma adaptador simples, um ESB, o que quer que seja. É como quando você compra um equipamento eletrônico com tomada americana, você não vai mudar uma tomada na sua casa para o padrão exótico, vai é comprar o adaptador necessário para plugar ele nas tomadas do seu ambiente.

Mas e se não precisarmos de filesystem distribuído? E se já estivermos utilizando uma solução de cache que faz mais sentido nesta aplicação?

Ótimo, use. O uso de filesystem X, cache Y, banco de dados Z deve ser um guia. Toda vez que alguém precisar de uma solução de cache, filesystem, etc. ele olha o guia da empresa, se não servir ele usa algo que sirva. O que importa é que o uso fique encapsulado no sistema. Imagine que ao invés do Oracle 10g eu resolva usar um MySQL na minha aplicação. Está ótimo mas eu devo manter essa peculiaridade interna à minha aplicação. Os outros sistemas que vierem a se comunicar com o meu não devem precisar saber sobre a existência deste banco, eu não posso usar este banco para comunicação entre aplicações (o que já é uma coisa péssima para se fazer de qualquer forma).

O que importa é:

  1. O arquiteto tem liberdade para resolver seu problema da maneira mais adequada
  2. O novo sistema é compatível com o meio-ambiente

Para ser um bom arquiteto não é necessário ter tanta experiência assim, basta saber olhar os casos de sucesso e aproveitar o que funciona. Geralmente as técnicas utilizadas nestas arquiteturas são também catalogadas como Padrões Arquiteturais em livros. Um bom arquiteto tem que ser um ávido leitor de livros e de código.

Conexão Java 2007

Tuesday, October 23rd, 2007

Mais um ano vai, outro ano vem e o Conexão Java está aí. Este é certamente o evento mais descolado da comunidade Java do Brasil.

O CJ é um grande encontro entre as pessoas que participam em fóruns como o GUJ, o PortalJava e o RioJUG. O foco do evento são os mini-cursos que agem na formação de novos profissionais. Bem, formação não exatamente, ninguém sai de um curso de meioa dúzia de horas especialista em nada mas é uma boa oportunidade de ter contato mão-na-massa com algumas tecnologias e técnicas.

Este ano a estrela do evento é ninguém menos que Carlos Villela. Radicado em Londres pela ThoughtWorks há… bem, há alguns anos… o cv vem falar de algo bem atual: o declínio dos arquitetos monoglotas.

Também teremos algo um pouco diferente. Possivelmente deve haver um repeteco da minha palestra sobre arquitetura do JustJava 2007 (infelizmente sem o Paulo que vai estar de férias) mas enquanto isso é confirmado ficamos com mais uma atração: Oficina do Arquiteto.

Essa é uma idéia meio maluca que acabamos de fechar, vai funcionar mais ou menos assim: alguém traz uma arquitetura -seja de um projeto existente, livre ou de uma empresa, ou desenhado na hora- e nós debatemos esta. Na conversa vão sobrar padrões arquiteturais, guidelines e uma boa dose de bate-papo sobre o que nós, arquitetos, estamos fazendo por aí. Se você já tiver alguma idéia me adiante por email para organizar melhor as coisas, eu vou preparar algumas arquiteturas clássicas para usarmos quando não houver nenhuma na roda. A idéia é bem simples: debate, informação e diversão.

Adaptação de Linguagens

Thursday, October 18th, 2007

Mais um texto no fragmental.tw, desta vez algo mais genérico sobre modificações em linguagens. Eu ando lendo bastante sobre linguagens embutidas em outras (DSLs Internas) e outras formas de modificação de linguagem como Fluent Interfaces. É bem complicado chegar à qualquer conclusão em temas tão abstratos mas a experiência no uso destas técncias no dia-a-dia e no laboratório me mostraram que existem diferenças entre as formas de alterar uma linguagem. Em Language-Oriented Programming você cria linguagens, com Fluent Interfaces não.

Bom, mais sobre isso em Language Adaption.

Arquitetos McDonald’s

Monday, October 15th, 2007

Estava eu lendo sobre um novo framework criado por alguma agência governamental de um estado qualquer. Geralmente eu não resisto e faço algum comentário sobre a utilidade de um framework que não traz nada de novo ou de bom e gasta dinheiro público (dinheiro público o caramba, seu dinheiro!) para isso mas desta vez me contive só em olhar os tutoriais da ferramenta, que sempre resulta em bons anti-exemplos para postar aqui.

Não me entendam mal, eu já trabalhei para empresas públicas e aquelas que andam na zona cinza entre empresas públicas e privadas e já vi muita coisa boa sendo feita lá. O problema de empresa pública hoje é o concurseiro profissional, esta praga que assola os cofres públicos atrás de cargos que pagam bem (quem nunca viu algum informata aprendendo direito para passar em provinha?) e depois pulam para outro que paga melhor. Enfim, o problema não é ser um órgão público, poderia ser numa empresa privada (a diferença é que se você considerar como uma empresa privada tem que considerar que você é acionista que investe muitos-% do seu salário nela e deveria ter algum resultado).

O ponto inicial é que arquiteturas de referência são um conceito falido. Ter guias arquiteturas, modelos, sugestões é uma coisa, impor uma arquitetura única é outra. O Luca já deu diversos motivos para não fazer este tipo de coisa e eu lembro de um projeto que participei há alguns anos atrás em uma grande empresa que utilizava esta técnica.

Toda a parte de logística da empresa, um mega-departamento com seu próprio vice-presidente, utilizava um framework que foi definido por uma equipe arquitetural. Eu conheci o arquiteto em questão e não acho que ele seja um mau profissional, pelo contrário é bem talentoso. O problema é o diálogo:

- Fulano, estamos cansados de gastar dinheiro nesta arquitetura mainframe, precisamos migrar para Java logo.
- Ok, falei com a consultoria XYZ e eles alertaram para o fato de que não existe ‘desenvolvimento Java’, você tem que escolher uma plataforma diferente a cada projeto!
- Mas @#$#! Se eu vou comprar Java eu vou comprar algo que sirva para tudo que venhamos a fazer. Eu quero uma solução, Fulano, se vira!

(…)

- Arquiteto José, precisamos definir a tecnologia utilizada.
- Mas precisamos testar…
- Cara, a gente paga você pra tomar decisão, aprende isso de uma vez. Sabe o projeto da agenda telefônica? Aquele que não tem a menor importância? Então, pega ele pra fazer, junta seus melhores programadores e faz uma prova de conceito de uma arquitetura.

E lá vai o arquiteto fazer um projetinho sem valor nenhum com a tal tecnologia. O projeto invariavelmente é um sucesso mas se falhar ninguém liga. Daí agora todas as aplicações usam o framework.

E esquecemos o que há de mais importante na arquitetura. O engenheiro analisa a obra do ponto de vista técnico, o arquiteto analisa de diversos pontos de vista. Lembro de um caso recente onde um amigo precisou criar um sistema complexo rapidamente. O sistema exigia uma complexidade grande e deveria ser feito em pouquíssimo tempo com uma equipe de desenvolvedores junior. O arquiteto viu o cenário como um problema e traçou um plano: criou uma camada de abstração forte (quase uma DSL) que permitia aos programadores desenvolver rapidamente mesmo sem muito conhecimento sobre Java. Quando o projeto foi bem-sucedido apareceu o gerente de tecnologia maravilhado! Ele queria adotar essa prática em todos os projetos, minimizando drasticamente custos e tendo sistemas prontos na data. Bala de prata.

Este arquiteto em questão se negou a fazer parte do grupo que definira o novo framework. Experiente do jeito que é ele sabia que uma arquitetura que dá certo em um projeto não necessariamente vai dar em outro e ele não apostaria sua carreira e prestígio profissional num projeto furado desses. Como era consultor ele foi remanejado para outro cliente e a última notícia que tive da empresa é que ela criou seu framework com Velocity, Struts e JDBC, com uma versão em EJB 2.1 -nenhum projeto com este framework foi um sucesso até agora.

Ainda que o projeto que originou a arquitetura de referência tenha sido muito complexo e um sucesso absoluto isso não quer dizer que outros com esta arquitetura serão. Não é porque objetos foram feitos para arquiteturas do tipo Domain Model que ela é a mais adequada sempre, não é porque EJBs são o mecanismo padrão de distribuição que ele deve ser utilizado para qualquer RPC.

Existe um paradoxo nas arquiteturas de referência: para se ter uma boa arquitetura (de referência ou não) é necessário um bom arquiteto mas a primeira coisa que um bom arquiteto vai dizer é que arquiteturas de referência são uma péssima idéia.

Anotações sobre Language-Oriented Programming (LOP)

Friday, October 12th, 2007

Como alguns sabem eu tenho um blog em inglês onde o foco é na minha linha de pesquisa atual: Domain-Specific Languages e Language-Oriented Programming. Eu venho psotando sobre minhas experiências brincando com este “novo” paradigma e acabo de postar o rascunho de um primeiro artigo sobre o tema. Comentários são mais que bem-vindos.

.Net: Princípios OO e Alt.Net

Wednesday, October 10th, 2007

Duas rapidinhas sobre Microsoft .Net:

  1. Já está nas bancas a nova edição da Mundo .Net (#5) com mais um artigo meu na coluna sobre arquitetura. Desta vez o foco são princípios de Orientação a Objetos. O artigo é bem genérico eu recomendo que mesmo programadores de outras plataforma dêem uma olhada.
  2. Martin Fowler publicou uma ótima análise do que pode ser o movimento mais interessante dentro da plataforma .Net: o movimento alt.net.

JustJava 2007 (Upped)

Monday, October 8th, 2007

Update: Enfim o Paulo publicou.

A palestra com o paulo foi sensacional. Muita gente me perguntou ao final da palestra qual minha relação com a Caelum, se sou instrutor de lá ou coisa do tipo. Bem, não :)

Palestra

Além de ser amigo do pessoal da empresa eu acredito fortemente na proposta de trabalho da Caelum, mas não tenho nenhum vínculo empregatício, comercial ou que quer que seja com eles.

Eu simplesmente acredito que o nível de treinamento que alguém obtém lá é bem superior ao treinamento pasteurizado dado pelos centros de treinamento que eu conheço. A palestra em si foi prova disso, nós falamos sobre tecnologias e técnicas que não são vistas nos ‘cursos de arquitetura’ normais e sobre como as tecnologias que de fato fazem parte do programa destes cursos quase sempre é antiquada e/ou inadequada. É uma empresa que consegue sair do commodity que é treinamento Java hoje em dia e trazer algo de valor, geralmente por um preço muito mais acessível.

Caelum

Os slides devem estar disponíveis no site da Caelum em breve.