Archive for the ‘thoughtworks’ Category

Agile Brazil 2009

Sunday, May 24th, 2009

Caso você ainda não saiba a ThoughtWorks está patrocinando um evento em Junho, no Rio de Janeiro: Agile Brazil 2009.

Além de palestrantes locais o evento vai contar com três ThoughtWokers: Jason Yip, Paulo Caroli e Adam Monago. O Jason é um dos mestre jedis em lean software development que temos na TW. O Paulo é brasileiro e trabalha oficialmente na TW US mas está em uma temporada na Índia. O Adam é gerente de produtos do Mingle.

Eu tenho conversado bastante com o Jason para explicar mais sobre o cenário de desenvolvimento de software no Brasil -que é bem diferente de qualquer outro país que eu conheça. Conhecendo a peça eu tenho certeza que a palestra vai ser uma excelente oportunidade para quebrarmos alguns mitos sobre lean que estão sendo introduzidos na cultura brasileira -como os de que contar “bugs por linhas de código” é uma métrica razoável para justificar uma prática ou metodologia.

Uma coisa boa é que ele está muito entusiasmado em fazer visitas à empresas interessantes. Eu entrei em contato com alguns lugares que considero bons candidatos mas se você tem alguma história interessante para contar e gostaria de recebê-lo por um dia me mande um e-mail que eu coloco vocês em contato. Note que ele vai estar no Rio e que você precisaria de alguma espécie de intérprete Inglês-Português.

Infelizmente eu não vou poder ir ao Brasil neste início de ano já que estou começando um projeto complicado na próxima semana que deve durar até Julho. Existe uma grande possibilidade de ir no segundo semestre, vamos ver se ela se realiza.

Deixa Para os Analistas de Verdade…

Sunday, November 23rd, 2008

Eu irritei bastante gente da última vez que falei sobre analistas de sistemas. Até hoje, 10 meses depois, ainda tem gente que me manda e-mail malcriado.

Muitos destes comentários falavam que eu estou desmerecendo o valor da análise. Minha resposta é que pelo contrario, o que eu estou dizendo é que análise é tão importante que não dá para misturar as coisas:

É certo que muitos clientes precisam entender seus próprios negócios antes de criar um sistema mas isso não é papel de analista de sistemas, é papel de analista de negócios. Um analista deste tipo possui capacitação em campos bem diferentes, é completamente possível que um analista de negócios seja um desenvolvedor (vamos abolir o “analista de sistemas” a partir daqui) mas neste caso ele está assumindo duas especialidades. Um analista de negócios possui um perfil não-técnico e mais especializado em um mercado como bancos, marketing, telecomunicações e etc.

Como eu falo no post citado, o problema é que pensamos que análise faz parte da profissão de desenvolvedor ou que é sua evolução. Isto não é verdade, o trabalho de analista de negócios pode resultar em algo que nem é um programa de computador. Em um caso recente o cliente queria um novo website para “automatizar processo” mas após a análise verificou-se que o que ele precisava era simplesmente melhorar seu formulário -de papel.

Eu realmente não entendo como pessoas conseguem misturar Test-Driven Development, Domain-Driven Design, metodologias ágeis e técnicas de análise de negócios em workshops de um dia.

Estou tendo a felicidade de ver um processo de ponta a ponta na pratica neste instante, participando de uma Inception, uma fase bem curta onde tentamos entender o que estamos fazendo. O projeto em si não começou, estamos apenas estabelecendo uma visão e pensando sobre a viabilidade do sistema.

O processo, segundo a metodologia que desenvolvemos na ThoughtWorks, é composto por diferentes workshops com quase todos os envolvidos do lado do cliente.

A atual equipe é composta por:

  • Facilitador: Alguém que conduz as atividades e mantêm o time nos objetivos. Não possui uma habilidade específica alem de “facilitação de colaboração”. No meu projeto atual o papel é executado por uma analista de negócios mas eu já vi testadores, desenvolvedores e gerentes de projeto executando esta tarefa.
  • Stakeholders + Analistas de negócios: Funcionários do cliente de diversas áreas envolidas e os nossos analistas que trabalham com eles.
  • Líder Técnico: Um profissional técnico com senioridade suficiente para responder às dúvidas que surgirem.

Note que existe algo engraçado aí: parece um time ágil ao contrário. Ao invés de cliente presente nós temos o técnico presente. Eles realizam o trabalho de definir o que o sistema vai ser, eu só estou lá para dizer o que faz ou não sentido tecnicamente. Em um mundo ideal teríamos todo o time técnico presente (considerando que um time ágil não é nunca grande), mas como somos uma consultoria e cobramos por tempo o cliente quer, obviamente, minimizar custos em um projeto que ele ainda nem sabe se vai construir.

A Inception é muito curta. Ela precisa ser curta porque, já que não pretende entregar nada alem de uma visão geral do projeto, o desperdício precisa ser minimizado. As pessoas mais experientes dizem que nenhum projeto ágil pode ter mais de duas semanas de Inception.

As entregas são freqüentes, temos um showcase por semana (i.e. 2 no total) onde são apresentados aos stakeholders que não participam dos workshops (geralmente a alta gerencia) o que desenvolvemos naquele período: definições sobre o que o projeto é e o que ele não é. Como a maioria dos processos ágeis nós usamos ferramentas de baixa tecnologia como post-its e cartões, estes são fotografados e/ou convertidos em slides.

A entrega final depende do cliente. Em geral nós sempre temos uma lista com as histórias identificadas nestas duas semanas e suas estimativas de alto nível, formando um backlog inicial para o projeto começar. Também temos o que alguns poderiam chamar de project charter, mas ao invés de páginas e páginas de documentos temos um deck de slides com basicamente a consolidação dos dois showcases.

E qual o papel do tal analista de negócios nisso tudo? Eles trabalham junto com os stakeholders para gerar uma visão única do projeto (já que possivelmente cada stakeholder que uma coisa diferente) e transformar isso em algo que possa ser executado (histórias). No meio do caminho eles ajudam a eliminar desperdício, introduzir idéias novas, validar os pedidos, conferir viabilidade e tudo mais que não faz parte do papel de um desenvolvedor e sim de alguém que, de fato, entenda do negócio do cliente.

Desde quando trabalhávamos juntos que eu converso bastante com o Antônio Carlos sobre este tipo de coisa. No nosso ambiente nós tínhamos clientes que não sabiam o que queriam e desenvolvedores que não entendem do negócio. O resultado final era que nada que ia pro ar era exatamente o que o cliente queria, seja por falha de comunicação ou porque ele mudou de idéia e “esqueceu” de avisar aos desenvolvedores.

Note que o papel do analista de negócios não elimina a necessidade de termos um cliente presente. Não existe mapeamento de requisitos ou coisas do tipo, além de usar seu expertise naquele domínio em específico, o analista de negócios age como facilitador e não como ponte entre cliente e desenvolvedores. Ele também não é um tradutor, os termos de negocio e os processos devem ser entendidos por todos os envolvidos. Após a Inception o cliente não fica de fora do projeto, só voltando para colher os frutos. Ele faz parte da equipe o tempo todo, um analista de negócios, por melhor que seja, nunca substitui seu valor.

Esta fase do processo também responde a uma eterna discussão o fato de que XP (que é a metodologia-base usada na ThoughtWorks) não tem “foco em negócios”. Nem é para ter! XP ou qualquer metodologia ágil que se preze vai focar em pontos específicos. XP não atende a todo o ciclo de vida do projeto, ele faz parte do ciclo de vida. Quando a Inception acaba começa a Iteração 0 e daí o XP entra em ação.

Update: O Guardian, que passou pelo processo descrito aqui, tem um post bem legal sobre o assunto.

Start Me Up

Saturday, August 9th, 2008

Este post do Jay Fields, ex-colega ThoughtWorker, é exatamente o que eu penso sobre o assunto. Por favor, leia.

Aproveitando a deixa, Jay vai estar no Brasil para o Rails Summit junto com alguns outros grandes nomes. O evento custa R$300,00 se você comprar até Setembro. Eu estou vendo muita gente reclamar do valor e, sinceramente, não entendo o motivo. É um evento de grande porte e o preço está bem abaixo do que eu esperaria que custasse. Um evento destes no exterior não sai por menos de mil dólares (mais preço de passagem e hospedagem), e, sinceramente, este evento possui um grupo de palestrantes mais interessante que o JAOO Sydney onde estive que custou, se me lembro bem AUD$1,700.00 (uns R$3.500,00 à época).

Agile Software Deployment?

Friday, June 20th, 2008

A melhor coisa sobre meu trabalho atual é que, como consultores, tentamos sempre pensar fora da caixa. Isso não é fácil numa consultoria, você pode imaginar, já que o mercado tende à empresas de três letrinhas que não se interessam tanto em otimizar ou melhorar e sim em cobrar por hora.

Um desses momentos recentes me fez passar por algo que eu nunca havia visto na pratica: como fazer deployment (instalação) e administração de software de maneira ágil?

O cliente em questão possui times ágeis em diversos segmentos há alguns anos. Durante o andamento de um projeto enorme surgiram algumas dificuldades em gerenciar ambientes e versões do software. Apesar de toda a agilidade os testadores ainda precisam que versões específicas, com bases de dados específicas, estejam instaladas em ambientes para homologar o sistema. Para piorar mesmo os desenvolvedores precisam ter uma instância de uma search engine (algo como o Lucene) e popular esta engine para que seja usável demora por volta de 10 horas.

Era preciso controlar qual desenvolvedor possui acesso à qual instalação da search engine e quais as versões instaladas em quais ambientes. No passado já ocorreu algumas vezes de um deployment para QA demorar mais que o esperado pela confusão generalizada de ambientes e isso atrasar o release para produção em uma semana.

A primeira proposta que eles tiveram foi clássica: vamos automatizar tudo. Construir um mega-sistema que controle o que está instalado onde, avise por email os responsáveis, tenha um controle de workflow, se integre ao sistema de QA, seja parte do IBM Tivoli, faça café… e seja extremamente caro.

Uma outra proposta surgiu do “grupo de governança” da empresa: ninguém faz deployment de nada sem ser autorizado. Toda vez que alguém precisa subir algo para QA ou outro ambiente precisa usar o Jira, toda vez que alguém precisar de uma modificação numa instancia da search engine precisa usar o Jira. Todos os pedidos são aprovados pelas pessoas competentes.

Aí começa o trabalho da nossa equipe: como ter o benefício esperado sem ter que vender a empresa pra comprar o sistema ou passar 20% do tempo preenchendo formulários?

O início deste trabalho foi feito seis meses atrás e foi parte do meu primeiro projeto aqui. Apos analisarmos o sistemas vimos que ele era estupidamente complexo sem a menor necessidade. O débito técnico foi se acumulando com o passar dos anos e uma coisa simples como instalar um WAR no Tomcat estava levando mais de duas horas, e trabalhando em par! Um dos grandes problemas era que das duas horas uma você gastava andando pelo corredor perguntando para outras pessoas o que fazer no caso X, qual a versão que está no servidor Y, etc.

A primeira coisa a se fazer era resolver o débito técnico. Não há solução que agüente mais de um mês em pé com aquela quantidade de problemas para resolver (incluindo um build que durava mais de quarenta minutos). Para isso os donos do negocio aceitaram alocar 10% dos pontos de uma iteração e, conforme a previsão, a maioria dos problemas graves se solucionou em cinco meses.

Enquanto isso, para amenizar o problema de maneira imediata, nós resolvemos usar um quadro-branco com a configuração dos ambientes. Quando a pressão do release passou o quadro foi para no wiki interno, numa grande tabela que qualquer um editava. Para o problema das instâncias de search engine nós criamos tokens: cada instancia tinha um cartão. Se você precisa de uma instancia você vai até uma parede e pega um cartão, adiciona as configurações daquela instancia na sua máquina e cola o cartão no seu monitor.

Simples e eficiente, a solução do cartão dura até hoje. O mesmo não se pode dizer do wiki. Enquanto o grupo de usuários era pequeno o wiki serviu de maneira ótima, após passarmos de algumas dezenas de pessoas -e diversos sub-projetos e spikes rodando em paralelo- ele se tornou inviável. O problema é que a tabela não comporta mais todos os dados de maneira eficiente e qualquer tentativa de organizar em sub-páginas faz com que as pessoas “esqueçam” de atualizar o wiki. Solução? Seguir o exemplo do que deu certo: cartões!

Acima você pode ver uma das paredes de cartões para nosso controle de mudanças e versões. O cartão rosa, no topo, tem o nome do ambiente. Cada um dos cartões azuis abaixo deste representa um dos componentes, os post-it laranja indicam as versões que foram instaladas. Os amarelos indicam qual instancia da search engine é usada em qual ambiente.

Os outros post-its colados nos cartões são meta-dados, eles indicam, por exemplo, que um serviço está inativo:

Esta solução tem funcionado nos últimos meses de maneira exemplar. Na verdade ela funciona tão bem que o problema agora é convencer os analistas de negocio que o problema do deployment não está solucionado e que eles ainda precisam investir nele.

Uma das conseqüências dessa técnica é que as duas pessoas que ficavam alocadas 100% do tempo gerenciando ambientes estarão em breve voltando a desenvolver as histórias e gerar valor de negócios ao invés de dar suporte aos desenvolvedores.

Muitas vezes você não precisa de milhões de dólares nem de burocracia, basta pensar fora da caixa.

A Completa Irrelevância do Certified Scrum Master

Tuesday, May 27th, 2008

Semana passada o Richard Durnall me chamou para assistir a uma aula que ele deu na University of Melbourne. O Rich é o guru local de Lean e é uma figura.

A aula foi interessante. O curso é o mestrado em alguma das 343.435 ramificações de Tecnologia da Informação, basicamente uma escolinha para CIO-wannabe. Para se ter uma idéia todas as perguntas da sessão foram sobre implantação de ERPs, você via claramente que nenhum dos estudantes tinha a mínima vivencia na indústria e acreditavam piamente nas suas Info Corporate da vida.

A matéria era sobre comparação de metodologias e o Rich não foi o único. Antes dele apresentou um senhor, que é professor da instituição e arquiteto do maior banco da Austrália, onde inclusive tenho conta (brr…). A palestra do senhor arquiteto foi sobre como ele participou da salvação de um projeto de data mining usando o bom e velho waterfall. O único ponto diferente de uma lição clássica sobre como não fazer software foi sobre o uso de técnicas de Six Sigma para avaliação e priorização dos requisitos.

Quando chegou a vez do Rich apresentar Agile/Lean foi um contraste enorme. Na sessão de perguntas:

- Você falou sobre estes métodos ágeis e sobre como eles…er.. não ligam para requisitos. O [cara defendendo waterfall] apresentou um caso real de um grande banco. Você realmente acha que as técnicas de algo como agile podem competir com Six Sigma? [nota: uh?]
- Então, na minha apresentação eu fui bem ralo e essa é uma palestra introdutória, então foi bom você perguntar isso. Eu trabalhei na [top 5 montadora de automóveis], na [maior empresa aérea do mundo] e em alguns bancos. Nas duas primeiras empresas eu fiz parte da implantação de Six Sigma, inclusive eu sou Black Belt. O que eu vi deste processo foi [...] e por isso que agile/lean é uma boa escolha.

Agora pense que em vez de “Six Sigma Black Belt” ele tivesse dito algo como “inclusive eu sou Agile Software Specialist e os problemas de Six Sigma são [...]“. Teria o mesmo efeito?

Outro caso recente e interessante foi no Australian Architecture Fórum em Sydney. O Halvard estava apresentando uma palestra extremamente interessante sobre governança de projetos SOA onde a única ferramenta é um wiki. Em algum momento alguém levanta:

- Ok, ok, isso aí é muito Web 2.0, muito legal mas não é aplicável no meu cenário.
- E qual seu cenário?
- Eu trabalho em um banco, faço parte do grupo de controle de serviços de segurança. Isso de REST, wiki é muito legal mas vocês não entrariam num banco de modo algum!
- Uhm.. interessante você falar disso porque segurança em serviços é uma das minhas áreas de estudo… eu concluí meu Ph. D. em SOA na Universidade de Sydney e meu foco é exatamente segurança. Na verdade, na ThoughtWorks a maioria dos clientes são bancos e, inclusive, tivemos hoje de manhã o arquiteto principal do banco [top 5 banco australiano] falando exatamente sobre como usaram este tipo de técnica para governança num projeto que participei.

Imagine que ele tivesse falado “Eu sou um Wiki Certified Contributor e um RESTafarian Official Gold Partner”. Teria o mesmo efeito?

Por que das historinhas? Para argumentar numa discussão que eu tive com o grande Juan Bernabó sobre a total e completa ausência d sentido em algo como Certified Scrum Master. O Juan argumentou que certificações são valorizadas -e requeridas- pelas empresas. Meus pontos são:

  • Eu não conheço nenhuma pessoa que acredite que um curso de dois dias, sem sequer uma avaliação final –pagou, passou na pratica- deva ser valorizada. Se nós sabemos que a certificação não tem valor por que a venderíamos de outra forma? Agile não é sobre trazer valor e melhorar praticas?
  • O mercado também quer porque quer e acha que precisa de cronogramas detalhados, requisitos esmiuçados e projetos que terminam em uma grande fase de testes. Nós sabemos que isso não traz valor não fazemos apologia a este tipo de coisa, por que com certificação seria diferente? Por que ao invés de combater a ineficiência e a busca por respostas fáceis nós criamos e glorificamos nossos próprios selos?
  • Uma certificação emitida por si mesmo não vale nada. A menos que alguém já acredite que Scrum traz algum valor essa certificação é como acreditar que o Inri Cristo é Jesus porque ele afirma o ser.

Em resumo, eu acho o curso que é dado com o CSM ótimo. Ele abre mentes e é uma fantástica introdução. E só. O certificado emitido por este curso não tem qualquer valor real e propagandear o contrario, ajudando empresas a continuar glorificando certificações sem sentido, vai contra a primeira linha do Manifesto Ágil:

We are uncovering better ways of developing
software by doing it and helping others do it.

O debate completo está aqui.

Apresentação no Australian Architecture Forum 2008

Friday, May 16th, 2008

A apresentaçao em Melbourne acabou de terminar. Foi bem interessante e o evento em si está sendo uma experiência diferente. É algo mais como mesas redondas do que apresentações, mais sobre isso depois.

Aproveitando, agradecendo novemente ao Antônio Carlos pela liberação dos nomes e marcas, a apresentação ia ficar bem sem graça sem os screenshots :)

Australian Architecture Forum 2008

Thursday, May 1st, 2008

Falando em coisas agitadas, fui convidado para palestrar no Australian Architecture Forum 2008. O título é “Lightweight SOA Through Web Widgets” e falar de SOA com REST num evento onde vai estar presente o impagável Jim Webber é algo bem diferente.

Como meu Google Analytics diz que ese blog é acessado por pessoas aqui na Austrália fica o convite.

Sem Respostas Fáceis

Monday, April 7th, 2008

O Guilherme Chapiewski causou uma bela confusão com seu último post. Uma chuva de comentários debate: O Scrum Master deve ser técnico?

Eu já conversei com o Guilherme sobre isso algumas vezes e sei o que ele quis dizer, mas acho que colocou de uma forma meio confusa. Para mim o ponto é: o Scrum Master deve ser um gerente de projetos/facilitador/babá em tempo integral?

Após alguns anos nessa estrada dá para entender porque algumas pessoas se preocupam tanto em afastar o papel de gestor (seja Scrum Master of Universe ou qualquer outro termo que você preferir) do papel de técnico. Muitas vezes técnicos quando postos no papel de gestor não conseguem tirar a mão da graxa e isso atrapalha o andamento das coisas. Eu já tive gerentes de projeto que afundaram todo um release porque pegavam para si tarefas técnicas e não conseguiam exercer suas tarefas oficiais.

Isso acontece bastante mas não quer dizer que vá acontecer sempre, ou que não possa ser resolvido. Dizer que o gestor não pode exercer tarefas técnicas e ponto final é ignorar a característica empírica de um processo ágil.

Quem assume que isso é uma verdade absoluta está buscando respostas fáceis ao invés de tentar resolver o problema. Isso não é diferente em nada do cidadão que usa todos os templates, artefatos e papeis do RUP no seu projeto, ou daquele que acredita que um selo como CMMI ou MPS.BR traz qualidade.

Seguir à risca todos os documentos possíveis ou acreditar piamente que um selo traz qualidade é buscar respostas fáceis.

Desde outubro que eu não trabalho com Scrum. A ThoughtWorks não possui exatamente uma metodologia de trabalho, nós entendemos que agilidade é um processo empírico:

The empirical model of process control provides and exercises control through frequent inspection and adaptation for processes that are imperfectly defined and generate unpredictable and unrepeatable outputs.

Cada projeto é um projeto, cada time é um time e aplicar uma receita de bolo, seja ágil ou não, é ruim. No meu projeto atual temos um time de desenvolvedores do mesmo nível. O papel de gestor de projetos fica com o tech lead e isso basicamente quer dizer que ele é quem perde 1/2 do dia em reuniões e é quem pede cerveja para a retrospectiva de sexta-feira. No resto do tempo está na máquina dele com o Eclipse aberto.

A diferença é que ele atua como tech lead, não como desenvolvedor. Ele não pode se comprometer com uma tarefa grande, ou em programar em par. O que ele faz é (1) ter certeza que possui entendimento sobre o que está sendo feito e dar sua posição sobre isso e (2) servir como palavra final quando algum assunto técnico atinge um impasse.

Eu pedi demissão da Globo.com um pouco antes do projeto acabar. Alem de atuar como Scrum Master e líder técnico da equipe eu ainda tinha que resolver algumas milhares de coisas relacionadas à minha viagem. Mesmo assim eu não abdiquei da minha responsabilidade de líder técnico. Eu desenhei com o Guilherme os WebServices que utilizávamos e não só sabia como eles funcionavam bem como enchi o saco dele para que tal coisa fosse desse jeito e não do outro. Eu trabalhei na primeira versão do framework JavaScript que criamos com o Tiago e depois fizemos algumas sessões de pair programming nas últimas alfinetadas.

Nas primeiras iterações eu ainda consegui pegar tarefas para mim, com o tempo isso foi ficando impossível mas eu não deixei de ser o líder técnico do projeto por isso. Assumir o papel de gestor do projeto me deixou com tempo fragmentado mas quanto mais ágil seu processo (e sua empresa) menos você precisa assumir o papel de gestor. Quando a empresa não requer muita burocracia desnecessária não há muito à facilitar, quando o time se gerencia não há muito há resolver.

Como o Antônio comentou no blog é muito bom chegar ao nível de ter essas discussões, pensar sobre o que é feito, mas é melhor ainda quando percebemos que processos ágeis são sobre pessoas e adaptação. Eu diria que um time não precisa muito mais de um Scrum Master Power Turbo do que de um tech lead, ambos são papeis importantes. Se você coloca seu tech lead como gestor de projeto e o impede de exercer suas funções técnicas você tem que ter uma estratégia para substituir essa perda.

Você pode ter certeza que as práticas que você mais odeia em uma metodologia de desenvolvimento não-ágil não foram criadas por pura maldade dos autores (bem, não sempre…). Estas práticas fizeram (e fazem) sentido nos cenários experimentados. Elas foram úteis e resolveram problemas. A grande questão é que não é porque uma coisa faz sentido em um cenário que ela deve ser aplicado à todos, ou sequer à maioria.

Cuidado para não ficar preso às respostas fáceis. Cuidado para não transformar processos empíricos em processos prescritivos. Cuidado para não tentar programar FORTRAN em qualquer linguagem.

Qi4j @ ThoughtWorks Community College

Thursday, April 3rd, 2008

Ontem tivemos mais um Community College na ThoughtWorks Melbourne, desta vez focamos no Qi4j.

É uma idéia interessante. Basicamente o qi4j (”quiforjêi”) usa micro-aspectos para modelar qualquer coisa. O problema é que a sintaxe atrapalha. Eles usam a Linguagem Java, com Language Adaptations e uma Factory mágica, provavelmente uma linguagem própria teria mais efeito.

Labirinto

Thursday, March 27th, 2008

A quantidade de dados disponível na Internet é algo interessante e quando temos a ferramenta certa algumas realidades são tão claras que chegam a ser constrangedoras. Para mim a rede social mais relevante hoje é o Linkedin. Apesar de haverem centenas de desesperados para arrumar um emprego e ganhar recomendações sem merecer é m sistema bem feitinho e de uma empresa que parece ter o pé no chão: nada de criar o novo Facebook, foco foco foco!

Bem, dia desses eu vi que eles lançaram páginas das empresas. Além de uma interação redondinha com a BusinessWeek o perfil da empresa possui diversos dados extraídos dos perfis dos seus funcionários e, como a experiência de trabalhar com alto volume de dados e acessos me mostrou, isso não é nada fácil.

Mas aí vem a parte engraçada. Pegue a página de uma empresa de três letrinhas qualquer. Veja o box “Related Companies” e perceba a quantidade de empresas de três letrinhas dos dois lados (antes de entrar na empresa, depois de sair). Agora clique em uma empresa de três letrinhas da lista. Tente achar uma delas que não tenha uma empresa de três letrinhas como “after”.

É óbvio que isso não é nenhum dado científico mas mostra a realidade que quem trabalha nessas empresas vive -falo isso de conhecimento próprio. A coisa mais comum para o desenvolvedor de sistemas no Brasil é viver entre consultorias, você fica um pouco em uma, recebe uma proposta melhor, vai para outra, tira um certificado, volta pra anterior, quer ganhar mais, muda de novo. Sair deste ciclo não é fácil, exige sorte e/ou muita vontade. Não é fácil arrumar um bom lugar para se trabalhar e ainda ganhar a mesma coisa, mas existe. Na verdade eu percebo que tirando poucas exceções a maioria das pessoas com nível técnico bom que eu conheço ou não estão mais neste ciclo ou estão saindo dele.

Existe uma onda de pessoas que estão indo trabalhar com produtos, fazer consultoria por conta própria ou abrir sua própria startup. Isso é ótimo, quebra o paradigma infeliz de que para um técnico ter uma carreira de sucesso e;e deve sair da área.

Aqui em Melbourne -e imagino que na Australia toda- existe um saudável mercado de pequenas consultorias. São empresas pequenas, de umas dez pessoas, que conseguem competir nesse mercado tão cheio de absurdos. Infelizmente no Brasil isso é meio impossível -e dá para entender o Viícius-, as consultorias ganham contratos na base do… bom, vocês são brasileiros e sabem do que eu estou falando. Aqui existem as grandes também, Melbourne é um centro mundial, mas ainda que as pequenas estejam longe das contas megalomaníacas elas conseguem se virar com empresas que precisam de resultado de verdade, e não apenas encher uma sala de gente que finge que desenvolve.

Afinal, quantas permutações você consegue fazer com três letrinhas?